1º Domingo da Quaresma – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 1,12-15
13 E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e ali foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”.
Naquele tempo:
12 O Espírito levou Jesus para o
deserto.13 E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e ali foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
15 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
EMPURRADOS
PARA O DESERTO
Marcos apresenta a cena de Jesus no deserto como um resumo
de sua vida. Destaco algumas pistas. Segundo o evangelista, “o
Espírito empurra Jesus para o deserto”. Não é uma iniciativa sua. É o
Espírito de Deus que o desloca até coloca-lo no deserto: a vida de Jesus não
será um caminho de sucesso fácil; mas o aguardam provações, insegurança e
ameaças.
Porém, o “deserto”
é, ao mesmo tempo, o melhor lugar para
escutar, em silêncio e solidão, a voz de Deus. O lugar ao qual se deve
voltar, em tempos de crise, para abrir
caminhos ao Senhor no coração do povo. Assim se pensava na época de Jesus.
No deserto, Jesus “é tentado por Satanás”. Nada se diz
do conteúdo das tentações. Somente, que elas provêm de “Satanás”, o Adversário
que busca a ruína do ser humano destruindo o plano de Deus. Ele não voltará
mais a aparecer em todo o evangelho de Marcos. Jesus o vê atuando em todos
aqueles que desejam desviá-lo de sua missão, incluindo Pedro.
O breve relato termina com duas imagens em forte contraste:
Jesus “vive entre as feras”, porém “os anjos o servem”. As “feras”, os seres mais violentos da
criação, evocam os perigos que ameaçam sempre a Jesus e seu projeto. Os “anjos”, os seres melhores da criação,
evocam a proximidade de Deus que abençoa, cuida e defenda Jesus e sua missão.
O cristianismo está vivendo momentos difíceis. De acordo com
os estudos sociológicos, nós falamos de crise, secularização, rejeição por
parte do mundo moderno... Porém, talvez, a partir de uma leitura de fé, temos
de dizer algo mais:
·
Não será Deus que nos está empurrando para este “deserto”?
·
Não necessitávamos de algo assim para
libertar-nos de tanta vanglória, poder mundano, vaidade e falsos êxitos
acumulados inconscientemente durante tantos séculos?
Jamais nós teríamos escolhidos esses caminhos!
Esta experiência de
deserto, que irá crescer nos próximos anos, é um tempo inesperado de graça e
purificação que temos de agradecer a Deus. Ele seguirá cuidando de seu
projeto. Somente nos pede para rejeitar, com lucidez, as tentações que nos
podem desviar, mais uma vez, da conversão a Jesus Cristo.
CONVERTER-SE FAZ BEM
O chamado à conversão evoca em nós, quase sempre, a
recordação do esforço exigente e o rasgão próprio de todo trabalho de renovação
e purificação. No entanto, as palavras de Jesus: “Convertei-vos e crede na Boa
Notícia”, nos convidam a descobrir a conversão como um passo em direção
a uma vida mais plena e gratificante.
O evangelho de Jesus nos vem dizer algo que nunca devemos
esquecer: “É bom converter-se, nos faz bem. Permite-nos experimentar um modo
novo de viver, mais sadio, mais alegre”. Alguém se perguntará: Porém, como
viver essa experiência? Que passos devemos dar?
A primeira coisa é
parar. Não ter medo de ficarmos sozinhos conosco mesmos para fazermos as
perguntas importantes da vida: Quem sou eu? O que estou fazendo com a minha
vida? É isto a única coisa que quero viver?
Este encontro comigo mesmo exige sinceridade. O importante é
não seguir enganando-se a si mesmo por mais tempo. Buscar a verdade do que
estamos vivendo. Não se esforçar em
ocultar o que somos e em parecer o que não somos.
É provável que experimentemos, então, o vazio e a
mediocridade. Aparecem, diante de nós, atuações e posturas que estão arruinando
nossa vida. Não é isso o que havíamos desejado. No fundo, queremos viver algo
melhor e mais alegre.
Descobrir como estamos prejudicando nossa vida não tem
porque afundarmos no pessimismo ou no desespero. Esta consciência do pecado é
saudável. Dignifica-nos e nos ajuda a recuperar a autoestima pessoal. Não é mau
e ruim em nós. Dentro de cada um está sempre operando uma força que nos atrai e
empurra para o bem, o amor e a bondade.
A conversão
exigirá de nós, sem dúvida, introduzir mudanças concretas em nossa maneira de
atuar. Porém, a conversão não
consiste nessas mudanças. Ela, mesma, é
a mudança. Converter-se é mudar o coração, adotar uma postura nova na vida,
tomar uma direção mais sadia.
Todos aqueles que creem e não creem podem dar os passos até
aqui evocados. A sorte do crente é poder viver esta experiência, abrindo-se
confiantemente a Deus. Um Deus que se
interessa por mim mais que eu mesmo, para resolver não os meus problemas,
mas “o problema”, essa vida minha
medíocre e fracassada que parece não ter solução. Um Deus que me entende, me
espera, me perdoa e quer ver-me viver de maneira mais plena, alegre e
gratificante.
Por isso, aquele que crê vive sua conversão invocando Deus
com as palavras do salmista: “Tem
misericórdia de mim, ó Deus segundo a tua bondade. Lava-me completamente de
minha culpa, limpa meu pecado. Cria em mim um coração puro. Renova-me por
dentro. Devolve-me a alegria de tua salvação” (Salmo 50).
A Quaresma pode ser um tempo decisivo para iniciar uma vida
nova.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: Sopelako San
Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B
(Homilías) – Internet: clique aqui.
Comentários
Postar um comentário