Com o dólar mais caro, o que sobe de preço?
16 produtos que devem ficar mais caros por causa do
câmbio
Gustavo Santos
Ferreira
Cotação da moeda
americana já avançou mais de 20% nos últimos 12 meses e pode colaborar com ao
menos 1,0% de inflação
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Claudio Felisoni de Angelo - economista consultado |
Não é só quem viaja para o exterior que paga a conta da alta
do dólar. A cada vez que a moeda americana fica 10% mais cara no período de 12
meses, a inflação tende a subir 0,5% no mesmo intervalo de tempo – defendem
alguns economistas, como o professor Simão
Silber, da USP.
A conta não é tão exata assim. Trata-se de estimativa. Mas
vejamos: o dólar ficou mais de 20% mais caro nos últimos 12 meses. Se levarmos
essa regrinha à risca, portanto, podemos dizer que perto 1,0% dentro dos 7,36%
da atual inflação anual é creditado à esticada de preços da moeda americana.
A pedido do blog, o economista Claudio Felisoni de Angelo, da Fundação
Instituto de Administração (FIA) e presidente do Programa de Administração de Varejo (Provar), pesquisou por quais
produtos essa alta de preços via dólar se alastra.
A relação de Felisoni
impressiona. Passa por de mais de 100
itens. Inclui desde bens consumidos no dia a dia pela maioria de nós até
componentes químicos da indústria. Desta
seleção, separamos 16 itens pelos quais o dólar influencia a inflação.
Abaixo, você pode ver quais são eles e a alta de seus preços medida em 12 meses
pelo IPCA-15 de janeiro.
Veja aí:
1.
Peixes (pescados
ficaram 7,62% mais caros em 12 meses)
2.
Frutas secas (de um
modo geral, as frutas ficaram 7,21% mais caras; o IBGE não faz distinção entre
as frutas secas ou frescas, talvez pelo fato de as frutas secas não serem
exatamente unanimidade à mesa)
3.
Frutas frescas
(idem)
4.
Leite em pó com menos de 1,5% de gordura (o produto, light ou não, sofreu alta de 6,68%)
5.
Trigo (o preço do
pão francês avançou 5,38% no período)
6.
Batatas preparadas ou conservadas, não congeladas (não engasgue: elevação anual média
de 31,01% – mas vale destacar o peso dos problemas climáticos neste item)
7.
Misturas de sucos não fermentados
(sucos ficaram 6,32% mais caros)
8.
Ketchup e outros molhos de tomate, em embalagens menor que 1kg (o IBGE não pesquisa preços nem de
ketchup nem de molhos de tomate – algo absurdo, dado a costumeira instabilidade
do preço do tomate, que força as pessoas a recorrem a molhos para fugir da alta
de seus preços)
9.
Gomas de mascar sem açúcar
(outro produto, embora não essencial, muito consumido e não pesquisado pelo
instituto)
10.
Produtos de beleza
(artigos para pele subiram 4,65% em 12 meses; perfumes, 6,67%)
11.
Xampus para os cabelos
(elevação de 5,13%)
12.
Pasta de dente e outros produtos de higiene bucal (outra falha do IBGE, que não afere
o preço dos produtos em específico; mas a alta média dos artigos de higiene
pessoal foi de 6,13%)
13.
Lâminas, loção e espuma de barbear
(ficaram 7,81% mais caros)
14.
Desodorantes (alta
significativa em 12 meses, de 8,86% – mas que não abre precedente para ninguém
sair por aí liberando odores desagradáveis, sobretudo, no ônibus ou no metrô
lotados)
15. Detergentes (10,35% de alta, o que faz o autor
deste blog cultivar ainda mais o seu ódio inabalável por lavar louças – embora
faça do ato de sujá-la quase uma arte)
16.
Algodão (mais uma
falha de difícil compreensão do IBGE, que ignora o produto, de consumo
considerável, em sua pesquisa de inflação)
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Blogs / De olho nos preços – Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 – Publicado
às 09h53 – Internet: clique aqui.
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