PALAVRAS DO PAPA AOS SACERDOTES, BISPOS E FIÉIS
Se queres escalar o poder na Igreja, vá fazer alpinismo. "É mais sadio!", diz o Papa
Sergio Centofanti
Rádio Vaticano
05-05-2014
"Na
Igreja, há pessoas que seguem Jesus por vaidade, sede de poder ou dinheiro; que
o Senhor nos dê a graça de segui-Lo apenas por amor": essa é a oração que
o papa fez durante a missa presidida na manhã dessa segunda-feira em Santa
Marta.
Tomando como ponto de partida o Evangelho do dia, em que Jesus reprova as pessoas por buscá-Lo só porque havia sido saciadas depois da multiplicação dos pães e dos peixes, o papa convida a se fazer a pergunta se seguimos o Senhor por amor ou por alguma vantagem.
"Porque
nós somos todos pecadores – observou – e sempre há algo de interesseiro que
deve ser purificado ao seguir Jesus e devemos trabalhar interiormente para
segui-Lo por Ele, para amor."
[1] "Jesus
– afirmou o Papa Francisco – menciona três atitudes que não são boas para
segui-Lo ou para buscar a Deus. A primeira é a vaidade." Em particular,
ele se refere àqueles notáveis, àqueles "dirigentes" que dão esmolas
ou jejuam para serem vistos:
"Esses
dirigentes queriam ser vistos. Eles gostavam – para dizer a palavra certa –
gostavam de se pavonear e se comportavam como verdadeiros pavões! Eram assim. E
Jesus diz: 'Não, não, isso não está certo. Não está certo. A vaidade não faz
bem'. E, algumas vezes, nós fazemos coisas buscando com que sejamos vistos um pouco,
buscando a vaidade. É perigosa, a vaidade, porque nos faz deslizar
imediatamente para o orgulho, a soberba, e depois tudo acaba lá. E eu me faço a
pergunta: eu, como sigo Jesus? As coisas boas que eu faço, eu as faço às
escondidas ou gosto de me exibir?"
"E
eu também penso em nós, pastores" – disse o papa – porque "um pastor
que é vaidoso não faz bem ao povo de Deus": pode ser padre ou bispo, mas
"não segue Jesus" se "a vaidade lhe agrada".
[2] "A
outra coisa que Jesus repreende naqueles que o seguem – afirma – é o
poder.": "Alguns seguem Jesus, mas um pouco, não de forma totalmente
consciente, um pouco inconscientemente, mas buscam o poder, não? O caso mais
claro é João e Tiago, os filhos de Zebedeu, que pediam a Jesus a graça de ser
primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro, quando viesse o Reino. E na Igreja
há escaladores! Há muitos que usam a Igreja para... Mas se você gosta disso, vá
para o Norte e faça alpinismo: é mais sadio! Mas não venha à Igreja para
escalar! E Jesus repreende esses escaladores que buscam o poder."
"Somente
quando veio o Espírito Santo – observou o papa – os discípulos mudaram. Mas o
pecado na nossa vida cristã permanece, e nos fará bem nos fazer a pergunta: eu,
como sigo Jesus? Por ele somente, inclusive até a Cruz, ou busco o poder e uso
a Igreja um pouco, a comunidade cristã, a paróquia, a diocese para ter um pouco
de poder?"
[3] "A
terceira coisa que nos afasta da retidão das intenções – destacou o papa – é o
dinheiro": "Aqueles que seguem Jesus pelo dinheiro, com o dinheiro,
buscando se aproveitar economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade
cristã, do hospital, do colégio... Pensemos na primeira comunidade cristã, que
teve essa tentação: Simão, Ananias e Safira... Essa tentação existiu desde o
início, e conhecemos tantos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores
da Igreja, até com várias honrarias, tantos!, que, depois, descobriu-se que
fizeram negócios um pouco obscuros: eram verdadeiros homens de negócios e
fizeram muito dinheiro! Apresentavam-se como benfeitores da Igreja, mas pegavam
muito dinheiro, e nem sempre dinheiro limpo."
"Peçamos
ao Senhor a graça – concluiu o papa –, que nos dê o Espírito Santo para ir
atrás d'Ele com retidão de intenção: somente Ele. Sem vaidade, sem vontade de
poder e sem vontade de dinheiro."
Traduzido
do italiano por Moisés Sbardelotto.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos –
Notícias – Terça-feira, 6 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
“No sacerdócio deve predominar o pastoral sobre o administrativo”
Religión Digital
05-05-2014
A
colaboração com a sociedade civil, a evangelização em um país ainda dividido e
a formação do futuro clero foram os temas centrais do discurso que o Santo
Padre entregou aos bispos da Conferência Episcopal de Burundi [África], que encerraram
sua visita “ad Limina”.
O Santo
Padre recorda que a colaboração entre a Santa Sé e a República do Burundi,
estabelecida no Acordo Marco, assinado em novembro de 2012 e em vigor desde
fevereiro, promete “um rico futuro para o anúncio do Evangelho” e anima aos
bispos a ocupar, como já fazem, “o lugar que lhes corresponde no diálogo social
e político, e a se encontrar, sem vacilações, com o governo. As pessoas
responsáveis da autoridade são as primeiras que necessitam do testemunho de fé
e do anúncio corajoso dos valores cristãos de vocês para que, conhecendo melhor
a Doutrina Social da Igreja, apreciem seu valor e se inspirem nela na
administração das matérias públicas”.
Burundi,
em um passado ainda próximo, conheceu enfrentamentos terríveis que ainda
repercutem na unidade do povo e deixaram feridas ainda não cicatrizadas.
“Apenas uma verdadeira conversão dos corações ao Evangelho – escreve – pode
inclinar os homens ao amor fraternal e ao perdão, porque na medida em que Deus
consegue reinar entre nós, a vida social será espaço de fraternidade, de
justiça, de paz, de dignidade para todos. A evangelização em profundidade de
seu povo continua sendo a preocupação primordial para se conquistar uma
verdadeira reconciliação”.
Se os
primeiros a viver a autenticidade desta conversão são, naturalmente, os
sacerdotes, é preciso que os futuros presbíteros, “além da indispensável
formação intelectual, recebam também uma sólida formação espiritual, humana e
pastoral. Estes são os quatro pilares da formação! Porque é com a sua vida, em
suas relações cotidianas, que levarão o Evangelho a todos. No ministério
sacerdotal não deve haver um predomínio do administrativo sobre o pastoral, bem
como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização”.
Francisco
destaca o admirável trabalho das congregações religiosas na educação, os
hospitais e a ajuda aos refugiados e recorda aos prelados que as muitas
comunidades novas que são formadas necessitam do “discernimento atento e
prudente de vocês para garantir uma sólida formação a seus membros e para
acompanhar a evolução a que são chamadas a viver pelo bem de toda a Igreja”.
“A
história recente do país de vocês – conclui – foi difícil e se viu atravessada
pela divisão e a violência em um contexto de pobreza extrema, que infelizmente
perdura. Apesar disso, os valorosos esforços de evangelização que vocês desempenham
no ministério pastoral dão muitos frutos de conversão e reconciliação.
Convido-lhes a não desfalecer na esperança, mas a prosseguir com coragem, com
um renovado espírito missionário para levar a Boa Nova a todos os que ainda
estão esperando ou que mais a necessitam para que conheçam, por fim, a
misericórdia do Senhor”.
Traduzido
do espanhol pelo Cepat.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos –
Notícias – Terça-feira, 6 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
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