“O que tinha que ser roubado, já foi”
Pedro
Cifuentes
El País
27-05-2014
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Joana Havelange |
A
diretora-executiva do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo do Brasil [COL],
Joana Havelange, entrou numa polêmica nesta terça-feira. Neta do ex-poderoso
presidente da FIFA, João Havelange, e filha do ex-presidente da não menos
poderosa Confederação Brasileira de Futebol [CBF], Ricardo Teixeira, ela publicou
nesta manhã em seu Instagram um texto que circula há alguns dias pelas redes
sociais brasileiras, assumindo uma postura contrária aos protestos contra a
Copa.
Até aí,
nada digno de manchete de jornal. Salvo pelo pequeno detalhe de o texto
reconhece que “o que tinha de ser roubado, já foi”. O texto dizia: “Não apoio,
não compartilho e não vestirei preto em dia nenhum de jogo do Mundial. Quero
que a Copa aconteça da melhor forma. Não vou torcer contra, até porque o que já
tinha que ser gasto, roubado, já foi. Se fosse para protestar, que tivesse sido
feito antes. Eu quero mais é que quem chega de fora, veja um Brasil que sabe
receber, que sabe ser gentil. Quero que quem chegue, queira voltar. Quero ver
um Brasil lindo. Meu protesto contra a Copa será nas eleições. Outra coisa, destruir
o que temos hoje, não mudará o que será feito amanhã”.
As
palavras, reproduzidas em numerosos sites, desencadearam comentários inflamados
nas redes sociais, em blogs e nos meios de comunicação brasileiros. As
manifestações às quais alude Havelange, de 37 anos, começaram há um ano, por
ocasião da Copa das Confederações.
Não é a
primeira vez que Havelange enfrenta uma polêmica. Em 2007, durante o mandato do
seu pai à frente da CBF, foi nomeada diretora executiva do COL e diversas vozes
clamaram contra a sua eleição para um cargo relevante e diretamente relacionado
à Federação. A diretora-executiva teve à sua disposição uma equipe de quarenta
pessoas e um orçamento estimado em 200 milhões de reais. Seu salário, segundo
diversas fontes, é estimado em 70.000 reais por mês.
Em
2012, Teixeira deixou seus cargos e transferiu seu domicílio para Miami; seu
sucessor, José Maria Marin, manteve Joana Havelange no cargo, mas, um ano
depois, ficou em uma situação bastante comprometida quando seu pai e seu avô
foram oficialmente acusados pela FIFA de terem recebido subornos da empresa de
marketing esportivo ISL, entre 1992 e 2000. Meses antes, em uma entrevista
publicada pelo jornal esportivo Lancenet em dezembro de 2012, ela afirmava:
“Temos
uma oportunidade de mostrar ao mundo um Brasil que muita gente não conhece.
Mostrar os estádios bem organizados, o transporte funcionando, tudo funcionando
para o turista. É para isso que trabalhamos”.
O
reconhecimento tácito de apropriações indébitas ocorre poucos dias depois de
outro destacado membro do COL (este sem salário), o ex-jogador Ronaldo Nazário,
se declarar “envergonhado” com a “incapacidade” do país de concluir as obras da
Copa, depois de declarar que apoiará o candidato oposicionista Aécio Neves
(PSDB) na eleição presidencial de outubro.
Um
assessor de comunicação do Comitê Organizador da Copa afirmou nesta tarde ao EL
PAÍS que não tem por que comentar esse assunto, já que “se trata de algo
privado, não relacionado ao Comitê”.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos –
Notícias – Quinta-feira, 29 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
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