Ensaio sobre a cegueira hídrica
Entrevista
com Marússia Whately*
Pelo Coletivo Conta d’Água**
* Marussia Whately é formada em Arquitetura e Urbanismo com especialização em gestão de recursos hídricos , sustentabilidade e meio ambiente urbano. Atua há mais de 15 anos na área de coordenação de projetos, produção de conteúdos e campanhas socioambientais. Trabalhou no Instituto Socioambiental, onde foi coordenadora do programa Mananciais de São Paulo e Campanha De Olho nos Mananciais. Foi uma das responsáveis pela coordenação da equipe de produção de conteúdo da Campanha Presidencial Marina Silva/Guilherme Leal. Foi coordenadora executiva do Instituto Democracia e Sustentabilidade e da liderou a Campanha Floresta Faz a Diferença. Atualmente é colaboradora do IMAZON para apoiar o Programa Municípios Verdes do Governo do Pará.
Pelo Coletivo Conta d’Água**
Inês Castilho
Como a negação
eleitoreira da crise colocou São Paulo à beira de um racionamento selvagem ou
do retrocesso bizarro aos caminhões-pipas
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Marússia Whately - ambientalista |
A falta d’água afeta a dignidade humana, tem implicações de
saúde pública, desespera, paralisa a atividade econômica. Pois prepare-se: 2015
começou sob a sombra da crise hídrica. O cenário que se está montando é
gravíssimo.
Já quase terminado janeiro, contata-se que choveu muito menos do que era esperado:
·
No Sistema
Cantareira, choveu 35% da média histórica.
·
No Sistema
Alto Tietê, meros 26% da média histórica.
·
E o quadro não encontra alívio nos demais
mananciais, também deficitários.
A própria Sabesp
admite que o que existe de água em todos os sistemas, considerando o padrão de
consumo atual, vai dar pra 50 dias, ou seja, março. E daí? Aí, acabou. Não
é que vai faltar um pouco de água. É que
não tem água; não tem para onde correr.
Para entender melhor as dimensões humanas, sociais,
econômicas e ambientais dessa crise, o projeto Conta D’Água procurou uma
das maiores especialistas do tema, a ambientalista Marussia Whately, dirigente do projeto Água São Paulo, do Instituto
Socioambiental (ISA), e uma das principais protagonistas da Aliança pela Água, uma iniciativa
reunindo 30 ONGs, visando propor soluções e cobrar providências do poder
público.
A crise na vida real
MARUSSIA WHATELY:
Tornou-se séria a perspectiva de o Sistema Alto Tietê, que abastece a zona
leste de São Paulo, entrar em colapso. Isso quer dizer que quatro milhões de
pessoas deixarão de ter água pra beber. Hoje, o nível do reservatório está em
10,4%, o que é extremamente crítico porque se trata de um reservatório com
apenas metade da capacidade do sistema Cantareira. E está baixando.
Como você vai fazer pra manejar essa região? Onde as pessoas
vão pegar água? Uma das possibilidades é levar água potável com caminhões-pipa
provenientes de Ubatuba, São José. Quantos litros serão necessários para
abastecer a zona leste todos os dias? Qual a qualidade da água que chegará aos
consumidores?
Nessa região, você tem reservatórios de distribuição, as
caixas d’água da Sabesp, como a que existe na avenida Consolação, ou no
Paraíso. Esses reservatórios, logicamente, estarão vazios. Mas eles têm de ser
o lugar para onde os caminhões-pipas serão levados.
Não se pode deixar caminhão-pipa no mercado. A partir de
agora, será preciso que se mapeiem todos
os poços que estão autorizados a captar água mineral. Num Plano de
Contingência, todos esses 50 mil poços
têm de ter sua outorga suspensa e a exploração será de uso exclusivo do Estado.
Agora, a Sabesp vai fazer isso? Não. Esta é uma
responsabilidade do governo do Estado, com as prefeituras. É uma agenda que
temos que trabalhar para que se torne realidade.
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Sistema Cantareira já está quase esgotando o volume morto |
Vamos um pouco mais em frente com esse cenário.
Os caminhões-pipas foram captar a água. E como essa frota
chegará à zona leste? Será necessário organizar uma grande operação de
logística durante as madrugadas, com menos trânsito, para transportar toda essa
água. Porque serão centenas de caminhões-pipas.
