O PAPA NA TERRA SANTA - SUAS PALAVRAS E GESTOS
Francisco
recorda encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Ecumenico Atenágoras
Texto
da declaração conjunta do Papa e do Patriarca
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Papa Francisco e o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, na Basílica do Santo Sepulcro (Foto: Vincenzo Pinto/AFP - 25/05/2014) |
1. Como
os nossos venerados predecessores Papa Paulo VI e Patriarca Ecumênico Atenágoras, que se encontraram aqui em Jerusalém há cinquenta anos, também nós
– Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu – decidimos encontrar-nos na
Terra Santa, «onde o nosso Redentor comum, Cristo nosso Senhor, viveu, ensinou,
morreu, ressuscitou e subiu aos céus, donde enviou o Espírito Santo sobre a
Igreja nascente» (Comunicado comum de Papa Paulo VI e Patriarca Atenágoras,
publicado depois do seu encontro de 6 de Janeiro de 1964). O nosso encontro –
um novo encontro dos Bispos das Igrejas de Roma e Constantinopla fundadas
respectivamente por dois Irmãos, os Apóstolos Pedro e André – é fonte de
profunda alegria espiritual para nós. O mesmo proporciona uma ocasião
providencial para refletir sobre a profundidade e a autenticidade dos vínculos existentes entre nós, vínculos esses fruto de um caminho cheio de graça pelo
qual o Senhor nos guiou desde aquele abençoado dia de cinquenta anos atrás.
2. O
nosso encontro fraterno de hoje é um passo novo e necessário no caminho para a
unidade, à qual só o Espírito Santo nos pode levar: a unidade da comunhão na
legítima diversidade. Com profunda gratidão, relembramos os passos que o Senhor
já nos permitiu realizar. O abraço trocado entre o Papa Paulo VI e o Patriarca
Atenágoras aqui em Jerusalém, depois de muitos séculos de silêncio, abriu a
estrada para um gesto epocal: a remoção da memória e do meio da Igreja dos atos de recíproca excomunhão de 1054. Isso foi seguido por uma troca de visitas
entre as respectivas Sés de Roma e de Constantinopla, por uma correspondência
regular e, mais tarde, pela decisão anunciada pelo Papa João Paulo II e o
Patriarca Dimitrios, ambos de abençoada memória, de se iniciar um diálogo
teológico na verdade entre católicos e ortodoxos. Ao longo destes anos, Deus,
fonte de toda a paz e amor, ensinou-nos a olhar uns para os outros como membros
da mesma família cristã, sob o mesmo Senhor e Salvador Jesus Cristo, e a
amar-nos de tal modo uns aos outros que podemos confessar a nossa fé no mesmo
Evangelho de Cristo, tal como foi recebida pelos Apóstolos e nos foi expressa e
transmitida a nós pelos Concílios Ecumênicos e pelos Padres da Igreja. Embora
plenamente conscientes de ainda não ter atingido a meta da plena comunhão, hoje
reafirmamos o nosso compromisso de continuar a caminhar juntos rumo à unidade
pela qual Cristo nosso Senhor rezou ao Pai pedindo que «todos sejam um só» (Jo
17, 21).
3. Bem
cientes de que a unidade se manifesta no amor de Deus e no amor do próximo,
olhamos com ansiedade para o dia em que poderemos finalmente participar juntos
no banquete eucarístico. Como cristãos, somos chamados a preparar-nos para
receber este dom da comunhão eucarística, segundo o ensinamento de Santo Irineu de Lião (Contra as Heresias, IV, 18, 5: PG 7, 1028), através da confissão de
uma só fé, a oração perseverante, a conversão interior, a renovação da vida e o
diálogo fraterno. Ao alcançar esta meta esperada, manifestaremos ao mundo o
amor de Deus, pelo qual somos reconhecidos como verdadeiros discípulos de Jesus
Cristo (cf. Jo 13, 35).
4. Para
tal objectivo, o diálogo teológico realizado pela Comissão Mista Internacional
oferece uma contribuição fundamental na busca da plena comunhão entre católicos
e ortodoxos. Ao longo dos sucessivos tempos vividos sob os Papas João Paulo II
e Bento XVI e o Patriarca Dimitrios, foi substancial o progresso dos nossos
encontros teológicos. Hoje exprimimos vivo apreço pelos resultados obtidos até
agora, bem como pelos esforços atuais. Não se trata de mero exercício teórico,
mas de uma exercitação na verdade e no amor, que exige um conhecimento ainda
mais profundo das tradições de cada um para as compreender e aprender com elas.
