15 RESPOSTAS FUNDAMENTAIS SOBRE A CRISE DE ÁGUA E ENERGIA
Um miniguia para enfrentar a falta de água e luz que
começou na Região Sudeste e já se espalha pelo país
1 - A água acabará de vez?
Não, mas está mais escassa. Há três motivos fundamentais. O
primeiro é climático, pois desde o ano passado chove 40% abaixo do esperado. Em
segundo lugar, a grande concentração de pessoas em metrópoles como São Paulo e
Rio de Janeiro faz com que, proporcionalmente, o volume de água disponível para
cada uma delas seja semelhante ao de populações do sertão nordestino. Por fim,
houve demora das autoridades em revelar a crise, e com isso a população não se
preocupou em reduzir o consumo.
2 - A situação é irreversível?
A curto prazo, sim. Em um cenário otimista, o nível dos
reservatórios paulistas e fluminenses só voltará ao normal em dois anos, desde
que a chuva siga no ritmo atual e o consumo não cresça. Fazer chover, por
óbvio, é impossível — mas controlar o consumo é muito plausível.
3 - A atual escassez poderia ter sido evitada?
Em termos. Há pelo menos dez anos os especialistas já
intuíam que as mudanças climáticas levariam à falta de água no Brasil, mas não
havia como prever a secura fora da linha histórica. Poderiam ter sido tomadas,
sim, medidas como o controle do
vazamento em tubulações, a vigilância
contra os chamados "gatos", para evitar perdas comerciais, e o incentivo ao reúso de água de esgoto,
além de campanhas de adoção de hábitos sustentáveis.
4 - A conta de água vai aumentar?
Ainda não, embora técnicos em infraestrutura defendam um
reajuste proporcional ao consumo como forma de forçar a economia de água e
governos, como o de São Paulo, estudem a medida (no estado paulista, começaria
a partir de abril). Mas descontos para quem economizar e multas para quem
elevar o gasto de água já são aplicados em São Paulo e logo mais serão também
em Minas Gerais.
5 - Como conseguir água durante os cortes de abastecimento, já
admitidos pela Sabesp, em São Paulo?
Se a caixa-d'água não der conta de manter o abastecimento
durante o corte, a opção mais segura é contratar caminhões-pipa. O preço, no
entanto, aumentou. Um caminhão de 15 000 litros passou a custar em torno de
1200 reais, 50% a mais do que antes da crise. Para beber, a melhor alternativa é comprar galões de água mineral,
que também tiveram o preço elevado em 15% no último ano.
6 - Furar poços artesianos é uma opção viável?
Depende. Estima-se que já existam 12 000 poços apenas na
Grande São Paulo, a maioria deles clandestina. Para fazer diferença no
abastecimento, seria preciso dobrar esse número, mas não há empresas de
perfuração do solo credenciadas em quantidade suficiente para o trabalho.
Tampouco é possível fiscalizar com eficácia a qualidade da água que será
extraída. Regiões com postos de combustível, por exemplo, não podem ter poços,
porque as substâncias químicas contaminam o solo. O mesmo vale para lugares
perto de lixões e áreas em que o esgoto é despejado irregularmente. Ou seja, só
adote essa tática se contratar especialistas técnicos para implementá-la.
7 - Escolas, shoppings, hospitais, restaurantes e lojas vão fechar?
Talvez temporariamente. Escolas e hospitais têm prioridade
no fornecimento de caminhões-pipa, mas, se chegarem a ponto de não poder manter
banheiros funcionando, a orientação é que fechem as portas. O mesmo vale para o
comércio, como os shoppings.
8 - Se parte da população sair das cidades afetadas, o problema
será contornado?
Não. Na Grande São Paulo, por exemplo, vivem 20 milhões de
pessoas. Para haver uma migração que faça diferença no sistema, seria preciso
um improvável êxodo de milhões de pessoas, deixando para trás a casa e o
emprego. Isso é ficção.
9 - Até quando será preciso manter o consumo reduzido?
Pelo menos até a temporada de chuvas do segundo semestre
deste ano, que tem início no fim de setembro. No entanto, se as médias de
precipitação [chuvas] novamente ficarem abaixo das marcas históricas, como
ocorre há dois anos, a crise poderá se estender.
