EMERGÊNCIA INDÚSTRIA BRASILEIRA!
Perto do desastre
Celso Ming
Já se sabia que tinha
sido ruim. Foi pior.
Se não foi um
desastre, o desempenho da indústria em 2014 ficou muito perto disso
Em dezembro, a produção do setor caiu 2,8% em relação à de
novembro, que já tinha sido de queda. Em
todo o ano, recuou 3,2%. (Veja o
gráfico abaixo.) O resultado deve derrubar ainda mais o PIB [Produto
Interno Bruto] do quarto trimestre de 2014, a ser divulgado dia 27 de março.
Este ano de 2015 começa com embalo negativo (carry over) de 4,1%, num quadro de muita
força contrária, como adiante se verá. As projeções do mercado para a produção
industrial, tal como levantadas semanalmente pelo Banco Central por meio da
Pesquisa Focus, parecem otimistas demais: avanço, neste ano, de 0,5%.
Esse desempenho
lamentável é consequência do desastre maior, que foi a política econômica (e
industrial) do governo anterior.
·
Não serviu para muita coisa a tal desoneração tributária que, só em 2014,
levou mais de R$ 100 bilhões do Tesouro.
·
Não adiantaram os quase R$ 400 bilhões em créditos a juros favorecidos do BNDES para os
amigos e futuros campeões.
·
Não adiantou a política de reserva de mercado, a título de obrigatoriedade de conteúdo nacional, aos fornecedores da
Petrobrás.
·
Também não ajudaram as reduções tributárias na venda de veículos, de aparelhos domésticos e de
materiais de construção.
Por trás de tudo está o que a presidente Dilma já vem
reclamando: a baixa competitividade do
setor. Falta reconhecer que essa situação é consequência da política
experimentalista equivocada adotada nos anos anteriores, a mesma que criou
demanda interna sem contrapartida no aumento da oferta. Essa demanda interna foi entregue de mão beijada para a indústria do
exterior, que supriu o mercado interno por incapacidade competitiva da
indústria nacional.
O principal equívoco do primeiro período Dilma foi achar que
poderia resgatar a indústria com uma política à base de puxadinhos, sem cuidar,
primeiro, dos fundamentos da economia. É a principal razão pela qual também não adianta criar programas de
reequipamento e modernização industrial, como pleiteia a Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), sem antes afastar as incertezas
que estão aí. As contas públicas estão em frangalhos e o risco de que os
títulos do Brasil sejam rebaixados ao grau especulativo continua alto.
Como o empresário vai investir se não sabe se vai ter
energia elétrica e água tratada para tocar seu negócio? O investimento em
serviços públicos também corre risco na medida em que a Operação Lava Jato
poderá manter alijadas do mercado as principais empreiteiras do País. Se o governo não sabe como tratar os rombos
da Petrobrás, como evitará o desmonte de milhares de fornecedores?
Afora isso, é inevitável que o ajuste das contas públicas provoque
certa retração da demanda. E as próprias condições do crédito já não favorecem
a expansão do consumo. Ainda ontem, o banqueiro Roberto Setubal (Grupo Itaú) avisou que o estatuto da reserva de
domínio já não é garantia suficiente para financiamentos destinados à compra de
veículos, dada a forte queda de preços do produto, mesmo com pouco tempo de
uso.
Dias mais difíceis virão.
CONFIRA:
O desempenho do setor
industrial de bens de capital (máquinas e equipamentos) é ainda mais
preocupante do que o do resto da indústria porque reflete a baixa disposição de
investir.
Mola
No fundo do poço tem mola, como dizem por aí. Foi o que
aconteceu nesta terça-feira com as cotações das ações da Petrobrás. Alta de
15,47% das preferenciais e de 14,24% das ordinárias. O esticão aconteceu apesar
do rebaixamento dos títulos pela Fitch, agência de classificação de risco.
Reflete a expectativa de que o governo vai trocar a diretoria da empresa.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Economia – Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 – Pg. B2 –
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