Assim, afirmamos mais uma vez que o diálogo teológico não procura o mínimo
denominador comum teológico sobre o qual se possa chegar a um compromisso, mas
busca aprofundar o próprio conhecimento da verdade total que Cristo deu à sua
Igreja, uma verdade cuja compreensão nunca cessará de crescer se seguirmos as
inspirações do Espírito Santo. Por isso, afirmamos conjuntamente que a nossa
fidelidade ao Senhor exige um encontro fraterno e um verdadeiro diálogo. Tal
busca comum não nos leva para longe da verdade; antes, através de um
intercâmbio de dons e sob a guia do Espírito Santo, levar-nos-á para a verdade
total (cf. Jo 16, 13).
5.
Todavia, apesar de estarmos ainda a caminho para a plena comunhão, já temos o
dever de oferecer um testemunho comum do amor de Deus por todas as pessoas,
trabalhando em conjunto ao serviço da humanidade, especialmente na defesa da
dignidade da pessoa humana em todas as fases da vida e da santidade da família
assente no matrimônio, na promoção da paz e do bem comum e dando resposta ao
sofrimento que continua a afligir o nosso mundo. Reconhecemos que a fome, a
pobreza, o analfabetismo, a distribuição desigual de recursos devem ser
constantemente enfrentados. É nosso dever procurar construir juntos uma
sociedade justa e humana, onde ninguém se sinta excluído ou marginalizado.
6. É
nossa profunda convicção que o futuro da família humana depende também do modo
como protegermos – de forma simultaneamente prudente e compassiva, com justiça
e equidade – o dom da criação que o nosso Criador nos confiou. Por isso,
arrependidos, reconhecemos os injustos maus-tratos ao nosso planeta, o que aos
olhos de Deus equivale a um pecado. Reafirmamos a nossa responsabilidade e
obrigação de fomentar um sentimento de humildade e moderação, para que todos
possam sentir a necessidade de respeitar a criação e protegê-la cuidadosamente.
Juntos, prometemos empenhar-nos na sensibilização sobre a salvaguarda da
criação; apelamos a todas as pessoas de boa vontade para tomarem em
consideração formas de viver menos dispendiosas e mais frugais, manifestando
menos ganância e mais generosidade na proteção do mundo de Deus e para
benefício do seu povo.
7. Há
também urgente necessidade de uma cooperação efetiva e empenhada dos cristãos para salvaguardar, por todo o lado, o direito de exprimir publicamente a
própria fé e de ser tratados equitativamente quando promovem aquilo que o
cristianismo continua a oferecer à sociedade e à cultura contemporânea. A este
propósito, convidamos todos os cristãos a promoverem um diálogo autêntico com o
judaísmo, o islamismo e outras tradições religiosas. A indiferença e a
ignorância mútua só podem levar à desconfiança e mesmo, infelizmente, ao
conflito.
8.
Desta cidade santa de Jerusalém, exprimimos a nossa comum e profunda
preocupação pela situação dos cristãos no Médio Oriente e o seu direito de
permanecerem plenamente cidadãos dos seus países de origem. Confiadamente
voltamo-nos para Deus omnipotente e misericordioso, elevando uma oração pela
paz na Terra Santa e no Médio Oriente em geral. Rezamos especialmente pelas
Igrejas no Egito, Síria e Iraque, que têm sofrido mais pesadamente por causa
dos eventos recentes. Encorajamos todas as Partes, independentemente das
próprias convicções religiosas, a continuarem a trabalhar pela reconciliação e
o justo reconhecimento dos direitos dos povos. Estamos convencidos de que não
são as armas, mas o diálogo, o perdão e a reconciliação, os únicos meios
possíveis para alcançar a paz.
9. Num
contexto histórico marcado pela violência, a indiferença e o egoísmo, muitos
homens e mulheres de hoje sentem que perderam as suas referências. É
precisamente através do nosso testemunho comum à boa notícia do Evangelho que
seremos capazes de ajudar as pessoas do nosso tempo a redescobrirem o caminho
que conduz à verdade, à justiça e à paz. Unidos nos nossos intentos e
recordando o exemplo dado há cinquenta anos aqui em Jerusalém pelo Papa Paulo
VI e o Patriarca Atenágoras, apelamos a todos os cristãos, juntamente com os
crentes das diferentes tradições religiosas e todas as pessoas de boa vontade,
que reconheçam a urgência deste tempo que nos obriga a buscar a reconciliação e
a unidade da família humana, no pleno respeito das legítimas diferenças, para
bem de toda a humanidade atual e das gerações futuras.
