GENÉTICA SEM LIMITES?
Grã-Bretanha se torna 1º país a legalizar bebês com
três progenitores
Agência REUTERS
Para cientistas,
técnica é capaz de prevenir doenças hereditárias, críticos temem que possa
abrir caminho para “bebês projetados”
A Grã-Bretanha vai se tornar o primeiro país a legalizar uma
técnica de fertilização in vitro com "três progenitores" e capaz de
prevenir algumas doenças hereditárias incuráveis, segundo cientistas. Críticos
temem que isso possa abrir caminho para o surgimento de "bebês projetados".
Após mais de três horas de debate, parlamentares na Câmara
Alta do Parlamento britânico votaram nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a
favor de uma mudança na legislação para permitir o uso do procedimento,
repetindo a aprovação alcançada neste mês na Câmara Baixa.
O tratamento, chamado transferência
mitocondrial, é conhecido como fertilização
in vitro com "três progenitores" porque os bebês, nascidos a partir de embriões geneticamente modificados,
carregariam o DNA de uma terceira doadora, além dos da mãe e do pai.
Embora a técnica ainda esteja em fase de pesquisa em
laboratórios na Grã-Bretanha e Estados Unidos, especialistas dizem que com a
superação dos impedimentos legais, o primeiro
bebê britânico com três progenitores pode nascer já em 2016.
A transferência mitocondrial envolve a intervenção no processo de fertilização para remover um DNA
mitocondrial defeituoso que possa vir a provocar doenças hereditárias, tais
como problemas cardíacos, deficiência hepática, cegueira e distrofia muscular.
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Uma mitocôndria em tamanho ampliado e com visão interna |
A mitocôndria age como uma pequena unidade de produção de
energia dentro das células, e cerca de 1
em cada 6.000 bebês em todo o mundo nascem com sérios distúrbios mitocondriais.
Em resposta à votação no Parlamento, o diretor da entidade
médica beneficente Wellcome Trust
elogiou os parlamentares pela “decisão refletida e compassiva”.
“As famílias que sabem o que é cuidar de uma criança com uma
doença devastadora são as pessoas melhor posicionadas para decidir se a doação
mitocondrial é a opção correta”, disse ele.
O diretor-executivo da Sociedade de Biologia britânica, Mark Downs, comemorou “um grande dia
para a ciência da Grã-Bretanha” e disse que a decisão é um marco e “vai
garantir às mães que carregam mitocôndrias defeituosas que possam ter crianças
sadias livres de condições devastadoras.”
Mas Marcy Darnovsky,
diretora do Centro de Genética e
Sociedade, um grupo de campanha contrário à medida, disse que o passo foi um “erro histórico” que vai
transformar as crianças em experimentos biológicos.
"As técnicas são relativamente rudimentares e não vão
por si só criar os chamados bebês projetados", disse ela.
“No entanto, vão
resultar em crianças com o DNA de três pessoas diferentes em cada célula de
seus corpos, o que vai impactar uma grande quantidade de características de
maneiras desconhecidas e introduzir modificações genéticas que serão
transmitidas às futuras gerações”, acrescentou Marcy.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Ciência – Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 – Pg. A20 –
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