Brasil é o país que mais faz cirurgias estéticas
Jamil Chade e Adriana Ferraz
[O
que esse fato está a nos dizer???]
País
superou EUA e hoje representa 13% de todas
as operações realizadas para fins
estéticos
Pela primeira vez, o Brasil superou os
Estados Unidos e atualmente é o País com o maior número de cirurgias plásticas
para fins estéticos. Segundo levantamento da Sociedade
Internacional de Cirurgia Plástica Estética, mais de 23 milhões de intervenções
foram realizadas em 2013 no mundo. Deste total, 1,49 milhão, ou 13%, ocorreram no País.
Os
números divulgados nesta terça-feira, 29 de julho, contemplam cirurgias e
tratamentos menos invasivos, como aplicação de botox. A associação reúne 2,7
mil membros, espalhados em 95 países. O
Brasil lidera o ranking por uma diferença pequena, de cerca de 40 mil
procedimentos. Nos EUA [Estados Unidos da América], o total chegou a 1,45
milhão, ante 486 mil no México, que ocupa o terceiro lugar.
O
estudo ainda aponta que a cirurgia de
aumento de seios continua a mais popular no mundo, com 1,7 milhão de casos
em 2013, representando 15% de todas as intervenções. Nos EUA, foram 313 mil
cirurgias desse tipo e 226 mil no Brasil – por
aqui, o procedimento com a maior procura é a lipoaspiração ou lipossucção. No ano passado, foram 227 mil.
Além
dessas intervenções, o Brasil ainda
somou 139 mil casos de mastopexia
– operação para levantar seios – e 77,2
mil cirurgias de nariz, segmento no qual é líder mundial. O México vem em
segundo lugar, seguido pelos EUA, México e o Irã, onde a prática é disseminada.
O Brasil também lidera nas cirurgias de
abdômen. Foram 129 mil intervenções, 15% de tudo o que foi
realizado no mundo em 2013. Em segundo lugar estão os EUA, com 119 mil casos.
O
recorde já era esperado, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica (SBCP), João de Moraes
Prado Neto. Segundo ele, a popularização das diversas técnicas e a melhora
da condição financeira dos brasileiros explicam a liderança no setor.
Além
disso, o número de clínicas e de profissionais especializados também colaboram.
O Brasil tem hoje 4,8 mil cirurgiões
habilitados, o segundo maior contingente, superado apenas pelos EUA. São
Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram a maior parte desses médicos.
Nos três Estados, a oferta gera concorrência entre as clínicas, que, em busca
de pacientes, apelam para financiamentos sem juros e promoções de inverno.
A propaganda exagerada é uma preocupação da
classe médica. Moraes Prado acredita que as facilidades
“ferem de morte o código de ética” e devem ser apuradas. “A cirurgia plástica não pode ser considerada uma mercadoria barata.”
Para o presidente da SBCP, no entanto, essa prática ajudou a colocar o Brasil
no primeiro lugar do pódio.
Botox
Na soma
dos procedimentos não cirúrgicos, como a aplicação de botox, os
norte-americanos ainda lideram o ranking mundial de ações estéticas, com 3,9
milhões de intervenções, ante 2,1 milhões no Brasil. A aplicação de botox no País chegou a 308 mil casos em 2013, além
de 71 mil intervenções para eliminação de pelos e 61 mil tratamentos de
rejuvenescimento facial.
A
Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética ainda informou que o público feminino é o que mais recorreu às
operações estéticas. Em 2013, 9,9 milhões de mulheres se submeteram a
procedimentos cirúrgicos, alcançando 85%
do total. Os homens foram responsáveis por outro 1,6 milhão de cirurgias no
ano passado.
Ao
comentar a liderança brasileira, a entidade responsável pelo estudo ressaltou
que uma parte das operações realizadas no Brasil tem estrangeiros como
pacientes. Muitos deles viajam em busca da qualidade reconhecida da técnica
nacional e dos preços praticados pelas clínicas brasileiras. Na capital paulista, uma lipoaspiração, por exemplo, é negociada por cerca de R$ 6 mil.
Latinos
A
posição brasileira no ranking não chega a surpreender. São os países de cultura latina e mediterrânea os que mais registram
cirurgias plásticas no mundo. Entre os dez primeiros, sete são latinos:
Brasil, México, Colômbia, Venezuela, Argentina, Espanha e Itália. Além dos EUA,
os únicos “intrusos” no ranking são os alemães, na quarta posição. Mas com
apenas um quinto das cirurgias realizadas no Brasil em 2013.
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