10. Ao
empreendermos esta peregrinação comum até ao lugar onde o nosso e único Senhor
Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou, humildemente confiamos à
intercessão da Santíssima e Sempre Virgem Maria os nossos futuros passos no
caminho rumo à plenitude da unidade e entregamos ao amor infinito de Deus toda
a família humana.
«O
Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça! O Senhor volte para ti a
sua face e te dê a paz!» (Nm 6, 25-26).
Jerusalém,
25 de Maio de 2014.
Fonte:
ZENIT.ORG – Roma, 25 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
O Papa
na Palestina:
chegou a hora de acabar com este conflito
Exortou a evitar iniciativas e atos que contradigam a
vontade expressa de chegar a um verdadeiro acordo
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Papa Francisco reza junto ao muro de 8 metros que separa Israel e territórios palestinos (25 de maio de 2014) |
O Papa
Francisco, ao reunir-se com as autoridades do Estado da Palestina no palácio
presidencial, às 10h00 de hoje, disse-lhes umas palavras, convidando-lhes a
acabar com o conflito que, além dos momentos de guerra, gerou um clima de
insegurança com trágicas consequências. E convidou os povos palestinos e
israelenses, assim como suas respectivas autoridades, a empreender este feliz
êxodo em busca da paz, com valentia e firmeza.
Antes
do Santo Padre, o presidente Mahmoud Abbas (Abu Mazen), indicou as diferentes
dificuldades que sofrem os palestinos, disse que “estamos felizes por ter a
população cristã” e que estão orgulhosos de “nossos laços entre a Palestina e o
Vaticano”, assim como “estas terras são para milhões de crentes”.
Mencionou
a agressão contra os lugares de culto e os prisioneiros palestinos nas prisões
de Israel sem julgamentos, com prisões preventivas. E das dificuldades do lado
Oeste de Jerusalém e do esforço de Israel por tirá-los de lá, em contradição
com o direito internacional.
O
presidente palestino concluiu expressando a sua gratidão pelo que está fazendo
pelo povo palestino. Criticou o muro construído por Israel e convidou a
construir pontes. E seu compromisso de reconhecer o Estado de Israel à medida
que se retire dos territórios ocupados.
***
Senhor
Presidente,
Queridos
amigos,
Queridos
irmãos!
Agradeço-lhe,
Senhor Presidente Mahmoud Abbas, as palavras de boas-vindas e dirijo a minha
cordial saudação aos representantes do Governo e a todo o povo palestinense.
Estou grato ao Senhor por estar hoje convosco neste lugar, onde nasceu Jesus, o
Príncipe da Paz, e agradeço-vos pela vossa calorosa recepção.
Há decênios que o Médio Oriente vive as consequências dramáticas do prolongamento
de um conflito que produziu tantas feridas difíceis de curar e, mesmo quando,
felizmente, não se alastra a violência, a incerteza da situação e a falta de
entendimento entre as partes produzem insegurança, negação de direitos, isolamento
e saída de comunidades inteiras, divisões, carências e sofrimentos de todo o
tipo.
Ao
manifestar a minha solidariedade a quantos sofrem em medida maior as
consequências deste conflito, queria do fundo do coração dizer que é hora de
pôr fim a esta situação, que se torna sempre mais inaceitável, e isto para bem
de todos. Por isso redobrem-se os esforços e as iniciativas destinadas a criar
as condições para uma paz estável, baseada na justiça, no reconhecimento dos
direitos de cada um e na segurança mútua. Para todos, chegou o momento de terem
a coragem da generosidade e da criatividade ao serviço do bem, a coragem da
paz, que assenta sobre o reconhecimento, por parte de todos, do direito que têm
dois Estados de existir e gozar de paz e segurança dentro de fronteiras
internacionalmente reconhecidas.
Com
esta finalidade, espero vivamente que, por parte de todos, se evitem
iniciativas e ações que contradizem a declarada vontade de chegar a um
verdadeiro acordo e que não nos cansemos de buscar a paz com determinação e
coerência. A paz trará consigo inúmeros benefícios para os povos desta região e
para o mundo inteiro. É preciso, portanto, encaminhar-se decididamente para
ela, inclusive com a renúncia a alguma coisa por parte de cada um.
