TRÊS EXEMPLOS DE COMO SE FAZ POLÍTICA NESTE PAÍS!
Educação: não falta dinheiro, mas boa gestão e ética!
Ruy Martins
Altenfelder Silva*
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Ruy Martins Altenfelder Silva |
Visto como mais um passo para o reequilíbrio das contas
públicas, o recém-anunciado contingenciamento nos gastos federais atingiu
fortemente o Ministério da Educação (MEC), dono do maior orçamento entre as 39
pastas que compõem a administração Dilma Rousseff. O MEC deverá amargar uma perda de R$ 587 milhões por mês em despesas de
custeio, ao menos até a aprovação da proposta do Orçamento Geral da União,
que saiu do Palácio do Planalto somando R$ 2,86 trilhões (R$ 1,1 trilhão,
excluídos os encargos da dívida pública) e está empacada no Congresso Nacional.
Só após sua aprovação, prevista para o final de fevereiro, o governo federal
definirá dos cortes que pretende fazer para atingir a meta de poupar R$ 66,3
bilhões a título de superávit primário.
[. . .]Um caso, pinçado na área da educação, vale como exemplo. A Controladoria-Geral da União (CGU) debruçou-se sobre os demonstrativos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que despeja uma generosa chuva de recursos na rede pública de ensino para cobrir despesas como transporte e merenda de alunos, compra de equipamentos e pagamento de professores. Duas conclusões causaram indignação.
A primeira: em 73%
dos 180 municípios investigados ocorreram sérias irregularidades e há Estados que nem sequer atingiram os
patamares médios de qualidade, até com registro de retrocessos, caso do
Pará e do Piauí. Os ralos sãos os mesmos velhos conhecidos dos brasileiros: fraudes nas licitações, desvios para financiamento de campanhas
eleitorais, notas fiscais frias
e outras maracutaias.
A segunda conclusão: entre
2007 e 2013 o total dos repasses do Fundeb quase duplicou, saltando de R$ 67
bilhões para R$ 116 bilhões. Como o número de alunos não cresceu tanto e a
qualidade do ensino sobe em marcha lentíssima, não é descabido supor que
dinheiro não seja o único - talvez nem o grande - problema da educação (e
certamente nem de muitos outros campos), mas o nó está na falta de fiscalização
eficaz, de gestão competente e de ética no trato da coisa pública. [. . .]
*
Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do conselho diretor do Centro de
Integração Empresa-Escola (CIEE) Nacional e da Academia Paulista de Letras
Jurídicas.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Espaço aberto – Sábado, 17 de janeiro de 2015 – Pg. A2 – Internet:
clique aqui.
Creches - o fato e a versão
Editorial
O compromisso mais forte com a versão - apresentada em cores
favoráveis para impressionar a plateia - do que com a dura realidade dos fatos
tem sido uma característica do governo Fernando
Haddad [Prefeito de São Paulo, capital]. Um exemplo é o carnaval feito em
torno das faixas exclusivas para ônibus e das ciclovias que se multiplicam
rapidamente, mas cujos resultados ficam muito distantes das promessas. No caso
das creches, que agora veio à tona, a atual administração ultrapassou os
limites dessa mágica, de tal forma que a tosca manipulação de dados não
consegue convencer nem seus partidários que estariam dispostos a se deixar
iludir.
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Fernando Haddad - Prefeito Municipal de São Paulo (SP) |
Incapaz de cumprir
sua ambiciosa promessa nessa área - de 150 mil novas vagas -, a Prefeitura
resolveu maquiar os números relativos às que foram efetivamente criadas na rede
de educação infantil - creches e pré-escola. Em seu site de acompanhamento
de metas, informa a criação de 40,9 mil vagas nos dois anos do atual governo,
mas na verdade São Paulo ganhou apenas 33,5 mil novas matrículas, como se
constata por meio de dados extraídos de relatórios da Secretaria Municipal da
Educação.
