ASSEMBLEIA DOS BISPOS - APARECIDA, 30/ABRIL A 09/MAIO
Testemunho de um Bispo
Fonte: Site da Diocese de Jales – Artigos do
Bispo – 15 de maio de 2014 – Internet: clique aqui.
Talvez
como nunca, uma assembleia da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] foi
tão produtiva como esta última. Tantos assuntos, aprovados com tanta
convergência. Tamanha, que chegou a pairar um exagero de adesões, uma demasiada
concordância, a ponto de despertar algum temor de ter deixado passar alguma
palavra ou frase menos adequada.
Mas, se
observamos bem certos detalhes, podemos identificar as razões desta rapidez de
concordância. Os dois principais assuntos já tinham sido estudados na
assembleia de 2013, sobre a Paróquia
e sobre a Questão Agrária. E os
outros assuntos inseridos na pauta deste ano, eram muito oportunos. Além disto,
as comissões encarregadas de preparar os textos e examinar as emendas
trabalharam muito bem, inspirando confiança no plenário, e abrindo caminho para
a aprovação final de cada texto.
Olhando
a pauta, encontramos outra razão da diversidade de assuntos. Bispos reunidos em
assembleia não podiam deixar de dizer uma palavra sobre os fatos importantes
que estão na agenda deste ano. Até sobre a Copa
do Mundo lançaram sua mensagem. E não se omitiram de falar sobre as próximas eleições, e de expressar sua
preocupação com a crescente onda de
violência que assusta o Brasil.
Tanto que em decorrência desta preocupação,
foi lançado um “ano da paz”, em que
a sociedade brasileira será convocada a enfrentar, solidariamente, os desafios
contidos nesta complexa situação.
A nível
mundial, a CNBB acolheu a proposta, trazida pela Cáritas Brasileira, de se
fazer uma campanha contra a fome no
mundo, iniciativa que já conta com a firme adesão do Papa Francisco. E para
encontrar logo uma maneira prática de atuar nesta campanha, ficou decidido que no próximo ano, a coleta da Campanha da Fraternidade destine cinquenta por cento de sua
arrecadação para o Haiti, país que ainda está penando para se reerguer das
consequências do terremoto que se abateu sobre ele.
A
assembleia decidiu, também, apoiar a iniciativa popular de lei, com a proposta
de uma verdadeira reforma política.
Com isto, a CNBB mostra que identifica bem onde está o nascedouro dos problemas
que afligem o país, enredado nos equívocos
do seu sistema eleitoral. Pode ser que a sociedade não se lembre muito da
Igreja. Mas a Igreja não esquece os problemas sociais. Tanto é verdade que a Campanha da Fraternidade do próximo ano,
terá como tema, exatamente, a Igreja e a
Sociedade.
Tudo
isto fez parte desta assembleia. E muito mais. Foram diversas as sessões
dedicadas à partilha de preocupações e dificuldades, inerentes à missão
cotidiana de cada bispo. Pois a finalidade primeira, e mais importante, da
assembleia da CNBB é o convívio fraterno
e a ajuda mútua entre os próprios bispos,
que, por exemplo, repartem entre si os gastos das passagens e, além disto, são
incentivados, na medida das possibilidades de cada um, a ajudar os que provêm
de dioceses mais pobres.
Para
fins de ação concreta da Igreja, neste ano em que já celebramos a Páscoa, e
agora a assembleia da CNBB, parecem bastante claras duas referências práticas a
guiar a ação pastoral:
- acolher as propostas do Papa Francisco, expressas sobretudo em sua exortação Evangelii Gaudium, e
- iniciar a renovação eclesial, começando por renovar nossas paróquias. Para que assim a Igreja se torne mais missionária, aberta para acolher, e pronta a sair de si mesma, para ir ao encontro dos que necessitam da mensagem libertadora do Evangelho.
Depois
de uma assembleia como esta, dá para apostar nas novas esperanças, que este
tempo propício nos descortina pela frente.
Dom
Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales – SP
CNBB DIVULGA MENSAGEM SOBRE A COPA DO MUNDO
O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), que reúne a presidência e os presidentes dos regionais e das
comissões da instituição, aprovou hoje, 13 de março, mensagem sobre a Copa do Mundo, que terá início em
junho, no Brasil.
No texto, intitulado "Jogando
pela vida", os bispos afirmam que "a Igreja no Brasil acompanha,
com presença amorosa, materna e solidária, esse grande evento que reunirá
vários países e protagonizará a oportunidade de um congraçamento universal".
Ao mesmo tempo, manifestam
solidariedade "com os que, por causa das obras da Copa, foram feridos em
sua dignidade e visitados pela dor da perda de entes queridos".
Os bispos convidam a sociedade brasileira a aderir ao
projeto "Copa da Paz" e à
Campanha "Jogando a favor da vida -
denuncie o tráfico humano", que têm a finalidade de colaborar para que
o evento seja "lembrado como tempo de fortalecimento da cidadania".
