Só 12% dos pais seguem filhos na escola

RAÍSSA PEDROSA

Pesquisa do Ibope mostrou que minoria dos pais ajuda no dever de casa ou monitora as faltas
Mesmo com rotinas agitadas, o técnico em mecânica Bruno de Paula Gomes, 30, e sua mulher, a empresária Ludmila Estêvam, 29, conseguem um tempo para se dedicar à educação do pequeno Yuri Estêvam, 11 anos, que está na quinta série do ensino fundamental. Apesar disso, o casal integra uma minoria, já que apenas 12% dos pais se empenham na vida escolar dos filhos.

O dado foi apontado na pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), divulgada no fim do ano passado, e encomendada pela ONG Todos pela Educação. O estudo ainda mostrou que 19% dos pais se mantêm totalmente distantes desse universo. Os 69% restantes se dedicam nos mais variados níveis. Para especialistas, o diagnóstico é um desafio a ser vencido neste ano letivo, que começou ontem na rede particular e se inicia hoje nas escolas públicas do Estado.

A pesquisa contou com 2.000 entrevistados de todo o país e considerou comprometidos aqueles [pais] que:

·        acompanham toda a rotina dos filhos,
·        incluindo os deveres de casa e
·        a frequência na escola, e que
·        participam de atividades como reuniões e eventos.

Foram consideradas famílias com alunos no ensino básico das redes pública e privada. De acordo com a psicopedagoga Daniela Madureira, com pais presentes, o aluno tem um melhor desempenho escolar.

A criança precisa perceber que suas tarefas são significativas para sua família, para que sejam significativas para si própria, explicou, ressaltando que a falta de assistência dos pais refletirá em problemas de relacionamento.

Para Gomes, a tarefa mais difícil é ir a reuniões de pais. “Geralmente acontecem durante a semana. Eu ou minha mulher temos que faltar ao serviço”. Os dois ainda têm uma menina de 3 anos e outro menino de 1 ano. Os pais dizem que o tempo com Yuri é pouco, mas o suficiente para ele entender a importância de fazer o dever de casa.

Qualidade

O gerente de conteúdo da Todos pela Educação, Ricardo Falzetta, afirma que a criança tem que sentir a importância do estudo. “O relacionamento deve ter qualidade, não quantidade. Não importa quanto tempo o pai se dedica à educação dos filhos, importa se ele está presente na educação dele. O pai pode ser analfabeto, mas preocupar-se com a educação dos filhos já é um incentivo”.

Fonte: O Tempo (jornal) – Cidades/Educação – Publicado em 03/02/2015 às 04h00 – Internet: clique aqui.

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