Faço
votos de que os povos palestinense e israelita e suas respectivas autoridades
empreendam este êxodo feliz para a paz com aquela coragem e aquela firmeza que
são necessárias em qualquer êxodo. A paz na segurança e a confiança mútua
tornar-se-ão o quadro estável de referência para enfrentar e resolver os outros
problemas e, assim, proporcionar uma oportunidade de desenvolvimento
equilibrado tal que se torne modelo para outras áreas de crise.
Apraz-me
aqui fazer referência à comunidade cristã que diligentemente presta a sua
significativa contribuição para o bem comum da sociedade e que participa das
alegrias e penas de todo o povo. Os cristãos querem continuar a desempenhar o
seu papel como cidadãos de pleno direito, juntamente com os demais concidadãos
considerados como irmãos.
O
recente encontro no Vaticano com Vossa Excelência, Senhor Presidente, e a minha
presença hoje aqui na Palestina atestam as boas relações existentes entre a
Santa Sé e o Estado da Palestina, esperando que possam incrementar-se ainda
mais para bem de todos. A este respeito, exprimo o meu apreço pelos esforços
feitos para elaborar um Acordo entre as Partes relativo aos diferentes aspectos
da vida da comunidade católica do país, com especial atenção à liberdade
religiosa. Com efeito, o respeito deste direito humano fundamental é uma das
condições irrenunciáveis da paz, da fraternidade e da harmonia; mostra ao mundo
que é indispensável e possível encontrar um bom acordo entre culturas e
religiões diferentes; testemunha que as coisas que temos em comum são tantas e
tão importantes que é possível individuar uma estrada de convivência serena, ordenada
e pacífica, na aceitação das diferenças e na alegria de sermos irmãos porque
filhos de um único Deus.
Senhor
Presidente, queridos irmãos reunidos aqui em Belém, Deus todo-poderoso vos
abençoe, proteja e conceda a sabedoria e a força necessárias para levar por
diante o corajoso caminho da paz, de tal modo que as espadas se transformem em
arados e esta terra possa voltar a florescer na prosperidade e na concórdia. Salam!
Fonte: ZENIT.ORG –
Belém, 25 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
Construir
a paz é difícil, mas viver sem paz é um tormento
Regina
Coeli na Praça da Manjedoura
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Papa Francisco saúda Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina (Belém, 25 de maio de 2014) |
"Sr.
Presidente, Mahmoud Abbas, neste lugar nasceu o Príncipe da Paz, gostaria de
convidá-lo juntamente com o Senhor Presidente Shimon Peres, a elevarmos juntos
uma intensa oração pedindo a Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa no
Vaticano para acolher este encontro de oração.
Nós
todos queremos a paz; muitas pessoas a constroem cada dia com pequenos gestos;
muitos sofrem e suportam pacientemente a fadiga de tentar construí-la. E todos
nós temos o dever, especialmente aqueles que estão ao serviço dos seus povos,
de ser instrumentos e construtores da paz, especialmente com a oração.
Construir a paz é difícil,
mas viver sem ela é um tormento. Os homens e mulheres desta terra e do mundo
inteiro nos pedem para apresentar a Deus os seus desejos de paz”.
Com estas palavras, Francisco convidou os dois presidentes a
este encontro de oração pela paz em Roma. Fez esse convite antes da oração do
Regina Coeli, na praça do Presépio em Belém.
Antes da oração mariana, o Papa pronunciou as seguintes
palavras:
* * *
Queridos
irmãos e irmãs!
Estando
para concluir esta celebração, dirijamos o nosso pensamento para Maria
Santíssima, que aqui mesmo, em Belém, deu à luz o seu filho Jesus. A Virgem,
mais do que ninguém, contemplou Deus no rosto humano de Jesus. Ajudada por São
José, envolveu-O em panos e reclinou-O na manjedoura.
A Ela
confiamos este território e quantos nele habitam para que possam viver na
justiça, na paz e na fraternidade. Confiamos também os peregrinos que vêm aqui
para beber nas fontes da fé cristã – estão presentes também nesta Santa Missa.
Velai,
ó Maria, pelas famílias, os jovens, os idosos. Velai por aqueles que perderam a
fé e a esperança; confortai os doentes, os encarcerados e todos os atribulados;
sustentai os Pastores e toda a comunidade dos fiéis para que sejam «sal e luz»
nesta terra bendita; sustentai as obras educativas, em particular a Bethlehem
University.
Contemplando
a Sagrada Família aqui, em Belém, espontaneamente o meu pensamento recorda
Nazaré, onde espero poder ir, se Deus quiser, noutra ocasião. Daqui abraço os
fiéis cristãos que vivem na Galileia e encorajo a realização em Nazaré do
Centro Internacional para a Família.
