2º Domingo da Quaresma – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 9,2-10
3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.
4 Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.
5 Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
6 Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo.
7 Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!”.
8 E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto,
até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos.
10 Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.
Naquele tempo:
2 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e
João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E
transfigurou-se diante deles.3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.
4 Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.
5 Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
6 Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo.
7 Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!”.
8 E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto,
até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos.
10 Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
NÃO
CONFUNDIR NINGUÉM COM JESUS
Segundo o evangelista, Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João, leva-os
separadamente a uma montanha, e ali “transfigura-se
diante deles”. São os três discípulos que, ao que parece, oferecem maior
resistência a Jesus quando lhes fala de seu destino doloroso de crucifixão.
Pedro tentou, inclusive, tirar-lhe da cabeça essas ideias
absurdas. Os irmãos Tiago e João andam pedindo-lhe os primeiros postos no reino
do Messias. Diante deles, justamente, Jesus se transfigurará. Necessitam disso
mais do que ninguém.
A cena, recheada com diversos recursos simbólicos, é
grandiosa. Jesus se lhes apresenta “revestido” da glória do próprio Deus. Ao
mesmo tempo, Elias e Moisés, que segundo a tradição, foram arrancados da morte
e vivem junto de Deus, aparecem conversando com ele. Tudo
convida a intuir a condição divina de Jesus, crucificado pelos seus
adversários, porém ressuscitado por Deus.
Pedro reage com toda espontaneidade: “Senhor, é bom estarmos aqui! Se
queres, farei três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
Não entendeu nada. De um lado, coloca Jesus no mesmo plano e ao mesmo nível que
Elias e Moisés: a cada um sua tenda. De outro lado, segue resistindo à dureza
do caminho de Jesus; deseja retê-lo na glória do monte Tabor, longe da paixão e
da cruz do monte Calvário.
Deus, mesmo, o corrigirá de modo solene: “Este
é meu Filho amado”. Não se deve confundi-l0 com ninguém. “Escutai
o que ele diz”, inclusive quando lhes fala de um caminho de cruz, que
termina em ressurreição.
Somente Jesus irradia
luz. Todos os demais, profetas e mestres, teólogos e autoridades, doutores
e pregadores, temos o rosto apagado. Não podemos confundir ninguém com Jesus.
Somente ele é o Filho amado. Sua Palavra
é a única que temos de escutar. As demais vozes nos devem conduzir a ele.
E temos de escutar sua Palavra também hoje, quando nos fala
de “carregar a cruz” destes tempos.
O sucesso prejudica os cristãos. Levou-nos, inclusive, a pensar que fosse
possível uma Igreja fiel a Jesus e a seu projeto do reino, sem conflitos, sem
rejeição e sem cruz. Hoje nos são
oferecidas mais possibilidades de vivermos como cristãos “crucificados”.
Isso nos fará bem. Ajudar-nos-á a recuperar nossa identidade cristã.
NOVA IDENTIDADE
Para ser cristão, o
importante não é em que coisas crê uma pessoa, mas que relação vive com Jesus.
As crenças, no geral, não mudam nossa vida. Alguém pode crer que exista Deus,
que Jesus ressuscitou e muitas outras coisas, porém não ser um bom cristão. É a adesão a Jesus e o contato com ele que
nos pode transformar.
Nas fontes cristãs se pode ler uma cena que,
tradicionalmente, veio a se chamar de “transfiguração”
de Jesus. Não é mais possível hoje reconstruir a experiência histórica que deu
origem ao relato. Somente sabemos que era um texto muito querido entre os
primeiros cristãos, pois, entre outras coisas, animava-os a crer somente em
Jesus.
A cena se situa poeticamente numa “alta montanha”. Jesus está acompanhado de dois personagens lendários
na história judaica: Moisés,
representante da Lei, e Elias, o
profeta mais querida na Galileia. Somente Jesus aparece com o rosto
transfigurado. Do interior de uma nuvem se escuta uma voz: “Este é meu Filho querido.
Escutai o que ele diz”.
O importante não é crer em Moisés nem em Elias, mas escutar
Jesus e ouvir sua voz, a do Filho amado. O
decisivo não é crer na tradição nem nas instituições, mas centrar nossa vida em
Jesus. Viver uma relação consciente e cada vez mais vital e profunda com
Jesus Cristo. Somente, então, pode-se escutar sua voz em meio à vida, na
tradição cristã e na Igreja.
Somente esta comunhão crescente com Jesus vai transformando
nossa identidade e nossos critérios, vai mudando nossa maneira de ver a vida, vai
nos libertando das imposições da cultura, vai fazendo crescer nossa
responsabilidade.
A partir de Jesus podemos viver de maneira diferente. Assim
sendo, as pessoas não são simplesmente atraentes ou desagradáveis,
interessantes ou sem interesse. Os problemas não são uma questão de cada um. O
mundo não é visto como um campo de batalha onde cada um se defende como pode. Começa
a nos doer o sofrimento dos mais indefesos. Podemos viver, cada dia, fazendo um
mundo mais humano. Podemos nos parecer com Jesus.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: Sopelako San
Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B (Homilías) –
Internet: clique aqui.
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