E tem mais. A Prefeitura afirma que cumpriu 44% da meta de
150 mil vagas, o que não corresponderia à verdade mesmo que fosse correto o
número de 40,9 mil. Para isso, teriam de ter sido criadas 66 mil vagas. O
número verdadeiro, 33,5 mil, corresponde a 22%. A distância entre o fato e a
versão é, portanto, considerável. A rigor, mesmo que ela fosse pequena, seria
inaceitável por uma questão de princípio, pois não se pode apresentar aos contribuintes, que pagam as contas, uma
versão maquiada - para dizer o mínimo - da realidade.
Para chegar a esse
resultado cor-de-rosa e vendê-lo como real, o que fez o governo Haddad?
O tamanho da rede de educação infantil e a sua expansão
sempre foram calculados pelo número de matrículas, de crianças efetivamente
atendidas. Para inflar os números, a Prefeitura mudou a fórmula. Como mostra
reportagem do [jornal] O Estado de S.
Paulo, ela passou a computar vagas
que não estariam de fato ocupadas, como aquelas em prédios ainda em obras, além
de contar as de substituição de convênios como vagas novas. Ora, esses são
casos em que crianças já atendidas são transferidas para outras instituições
conveniadas.
Apesar de se tratar de evidente manobra para apresentar a
situação melhor do que é, ou seja, inexata, a Prefeitura mesmo pega em flagrante não se dá por achada. Insiste
em defender seu novo - e conveniente - critério. Assim, a Secretaria Municipal
da Educação afirma, em nota, que o número de novas matrículas é "diferente
do número de vagas criadas", embora isso contrarie a forma pela qual
historicamente são feitos esses cálculos.
Alexandre Schneider,
ex-secretário de Educação do governo de Gilberto Kassab, critica a posição
adotada pela Prefeitura, lembrando que "todas as gestões cortam convênios
e o importante é o número de crianças atendidas". A seu ver, "não
é transparente falar em vagas e não em matrículas". Mas as
críticas não partem apenas de integrantes do governo passado. Para um técnico
como Salomão Ximenes, da organização
Ação Educativa, novas vagas também
não são as que já existiam na rede municipal ou as que foram realocadas. "O que a gente tem cobrado é que se cumpra a
promessa de criação de 150 mil vagas novas até o fim desta gestão. Isso quer
dizer que seriam vagas a mais que as existentes em 31 de dezembro de 2012 (antes
da posse de Haddad)", afirma ele.
O déficit de vagas na rede de creches é persistente, vem de
longe e sempre foi alto. Um desafio e tanto que também os antecessores de Haddad
não conseguiram vencer. Hoje existem 187
mil crianças na fila por vagas. Ninguém pode negar a dificuldade de
resolver rapidamente esse problema. Mas não será maquiando estatísticas, com
mudança esperta de critérios, que se avançará nessa direção. Ao contrário,
fazendo isso, o governo Haddad só complica as coisas, porque, como se sabe, a
mentira tem pernas curtas. E quem se entrega a tais mágicas corre o risco de
perder a credibilidade.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Notas e Informações – Sábado, 17 de janeiro de 2015 – Pg. A3 –
Internet: clique aqui.
Almoço grátis
Lauro Jardim
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Plenário da Câmara dos Deputados Federais - Brasília (DF) |
Os deputados [federais] têm usado um artifício previsto na
regulamentação da Lei de Acesso à Informação para esconder dados sobre os
gastos com alimentação pelos quais pedem reembolso.
As notas de restaurantes agora são entregues à Câmara dos
Deputados [Brasília, DF] para reembolso com um pedido do gabinete para que não sejam publicadas na internet.
Algumas delas mostram gastos altos com bebidas ou, em outros
casos, jantares para muitos convidados.
A Câmara nunca controlou o teor das notas. Agora, usando
esse artifício, nem a sociedade [poderá controlar].
Fonte: Revista VEJA –
Panorama / Radar – Edição 2409 – Ano 48 – nº 3 – 21 de janeiro de 2015 –
Pg. 30 – edição impressa.
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