À
Virgem Santa confiemos os destinos da humanidade, para que no mundo se
descerrem os horizontes novos e promissores da fraternidade, da solidariedade e
da paz.
Fonte: ZENIT.ORG - Belém,
25 de Maio de 2014 – Internet: clique aqui.
O papa
se reúne com crianças de três campos de refugiados na Palestina
Francisco
pede que as crianças "nunca deixem que o passado determine a sua
vida"
Após a
visita à Gruta da Natividade, o papa Francisco se dirigiu ao Phoenix Center
para o seu encontro com crianças refugiadas dos campos de Dheisheh, Aida e Beit
Jibrin. Ao chegar, às 15h30 deste domingo, 25 de maio (9h30 no horário de
Brasília), o Santo Padre foi recebido por duas meninas vestidas com trajes
típicos palestinos, que lhe entregaram flores.
Já no
salão, onde as crianças reunidas seguravam cartazes que pediam liberdade e paz,
o papa lhes desejou, falando em espanhol com tradução simultânea para o árabe,
que elas e suas famílias estejam bem de saúde. "Eu estou muito contente
por visitar vocês. Vejo que, no seu coração, vocês têm muitas coisas e espero
que o Bom Deus lhes conceda tudo o que vocês estão desejando", disse o
pontífice.
Uma das
crianças leu palavras em árabe, explicando ao papa a situação em que estão
vivendo, e, ao encerrar, disse em italiano: "Querido papa Francisco, nós
somos os filhos da Palestina. Há 66 anos, os nossos pais sofrem a ocupação. Nós
abrimos os nossos olhos já sob a ocupação". O texto manifestou ainda “o
desejo de dizer ao mundo um basta aos sofrimentos e às humilhações”.
A
seguir, as crianças cantaram primeiro em italiano e depois em árabe.
Ao
terminar o encontro, o papa agradeceu pelos cantos: "Muito bonitos, vocês
cantam muito bem". Francisco também agradeceu pelas palavras do menino
porta-voz e declarou que, lendo os cartazes, "compreendo o que vocês estão
dizendo, a mensagem que estão me transmitindo. Não deixem nunca que o passado
determine a sua vida. Olhem sempre para frente. Trabalhem e lutem para
conseguir as coisas que vocês querem. Mas saibam de uma coisa: não se vence a
violência com a violência. A violência se vence com a paz. Com a paz, com o
trabalho, com a dignidade de levar a pátria adiante. Muito obrigado por terem
me recebido. Eu peço a Deus que os abençoe. E, a vocês, eu peço que rezem por
mim. Muito obrigado".
Francisco
voltou a saudar brevemente as crianças e partiu do centro de refugiados,
finalizando assim a visita à Palestina. O papa se dirigiu logo depois a Tel
Aviv, transportado de helicóptero, para dar continuidade em Israel à sua
peregrinação pela Terra Santa.
Fonte: ZENIT.ORG –
Roma, 25 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
"Seguindo
os passos dos meus Antecessores, vim como peregrino à Terra Santa"
Discurso
do Santo Padre na Cerimônia de Boas-Vindas em Tel Aviv (Israel)
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Papa Francisco saúda e conversa com Shimon Peres, Presidente de Israel (Tel Aviv, 25 de maio de 2014) |
Senhor
Presidente,
Senhor
Primeiro-Ministro,
Eminências,
Excelências, Senhoras e Senhores, Irmãos!
Agradeço-vos
cordialmente pela recepção no Estado de Israel, que tenho a alegria de visitar
nesta minha peregrinação. Estou agradecido ao Senhor Presidente Shimon Peres e
ao Senhor Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu pelas amáveis palavras
que me dirigiram, e lembro com alegria os nossos encontros no Vaticano. Como
sabeis, venho peregrino à distância de cinquenta anos da histórica viagem do
Papa Paulo VI. Desde então muitas coisas mudaram entre a Santa Sé e o Estado de
Israel: as relações diplomáticas, que existem entre nós já há vinte anos, têm
favorecido o incremento de boas e cordiais relações, como testemunham os dois
Acordos já assinados e ratificados e o que está em fase de aperfeiçoamento.
Neste espírito, dirijo a minha saudação a todo o povo de Israel, com votos de
que se realizem as suas aspirações de paz e prosperidade.