10- A água do volume morto é potável?
Depois de tratada, sim. Toda água que chega às torneiras tem
a qualidade exigida para o consumo. Uma associação de consumidores testou sua
potabilidade, e a aprovou. Mas é normal que ela chegue com aparência e cheiro
um pouco diferentes, pois, na origem, está dentro do solo, e a diminuição da
vazão em reservatórios faz com que ela fique um pouco esbranquiçada logo depois
que a pressão é aumentada novamente.
11-
Quando a oferta de água será normalizada?
Dois anos é o prazo mínimo para que o sistema se recupere.
Isso se forem mantidas as atuais condições de consumo e de chuvas, e se o
governo adotar esperadas medidas de reestruturação do abastecimento. No
entanto, como a população urbana só tende a aumentar e a demanda por bens e
serviços também, o recomendado é adotar os padrões sustentáveis de consumo de
forma definitiva para evitar crises futuras.
12 - Por que, se não há água, é grande o risco de ocorrer um apagão
de luz?
Três quartos da geração de energia no Brasil são garantidos
por hidrelétricas, que dependem de água para funcionar. Se falta chuva para
abastecer as usinas, não se pode confiar na capacidade delas para continuar com
a produção. Neste verão, o aumento do uso de energia já sobrecarregou as usinas
e foi necessário cortar o fornecimento por um período.
13 - Então, além de água, ficaremos sem luz?
Não necessariamente. Para restringir o uso de hidrelétricas,
no ano passado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu aumentar a
capacidade de geração das termelétricas, que custam mais caro. E soluções
emergenciais, como a importação de energia de países vizinhos, já são aplicadas. Mas o consumidor sentirá no bolso o
efeito dessa substituição: a conta de luz chegará mais cara quando as termelétricas
forem ativadas com mais intensidade e a importação começar para valer.
14 - Como reverter a situação?
É preciso chover, antes de mais nada. Os dois subsistemas
com maior capacidade de geração de energia hidrelétrica — o
Sudeste/Centro-Oeste e o Nordeste — estão operando com menos de 20% de seu
potencial, o que só melhorará quando o nível de água armazenada nos
reservatórios subir.
15 - Como economizar?
Não se pode culpar a população pela crise, um efeito da
combinação de imprevisíveis mudanças climáticas com ingerência governamental.
Mas, agora que a seca está estabelecida e apagões energéticos podem ocorrer a
qualquer momento, cada cidadão pode
fazer sua parte para aliviar a situação. De modo geral, a regra é prestar atenção em hábitos
diários e reduzir o consumo ao máximo.
Algumas dicas para economizar
água...
·
tome banhos de no máximo cinco minutos
·
feche a torneira enquanto escova os dentes, faz
a barba e lava a louça
·
não
deixe o chuveiro ligado enquanto se ensaboa
·
reaproveite a água, utilizando baldes para reciclar o que é gasto em máquinas de lavar e para armazenar a água fria da ducha enquanto
espera que ela esquente
·
não
lave carros, calçadas, pátios nem regue jardins que possam
captar água das chuvas
·
se for dono de um comércio ou empresa, é
possível adotar ações como trocar os copos de vidro
pelos de plástico
·
no trabalho, estimule colegas a aderir às mesmas
atitudes sustentáveis (e lembre que é preciso economizar também no escritório)
...e luz
·
não
deixe luzes acesas sem necessidade, como quando não há pessoas
em um cômodo
·
desligue aparelhos, mesmo televisores e
computadores, quando não estiverem sendo utilizados
·
reduza o uso do ar-condicionado em casa e, se
possível, no trabalho
·
aproveite a luz solar durante o dia: em vez de
utilizar lâmpadas, abra
janelas para ganhar iluminação
·
troque as lâmpadas quentes pelas frias, mais econômicas
·
opte pela compra de eletrodomésticos que gastem menos energia
RESUMINDO...
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Fonte: Revista VEJA – Especial – Edição 2410 – Ano 48 – nº 4 – 28 de janeiro de 2015 – Pgs. 76-78. Edição impressa.
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