Os caminhões encherão o reservatório e amanhã, das 10h às
12h, a população de Ferraz de Vasconcelos, com seu comprovante de residência em
mãos, vai poder retirar uma quantidade de água por pessoa. Das 12h a tal hora,
vai ser a população da zona leste…
Isso é um Plano de Contingência numa situação de estresse
grave. Água pra escovar os dentes, tomar banho e cozinhar. Para outros fins — como
dar descarga, lavar roupa, limpar a casa —, a saída será a água da chuva. Para
isso, postos de saúde, escolas, creches,
unidades de serviço público, precisarão se equipar com caixas para captar água
da chuva, com filtro, tudo direitinho.
É preciso que a cidade se prepare. É preciso que o poder
público se organize. A possibilidade de
implantação de um racionamento de cinco dias sem água [por semana] é bem
concreta. Mas uma coisa é viver cinco dias sem água em uma situação
organizada. Outra coisa, bem diferente, é ter o racionamento em uma área como a
zona leste da Capital, com uma rede toda remendada, com áreas inteiras de
ocupação irregular. O resultado torna-se muito mais imprevisível.
Para dar um exemplo. Ontem, a partir das 16h30, não tinha
mais água da rua em minha casa. Mas se trata de uma casa com apenas dois
moradores. Manejando o consumo, conseguimos ficar até cinco dias sem água da
rua. Vamos ter restrição? Claro, mas dá para garantir as necessidades básicas.
Essa situação é totalmente diferente da que é vivida em uma comunidade com
poucas caixas d’água, com casas habitadas por um número muito maior de
moradores.
Mas fica pior quando se considera que essas pessoas funcionam
em horários difíceis – gente chegando muito tarde em casa, por causa do
transporte deficiente (quando a água já foi fechada), e que sai muito cedo de
casa, também por causa do transporte deficiente (e a água ainda não voltou).
Uma creche que não
abre porque não tem água gera um efeito cascata. Se as crianças não podem ir
para a creche, a mãe tem de faltar no emprego. Tomemos o caso de uma
diarista. Quantos dias ela poderá faltar no emprego? Será que ela vai poder
levar os filhos ao emprego? E isso impacta a vida da patroa dela também. Assim,
começa um efeito de instabilidade grande
na sociedade. Esse é um dos efeitos que ainda não estão devidamente
dimensionados. Os governantes estão desatentos a essa questão.
E há a situação crítica das populações mais sensíveis, que
precisam ser levadas em consideração. Sabe-se que a população da terceira idade, mais de 60 anos, e as crianças até 7 anos têm uma
vulnerabilidade maior à desidratação. E há ainda os acamados, com deficiência de
mobilidade e idosos, aos quais é preciso garantir o suprimento básico de
água no próprio domicílio. Em suma, há uma série de desdobramentos éticos
envolvida na gestão da crise.
Já se esperam protestos. Em Itu, vizinho de São Paulo, até
donas de casa colocaram fogo nas ruas. Aqui em São Paulo, vai haver um
escalonamento de manifestações e de violência porque a água mexe com a questão da dignidade. Quantos dias nós aguentamos sem
poder dar descarga?
É preciso instalar um
Comitê de Crise. Temos de falar e
explicar que se trata de uma crise sem precedentes. O mais natural seria o
governador do Estado de São Paulo [Geraldo Alckmin] puxar isso, mas se ele não
puxar, a sociedade civil tem de fazê-lo.
O Comitê é fundamental no sentido de começar a desenhar as
linhas de ação de um Plano de
Contingência. A população precisará de referências públicas em relação à
água. Também é importante o acesso à
informação.
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Vários bairros da capital já não têm água todos os dias! |
Nós lançaremos em fevereiro um copilado de propostas de
especialistas para a gestão dessa crise. Um dos itens importantes, por exemplo,
é a questão da qualidade da água
oferecida pelos caminhões-pipa. Teria de haver em cada subprefeitura uma
lista de caminhões-pipas autorizados a operar. E informações claras do tipo: “Aqui, na área desta Subprefeitura, faltará
água nos próximos cinco dias; água potável poderá ser encontrada nesses endereços,
de tal hora a tal hora”. Isso tem que ser feito e não é responsabilidade da
Sabesp.
Em última instância, quem
vai ter de decretar os estados de emergência são as prefeituras, mas elas estão
receosas de assumir o protagonismo da crise. Pela lei de saneamento, as
prefeituras são os titulares do saneamento. Teoricamente, seriam as prefeituras que deveriam mandar nessa confusão.