Seguindo
os passos dos meus Antecessores, vim como peregrino à Terra Santa, onde se
desenrolou uma história plurimilenar e tiveram lugar os principais eventos
relacionados com o nascimento e o desenvolvimento das três grandes religiões
monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo; por isso, ela é ponto de
referência espiritual para grande parte da humanidade. Espero, pois, que esta
Terra bendita seja um lugar onde não haja espaço algum para quem,
instrumentalizando e exacerbando o valor da sua filiação religiosa, se torne
intolerante e violento para com a religião alheia.
Durante
esta minha peregrinação à Terra Santa, visitarei alguns dos lugares mais
significativos de Jerusalém, cidade de valor universal. Jerusalém significa
«cidade da paz». Assim Deus a quer e assim todos os homens de boa vontade
desejam que seja. Mas, infelizmente, esta cidade é ainda atormentada pelas
consequências de longos conflitos. Todos nós sabemos quão urgente e necessária
seja a paz, não só para Israel, mas também para toda a região. Por isso,
multipliquem-se esforços e energias com a finalidade de chegar a uma solução
justa e duradoura dos conflitos que causaram tantos sofrimentos. Em união com todos
os homens de boa vontade, suplico a quantos estão investidos de
responsabilidade que não deixem nada de intentado na busca de soluções équas
para as complexas dificuldades, de tal modo que israelitas e palestinenses
possam viver em paz. É preciso empreender sempre, com coragem e sem se cansar o
caminho do diálogo, da reconciliação e da paz. Não há outro caminho. Por isso,
renovo o apelo que dirigiu Bento XVI deste lugar: seja universalmente
reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir e gozar de paz e
segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Seja igualmente
reconhecido que o Povo Palestinense tem o direito a uma pátria soberana, a
viver com dignidade e a viajar livremente. Que a «solução de dois Estados» se
torne realidade e não permaneça um sonho!
Momento
particularmente tocante da minha estada no vosso País será a visita ao Memorial
de Yad Vashen, erguido em recordação dos seis milhões de judeus vítimas do
Shoah, tragédia que permanece símbolo dos extremos aonde pode chegar a malvadez
do homem, quando, atiçado por falsas ideologias, esquece a dignidade
fundamental de cada pessoa, a qual merece respeito absoluto seja qual for o
povo a que pertença e a religião que professe. Peço a Deus que jamais se repita
semelhante crime, de que foram vítimas em primeiro lugar judeus mas, também, muitos cristãos e outros. Sempre lembrados do passado, promovamos uma educação
onde a exclusão e o conflito cedam o lugar à inclusão e ao encontro, onde não
haja lugar para o anti-semitismo, seja qual for a forma em que se manifeste,
nem para qualquer expressão de hostilidade, discriminação ou intolerância
contra indivíduos e povos.
Com o
coração profundamente amargurado, penso a quantos perderam a vida no atroz
atentado sucedido ontem em Bruxelas. Ao mesmo tempo que renovo a minha viva
deploração por este criminoso ato de ódio anti-semita, confio a Deus Misericordioso as vítimas e invoco a cura para os feridos.
A
brevidade da viagem limita, inevitavelmente, as possibilidades de encontro. Queria
daqui saudar todos os cidadãos israelitas e exprimir-lhes a minha
solidariedade, de modo particular a quantos vivem em Nazaré e na Galileia, onde
estão presentes também muitas comunidades cristãs.
Aos
Bispos e aos fiéis cristãos, dirijo a minha saudação fraterna e cordial.
Encorajo-os a continuarem a prestar, com confiada esperança, o seu sereno
testemunho a favor da reconciliação e do perdão, seguindo a doutrina e o
exemplo do Senhor Jesus, que deu a vida pela paz entre o homem e Deus, entre
irmão e irmão. Sede fermento de reconciliação, portadores de esperança,
testemunhas de caridade. Sabei que vos tenho sempre presente nas minhas
orações.
Desejo
fazer um convite a Vossa Excelência, Senhor Presidente, e ao Senhor Presidente
Mahmoud Abbas para elevarem, juntamente comigo, uma intensa oração, implorando
de Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa, no Vaticano, para hospedar este
encontro de oração. Todos desejamos a paz; tantas pessoas a constroem dia a dia
com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a fadiga de tantas
tentativas para a construir. E todos – especialmente aqueles que estão
colocados ao serviço do seu próprio povo – temos o dever de nos fazer
instrumentos e construtores de paz, antes de mais nada na oração. Construir a paz
é difícil, mas viver sem paz é um tormento. Todos os homens e mulheres desta
Terra e do mundo inteiro pedem-nos para levarmos à presença de Deus a sua
ardente aspiração pela paz.
