"TODO MUNDO QUER LEVAR O SEU"
Sem fantasia
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Edivaldo Manoel Sevino à esquerda, Marina Silva e Eduardo Campos (Osasco) |
A
ex-senadora Marina Silva foi precisa
ao definir o que acabara de lhe contar o assessor sobre a expectativa de Edivaldo Manoel Sevino de receber
"unzinho" [um mil reais] em troca da cessão de sua casa em Osasco
(SP) para funcionar como comitê eleitoral da campanha de Eduardo Campos.
"Esse é o padrão a que as pessoas
estão acostumadas", disse a candidata a vice-presidente na
chapa do PSB, já disposta a recusar a oferta da casa que pouco antes - quando
ainda acreditava ser um gesto voluntário - a deixara "emocionada".
De
fato, Edivaldo, conhecido como "Piauí", carregador em entreposto de
mercadorias na capital de São Paulo, reagiu absolutamente dentro do modelo
cultural vigente. Na política, embora não só nela.
Indagado
por qual razão resolvera abrir a residência para funcionar como comitê ao molde
das "Casas de Marina" de 2010 (agora "Casas de Eduardo e
Marina") perguntou se poderia responder a verdade. Encorajado, foi em
frente: esperava engordar o orçamento da família.
A questão do voluntariado como ação
política não lhe passa pela cabeça. Políticos querem o voto e para isso precisam dar algo em troca.
Promessas? As pessoas estão cansadas de ouvir. Portanto, convém não perder a chance
que faturar "unzinho" quando ela aparece.
Inadmissível, como qualificou a
ex-senadora? Sem dúvida. Fora do modelo das casas-comitê, como uma
maneira de doação popular, e distante do conceito da renovação das práticas da
política que prega sua campanha? Totalmente.
Mas
quem foi mesmo que avisou aos Edivaldos que a coisa ali seria diferente? Aliás,
quem os ensinou ou deu exemplos de como seriam as novas regras? Com certeza
absoluta não foi nenhum dos candidatos à Presidência nem os partidos envolvidos
na disputa.
Ao
contrário. Tudo o que fizeram foi se jogarem num festim licencioso chamado por algumas autoridades de apelidos
vulgares que andam sendo repetidos por aí para denominar a salada indigesta de
legendas País afora, a fim de formar as
tais "alianças estratégicas".
Deram-se os braços jacarés e cobras d'água
sem o menor constrangimento em troca de minutos, às vezes segundos, no horário
eleitoral. O governo federal trocou ministro e não hesitou em
"destrocar" diretor indicado por partido (PTB) que desistiu na última
hora do apoio à presidente.
Diante
disso e dos "milhõezinhos" gastos nas campanhas eleitorais, o
"unzinho" de Edivaldo "Piauí", francamente, mostra que na
escola onde só tem catedrático ele é calouro no pré-primário.
Não
obstante a inexperiência e a falta de traquejo, nosso personagem resumiu num só
vocábulo a razão pela qual há tanta dificuldade, se não mesmo uma
impossibilidade, de se fazer uma reforma política de verdade.
Sem
querer, matou a charada: O Brasil é a República
do "unzinho". Todo mundo quer levar o seu e isso não leva o País a
nada.
Intimidação
"Eu
vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco" [Santander], disse
a presidente Dilma Rousseff durante
a sabatina conjunta da Folha de S. Paulo,
rádio Jovem Pan, portal UOL e SBT, na
própria declaração se contradizendo ao não ser clara sobre qual atitude
pretende tomar.
O jogo
é de nítida intimidação. Primeiro sobre as consultorias de análise de risco da
economia. Se cederem ao desejo do Planalto que evidentemente é que não tracem
seus cenários, mais exigências virão na tentativa de alcançar outros setores
com base na ameaça do uso da mão pesada do Estado.
Indispensável,
pois, que não se perca de vista o seguinte: não é o governo quem determina o que é proibido ou permitido. É a
Constituição do Brasil.
No artigo 5.º assegura a liberdade de
expressão e no 37.º exige da
administração pública o cumprimento da legalidade, da impessoalidade, da
transparência e da impessoalidade.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Política –
Quarta-feira, 30 de julho de 2014 – Pg. A6 – Internet: clique aqui.
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