O contrato de prestação de serviços da Sabesp é assinado com a prefeitura, que
delega a regulação para a Arsesp, Agência Reguladora de Saneamento e Energia do
Estado de São Paulo.
Eu acredito que tem um canal, que vai ser começado pelo
município de São Paulo, que está revendo
o contrato com a Sabesp, e está percebendo que os moradores do município
vão ficar sem água, enquanto a empresa recebe uma grana incrível em cima e não
reinveste.
Um acionista da Sabesp que eu acho que está sendo pouco
questionado é o próprio governo do Estado, que detém 51% da empresa. Quando são
pagos os dividendos, 51% voltam para o
governo do Estado, e não necessariamente o governo tem reinvestido na Sabesp.
(Grande parte do investimento em infraestrutura que a Sabesp fez nos últimos
anos foi com financiamento da Caixa, financiamento do Banco Mundial, várias
fontes).
Plano de Contingência
MARUSSIA WHATELY:
O Plano de Contingência é a principal reivindicação da Aliança pela Água. Em final de outubro do ano passado, fizemos um
processo rápido de escuta de mais ou menos 280 especialistas de diferentes
áreas. E o Plano de Contingência apareceu como uma das principais
reivindicações desses especialistas.
Naquela ocasião, a ideia predominante era que se adotasse um
Plano de Contingência que permitisse que chegássemos a abril deste ano com um
nível de reservação de água nas represas, que desse para aguentar o período da
estiagem. Infelizmente, esse plano não
foi elaborado e muito menos realizado.
O que aconteceu na
prática foi uma negação da crise hídrica por parte do governo do Estado até
dezembro de 2014 —uma negação que vai levar para outras instâncias de
responsabilização.
O governador terminou o ano dizendo que não teríamos
racionamento e que não haveria falta d’água. E começou 2015 dizendo que existe
o racionamento e que pode ser que falte água.
No vídeo abaixo, o governador Geraldo Alkmin,
durante um debate político realizado pela Rede Globo/SP
nega que estivesse faltando água em São Paulo ou
que, um dia, fosse faltar!
(30/setembro/2014)
Se fosse um novo governador, a gente até poderia aceitar,
mas se trata do mesmo cara. Então tem uma questão aí: a forma como a crise foi conduzida nos fez perder muito tempo em termos
de ações para chegar a um nível seguro em abril.
Realmente, existe um componente de clima na crise que não dá
para negar. Já está confirmado que 2014 foi o ano mais quente da história. O
que já seria um quadro de extrema gravidade, entretanto, tem sido agravado
porque desde 2011 a Sabesp está
superexplorando as represas. Ou seja, tirando delas mais água do que entra.
O governo do Estado deveria ter assumido a liderança em
relação à crise da água em São Paulo. No caso do sistema Cantareira, essa
liderança deveria ser dividida com o governo federal, por intermédio da Agência
Nacional de Águas e do Ministério do Meio Ambiente, a quem compete organizar a
Política Nacional de Recursos Hídricos. O
problema é que muitos dos nossos instrumentos de gestão vêm sendo desmantelados
em escala federal, estadual e municipal.
“O Ministério do Meio Ambiente está omisso em relação aos
recursos hídricos. A Agência Nacional de Águas transformou-se num mero órgão
que faz a outorga, já que ficou enfraquecido nesse processo de construção de
Belo Monte.” A síntese é a seguinte: “Já basta a licença ambiental, não me
venham inventar mais uma licença de recursos hídricos, pra empacar a
hidrelétrica”.
É preciso recuperar
as represas. O Sistema Cantareira está com o nível em torno dos 5%. Não dá
mais! Não vai encher. Vai ter que ter racionamento.
A perspectiva com a qual a Aliança da Água trabalha é a de
união entre diferentes setores (especialistas na pauta do meio ambiente e
sociedade) para a elaboração de um Plano
de Contingência mais sólido. Ficar refém, à espera de um plano elaborado
pela Sabesp, além de não ser propositivo também não é eficaz. É fundamental que
os movimentos sociais e as universidades debatam esse tema com profundidade e
urgência.
Quem é o responsável?