Senhor
Presidente, Senhor Primeiro-Ministro, Senhoras e Senhores, de novo vos agradeço
pela vossa recepção.
Que a
paz e a prosperidade desçam em abundância sobre Israel. Deus abençoe o seu povo
com a paz! Shalom!
Fonte: ZENIT.ORG – Tel Aviv,
25 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
Os
presidentes de Israel e da Palestina aceitam o convite do Papa
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Papa Francisco, Mahmoud Abbas e Shimon Peres Encontro de oração entre eles no Vaticano: 06/06/2014 |
O
Presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, e o presidente do Estado da
Palestina, Mahmoud Abbas (Abu Mazen) aceitaram o convite do papa Francisco de
se encontrarem no Vaticano para rezarem juntos pela paz no Oriente Médio.
A
imprensa israelense anunciou e foi confirmado pelo diretor da Sala
de Imprensa vaticana, padre Federico Lombardi, dizendo que os dois chefes de Estado
"estarão no Vaticano muito em breve”. De fato, acrescentou, “para
cumprir-se o convite do Papa, o encontro deveria acontecer antes do final do
mandato de Peres”, que é em Julho. É provável, portanto, que o encontro seja já
no próximo mês [foi confirmado para o próximo dia 6 de junho].
Peres
aceitou imediatamente o convite de Bergoglio, por meio do seu porta-voz que
afirmou: “O presidente aceita a iniciativa do Papa e disse que valoriza todos
os esforços para alcançar a paz entre Israel e seus vizinhos".
Também
o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina - refere a
agência de notícias palestina Maan, citando, por sua vez CNN - confirmou que
"a OLP aceita o convite do Papa Francisco para uma oração conjunta pela
paz juntamente com Israel no Vaticano".
Esta
manhã, antes do Regina Caeli, na conclusão da Missa na Praça da Manjedoura, em
Belém, o Papa disse: "Neste lugar, onde nasceu o Príncipe da Paz, gostaria
de dirigir um convite a você, Sr. Presidente, Mahmoud Abbas, e ao Sr.
Presidente Shimon Peres, para elevarem juntos comigo uma intensa oração pedindo
a Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa no Vaticano para hospedar este
encontro de oração”.
Fonte: ZENIT.ORG –
Roma, 25 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
"O
terrorismo é um beco sem saída"
Oração
do Santo Padre pelas vítimas do terrorismo em Israel
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Santo Padre prestou uma homenagem no Monte Herzl, que leva o nome do fundador do Movimento Sionista, em 1897, Theodor Herzl |
"Gostaria
de dizer com muita humildade, que o terrorismo é mau. É mau na sua origem e é
mau nos seus resultados. É mau porque nasce do ódio. É mau nos seus resultados
porque não constrói, destrói. Que nossos povos compreendam que o caminho do
terrorismo não ajuda. O caminho do terrorismo é fundamentalmente criminoso.
Rezo por todas essas vítimas, e por todas as vítimas do terrorismo no mundo,
por favor nunca mais terrorismo, é uma rua sem saída”.
Estas
foram as palavras que pronunciou ontem, segunda-feira (26 de maio), o Papa Francisco
diante da lápide que homenageia as vítimas do terrorismo em Israel no Monte
Herzl em Jerusalém, em seu terceiro dia de peregrinação à Terra Santa.
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, agradeceu em Twitter que o
Santo Padre tenha aceitado o seu convite para que visitasse este lugar. Esta
parada não estava prevista na programação do Papa Francisco.
No dia
anterior, em Belém, o Papa também fez um gesto fora do programa. Ele desceu do
jipe para parar um momento e rezar no muro que rodeia a cidade e a separa do
lado de fora.
Fonte: ZENIT.ORG –
Roma, 27 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
Viagem à Terra Santa:
O tradutor do Papa fala sobre o que saiu da
programação
Sergio
Mora
Durante
a visita do Papa Francisco a Jerusalém, foi possível ver que um franciscano era
o seu intérprete com o hebreu e o árabe. Trata-se do sacerdote argentino Silvio
de la Fuente, nascido em Buenos Aires, frade franciscano da Custódia da Terra Santa.
ZENIT pôde entrevistá-lo por telefone e nos relatou alguns detalhes
interessantes que compartilhamos a seguir com os nossos leitores.
ZENIT:
Qual saída da programação do Papa você poderia nos dizer?
- Frei
Silvio: Houve vários sinais pequenos, mas muito bonitos por parte do Santo
Padre, como o fato de que tenha vindo almoçar no nosso convento. Foi uma coisa
fantástica, especialmente porque veio compartilhar "o que acontece em um
convento", não foi um almoço de luxo, ou seja, ele comeu o que é servido
habitualmente.