Leia o texto na íntegra:
Jogando pela vida
Mensagem da CNBB sobre a Copa do Mundo
Direito humano de especial valor, o esporte é necessário a
uma vida saudável e não deve ser negligenciado por nenhum povo. De todos os
esportes, o brasileiro nutre reconhecida paixão pelo futebol. Explicam-se,
assim, a expectativa e a alegria com que a maioria dos brasileiros aguarda a
Copa do Mundo que será realizada em nosso país, pela segunda vez.
Fiel à sua missão evangelizadora, a Igreja no Brasil
acompanha, com presença amorosa, materna e solidária, esse grande evento que
reunirá vários países e protagonizará a oportunidade de um congraçamento
universal, “na alegria que o esporte pode trazer ao espírito humano, bem como
os valores mais profundos que é capaz de nutrir”, como nos lembra o Papa
Francisco.
Os brasileiros, identificados por sua hospitalidade e
alegria, saberão acolher aqueles que, de todas as partes do mundo, virão ao
nosso país por ocasião da Copa. Nossos visitantes terão a oportunidade de
conhecer a riqueza cultural que marca nossa terra, sua gente, sua arte, sua
religiosidade, seu patrimônio histórico e sua extraordinária diversidade
ambiental.
A Copa se torna, portanto, ocasião para refletir com a
sociedade sobre as relações pacíficas e culturais entre todos os povos, bem
como sobre os aspectos sociais e econômicos que envolvem o esporte que é
harmonia, desde que o dinheiro e o sucesso não prevaleçam como objeto final,
conforme alerta o Papa Francisco.
Lamentamos que, na preparação para a Copa, esse último
aspecto tenha prevalecido sobre os demais, motivando manifestações populares que
acertadamente reivindicam a soberania do país, o respeito aos direitos dos mais
vulneráveis e efetivas políticas públicas que eliminem a miséria, estanquem a
violência e garantam vida com dignidade para todos. Solidarizamo-nos com os
que, por causa das obras da Copa, foram feridos em sua dignidade e visitados
pela dor da perda de entes queridos.
Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e
comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de
outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco
se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação
ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de
exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções.
O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que
injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus
patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso
da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na
criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a
exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis e combatam
eficazmente o racismo e a violência.
A sociedade brasileira é convidada a aderir ao projeto “Copa
da Paz” e à Campanha “Jogando a favor da vida – denuncie o tráfico humano”. Seu
objetivo é contribuir para que a Copa do Mundo em nosso país seja lembrada como
tempo de fortalecimento da cidadania. Por meio destas iniciativas, a Igreja se
faz presente na vida política e social do país, cumprindo sua missão
evangelizadora. Ao mesmo tempo, conclamamos as Dioceses em cujo território
estão localizadas as cidades-sede da Copa a oferecerem especial atenção religiosa
aos seus diocesanos e aos visitantes.
O jogo vai começar e o Brasil se torna, nesse momento, um
imenso campo, sem arquibancadas ou camarotes. Somos convocados para formar um
único time, no qual todos seremos titulares para o jogo da vida que não admite
espectadores. Avançando na mesma direção, marcaremos o gol da vitória sobre
tudo que se opõe ao bem maior que Deus nos deu: a vida. Essa é a “coroa
incorruptível” (1Cor 9,25) que buscamos e que queremos receber ao final da
Copa. Então, seremos todos vencedores!
Que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, nos
agracie com sua bênção e proteção neste tempo de fraternidade e congraçamento
entre os povos.
Cardeal
Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom
José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB
Dom
Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB
Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil – CNBB – Quinta-feira, 13 de março de 2014 – 19h04 –
Internet: clique aqui.
Mensagem por ocasião das eleições 2014:
"Pensando o Brasil"
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
divulgou na sexta-feira, 9 de maio, durante entrevista coletiva, a mensagem "Pensando o Brasil: desafios diante
das eleições 2014", aprovada pelos bispos do Brasil reunidos na 52ª
Assembleia Geral, em Aparecida (SP). Atenderam a imprensa o arcebispo de
Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis; o
arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente, dom José Belisário; o bispo
auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral, dom Leonardo Steiner.
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Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): da esquerda para a direita temos D. José Belisário, D. Raymundo Damasceno e D. Leonardo Steiner |
Na entrevista, cardeal Raymundo Damasceno Assis explicou que
o texto "contém importantes
reflexões para os cristãos e para toda a sociedade" que neste ano irão
eleger presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e
estaduais. "Com este texto, fazemos
uma convocação aos brasileiros para que exerçam o voto de forma
consciente", exortou.
Dom Damasceno destacou três pontos fundamentais do texto: participação consciente nas eleições; a
necessidade de conhecer os candidatos,
sua história, e quais princípios e valores eles praticam e defendem; buscar candidatos que tenham compromisso
com tantas reformas necessárias no país, especialmente a Reforma Política,
que tem apoio da CNBB e outras entidades.
Leia
e baixe, na íntegra, a mensagem acessando o site da CNBB, clicando aqui.
Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –
Sexta-feira, 9 de maio de 2014 – 23h19 – Internet: clique aqui.
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