CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015: "A Igreja deve ser atuante e sem medo"
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Dom Leonardo Ulrich Steiner - Bispo-Auxiliar de Brasília (DF) e Secretário-Geral da CNBB Abrindo a Campanha da Fraternidade 2015 na sede da CNBB |
“Por ser Igreja, todo batizado é povo de Deus, está ali no
meio da sociedade, no meio de todas as pessoas, ajudando na transformação,
pessoas que levam os valores do Evangelho, levam os valores do Reino",
disse o bispo auxiliar de Brasília e
secretário geral da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), dom
Leonardo Steiner, durante a abertura da Campanha da Fraternidade 2015 [CF
2015], ocorrida hoje, 18 de fevereiro, na sede da instituição, em
Brasília. Na ocasião, foi lida a
mensagem do papa Francisco à Igreja no Brasil por ocasião da CF 2015 e da
Quaresma [pode ser lida abaixo].
Francisco faz uma reflexão sobre o tema da Campanha, “Fraternidade: Igreja e sociedade”, e o lema, “Eu vim para servir".
Em sua fala, dom Leonardo Steiner recordou que a CF 2015 resgata
dois importantes documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, encerrado há 50
anos: a Constituição Dogmática Lumen
Gentium e a Constituição Pastoral Gaudium
et Spes.
Outro aspecto ressaltado por dom Leonardo a respeito dos
objetivos da CF 2015 é a postura da
Igreja e dos cristãos na sociedade como “presença viva de Jesus”. Ele
desejou que a iniciativa da CNBB ajude o povo
brasileiro a ser uma “Igreja atuante e sem medo, que dá o rosto, dá os valores,
o que tem de melhor”.
O secretário geral da CNBB pediu, ainda, aos cristãos
"atuantes e desejosos de transformação" para se engajarem na Campanha pela Reforma Política e
Democrática. Informou que alguns bispos assumiram como ação concreta da CF
2015 o recolhimento de assinaturas para
o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática e
Eleições Limpas.
[ . . . ]
Com desejos de uma campanha
“frutífera, profética e de muito anúncio e promoção do diálogo e da Paz”, a
secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Bencke, afirmou que a
temática proposta desafia as igrejas a adotarem uma “ética global de
responsabilidades” que fortaleça os direitos dos povos, privilegie a
solidariedade internacional e supere os egoísmos confessionais e nacionais.
“Liberdade, direito, razão e dignidade humana fazem parte do nosso papel
missionário e o tema deste ano nos ajuda a refletir sobre esse nosso papel
enquanto igrejas e religiões”, disse.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), Marcus Vinícios Furtado
Coelho, destacou o refrão do hino da CF 2015. “A luta por dignidade, por justiça e por igualdade é o elo que deve nos
unir”, disse. Para ele a igualdade não se dá apenas no tratamento
formalmente igualitário de todos perante a lei, “mas por uma igualdade
concreta, que se visualiza na proteção do mais necessitado, no acolhimento do
mais pobre, que são medidas necessárias e urgentes para que possamos ter uma
igualdade real, uma igualdade de fato”.
O advogado também falou sobre a iniciativa pela Reforma Política Democrática. “Esta
coalizão, integrada por quase 100 entidades da sociedade, parte do pressuposto
de que a reforma política passa, necessariamente, por mudanças nas regras eleitorais, sobretudo no tocante ao seu
financiamento, por melhoria na representação do povo nos postos políticos, pelo
fortalecimento da democracia
participativa, por meio dos preceitos constitucionais do plebiscito,
referendo e projeto de lei de iniciativa popular”, informou.
Clique aqui para ir à página da CNBB onde se pode baixar
vários e interessantes materiais da Campanha da Fraternidade 2015.
Confira!
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Cartaz da Campanha da Fraternidade 2015 |
Mensagem
do papa
Em mensagem enviada à Igreja no Brasil, o papa Francisco
recordou a Constituição Lumen Gentium
e afirmou que a Igreja, enquanto « “comunidade
congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da
salvação e princípio da unidade”, não pode ser indiferente às necessidades daqueles
que estão ao seu redor».
Num recorte da Gaudium
et Spes, salientou que “as alegrias
e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos
pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as
tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.
No período da Quaresma, o papa Francisco propôs um exame de
consciência para que, a partir de sua Doutrina Social, a Igreja realize suas
tarefas prioritárias “que contribuem para a dignificação do ser humano e a
trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser
humano”. Francisco também destacou a necessidade do envolvimento de todos os
cristãos. “É preciso ajudar aqueles que
são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que cada cristão e cada comunidade
são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos
pobres, para que possam integra-se plenamente na sociedade, isto supõe estar
atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-los”, escreveu.
Leia, abaixo, a Mensagem do Papa Francisco por ocasião
da Campanha da Fraternidade 2015:
Queridos
irmãos e irmãs do Brasil!
Aproxima-se
a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa: tempo de penitência, oração e
caridade, tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus através da
sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d’Ele “O
Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em
resgate por muitos” (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha
“Fraternidade: Igreja e Sociedade”.
De fato a
Igreja, enquanto “comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu
olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade” (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser
indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, “as alegrias
e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos
pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as
tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante
os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da
Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a
colaboração entre a Igreja e a Sociedade – propostos pelo Concílio Ecumênico
Vaticano II – como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida
do povo brasileiro.
A
contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cf. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das
realidades terrenas (cf. Idem, 36),
encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer “assumir
evangelicamente e a partir da perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que
contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais
cidadãos e instituições para o bem do ser humano” (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das
instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu
trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é
preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que
“cada cristão e cada comunidade são chamados a serem instrumentos de Deus ao
serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se
plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor
do pobre e socorrê-lo” (Exort. Apost. Evangelii
gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, “porque quando somos generosos
acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar
na nossa casa, o nosso tempo – não ficamos mais pobres, mas enriquecemos” (Papa
Francisco, Discurso na Comunidade de
Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso
concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa,
fraterna e pacífica.
Queridos
irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), nos
ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço
votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da
Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece,
e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em
sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração
sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela
intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção
Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.
Vaticano, 2
de fevereiro de 2015.
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