ZENIT:
Mas, essa visita não estava programada, não é verdade? Havia um outro almoço
oficial?
- Frei
Silvio: Nesse dia tinha que ir ao Notre Dame Center, é um hotel que fica em
frente do convento dos frades, um hotel muito bonito que os Legionários de
Cristo têm e onde vão muitas personalidades, e, até mesmo com uma cozinha de alto
nível. O Santo Padre, falando com o núncio apostólico, que lhe contou tudo o
que fazíamos, quis estar conosco e assim tivemos o privilégio de tê-lo aqui.
Uma pequena parte da delegação veio ao convento, entre eles estava o patriarca
Latino, Fuad Twal, e o secretário de estado, Pietro Parolín. Ou seja, parte
da comitiva papal almoçou no Notre Dame Center, embora as pessoas e as outra
comunidades que o Papa iria encontrar neste hotel, recebeu-as de qualquer
forma. Não decepcionou ninguém.
ZENIT:
Vocês cumprem um papel importante em Jerusalém como Custódia da Terra Santa...
- Frei
Silvio: Bem, estamos no Oriente Médio desde 1217, a maioria dos santuários da
região são atendidos por nós, por vontade da Santa Sé.
ZENIT:
E qual foi a sua impressão do abraço, em frente ao muro, de Francisco com o
rabino Skorka e o xeique Abboud?
- Frei
Silvio: Foi incrível ver os três filhos de Abraão, porque nas três religiões
monoteístas reconhecemos nele um pai comum. Foi muito simbólico: nossos irmãos
maiores estavam no muro das lamentações, nossos irmãos menores acima na
explanada da mesquita, e o Papa Francisco abraçando os dois.
ZENIT:
Como é que se vive o diálogo inter-religioso em Jerusalém?
- Frei
Silvio: Existem dois níveis de ecumenismo e diálogo inter-religioso, o
teológico ou, se queremos, mais científico, e outro, que é o da convivência
diária, que se você precisar, por exemplo, de um pão vai ao padeiro que é
muçulmano, ou se você precisa de um azeite vai ao comércio de um judeu. Afinal,
esta é também uma convivência inter-religiosa, e ninguém fica discutindo
teologia. Esse contato diário abre ao diálogo e esses gestos simples, mas muito
significativos, que Francisco realizou, afirmam e reforçam algo que os frades e
muitas pessoas na Terra Santa, fazem há muito tempo.
ZENIT:
A impressão que se tem é que existem muitos fundamentalistas, ou esses são
minorias?
- Frei
Silvio: Dou-lhe um exemplo: quando estudava hebreu no Ulpan Milah também haviam
muçulmanos que o faziam lá. Uma das dinâmicas foi levar fotos das nossoas
famílias para apresentá-las e assim praticar o idioma. E foi bonito ver como
cada um apresentava a sua família ou os seus filhos e como um muçulmano com
barba, que podia ser mais ortodoxo, mostrava fotos dos seus filhos e outros que
eram judeus também ortodoxos compartilhavam as suas fotos, e depois tomavam um
café juntos e se perguntavam pelos familiares, etc, em um clima de grande
serenidade e amizade.
ZENIT:
Alguma coisa que mais tenha impressionado do Papa?
- Frei
Silvio: A verdade é que me impressionou muito a abertura e gentileza do Santo
Padre com todos. Depois de todas as visitas que realizou, subimos ao avião e
vieram os que faziam o serviço de bordo, o Papa tirou uma foto com cada um
deles, depois começou a rezar. Em seguida foi à coletiva de imprensa, e os do
serviço de bordo pediram-lhe um autógrafo e falava com eles... e ele aceitou tranquilamente
depois de três dias de uma visita tão cheia. E sempre dando sinais de simpatia
com os demais. Ele mesmo disse que às vezes bastam gestos simples, como um
sorriso, para que a relação entre duas pessoas surja ou melhore.
ZENIT:
O Papa encontrava tempo para orar em meio a uma agenda tão apertada?
- Frei
Silvio: Na verdade , quando estávamos no carro ou helicóptero, ou até mesmo no
avião, ele ia rezando, ou com o breviário na mão ou com o santo terço. Às vezes,
me perguntava algo o eu lhe perguntava ou compartilhava algo com ele, em outras
ocasiões simplesmente rezava.
Fonte: ZENIT.ORG –
Roma, 27 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
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