MARUSSIA WHATELY:
O padrão de chuvas, repito, foi aquém da média histórica, mas houve o acúmulo
de infelicidades. Uma que é certamente muito grave foi a ausência de visão estratégica mínima do responsável, que é o governo
estadual paulista. Ele deveria ter liderado a gestão da água, mas perdeu um
ano negando a existência da crise, afirmando para a população que não faltaria
água, criando uma medida que foi o bônus, apresentado como uma alternativa ao
racionamento. Só que o bônus é muito questionável porque descapitaliza a
empresa. Diminui a capacidade de investimento da Sabesp. Do ponto de vista econômico, no momento de escassez de um produto, você
baixar o preço dele, é um contrassenso.
Durante os nove meses de campanha, não se conseguiu mudar o
padrão de consumo. Metade dos
consumidores aderiu e reduziu 20% o gasto de água. Um em cada quatro reduziu,
mas não atingiu a meta. E um em quatro aumentou o consumo. A verdade é que
junto com o bônus teria de ter a sobretaxa para o excesso de consumo e uma
série de ações. O bônus foi apenas uma
ação paliativa, tentando substituir uma ação mais radical que seria o
racionamento. Ao mesmo tempo, de um ponto de vista mais técnico e
operacional, só isso não gerou a redução do consumo de água que seria
necessário.
Desde o início do ano passado, falava-se em reduzir pela
metade a retirada de água do sistema Cantareira. Ou seja, sair de 31 metros
cúbicos por segundo para 16. Mas isso só está sendo atingido agora. Eles foram
baixando de 31 para 27, para 24…
No total do abastecimento de água de São Paulo, conseguiu-se
reduzir o consumo de 69 metros cúbicos por segundo para 55. Ou seja, todas as medidas adotadas – bônus, redução
da pressão, ampliação de captação, melhoria no índice de vazamentos —
lograram uma economia de 20%. É pouco em termos de redução
da retirada de água dos mananciais. Precisaria ser no mínimo 50%.
Em janeiro de 2014 houve um primeiro Plano de Contingência,
que previa um plano de racionamento no sistema Cantareira. Esse primeiro plano
simplesmente sumiu. Ele não está mais disponível. A proposta era que o
Cantareira, que em janeiro de 2014 estava com 24% de reservação, sem contar o
volume morto, já começasse a fazer um racionamento brando. Veja que esses 24%
de reservação (sem contar o volume morto) equivaliam a 46% da capacidade total
do sistema – e mesmo assim, já soou o alarme e se propôs o racionamento.
Hoje, o Cantareira
está com um nível de reservação em 5,6%, já considerando o uso do segundo
volume morto. Corremos o risco de ter de decretar agora um racionamento de
cinco dias sem água.
Quem deve ser o responsável pela gestão da crise?
MARUSSIA WHATELY:
A questão das responsabilidades é essencial para estabelecer um Plano de
Contingência. Qual é a grade de responsabilidades e atribuições? Quem tem de
fazer o quê?
A Sabesp é uma
companhia prestadora de serviço. E, como prestadora de serviço tem de ter constância,
indicador, desempenho, eficiência, meta… A
Sabesp não é a gestora da política. Não é ela quem deve decidir onde é melhor
investir, quem vai ficar sem água. Quem tem que decidir isso é a Arsesp [Agência Reguladora de
Saneamento e Energia do Estado de São Paulo], a agência reguladora. A gente tem
feito cobranças equivocadas em cima da Sabesp, quando a cobrança tem de ser em
cima da regulação.
É muito fácil colocar a Sabesp na linha de tiro. E ninguém
fala nada sobre as responsabilidades da Secretaria
de Recursos Hídricos, da Arsesp,
da Secretaria de Meio Ambiente, que
dá licenças, como a de uso do volume morto. Alguém viu o licenciamento
ambiental desse uso extremo do Cantareira? Quais foram as condicionantes, os
compromissos de mitigação? Foi uma licença emergencial?
Não é só que a água não está mais atingindo suas margens
normais. É que, por centenas de quilômetros, o solo ficará ressecado, com
impactos substanciais sobre todo o meio ambiente em torno.
Construir soluções para a crise vai depender de um Plano de Contingência que não é um
plano da Sabesp, é um plano do governo
federal, estadual, prefeituras e com a sociedade. Vai ter que entrar defesa
civil, vigilância sanitária, secretaria de segurança…
Como resolver a crise
MARUSSIA WHATELY:
O governo do Estado apostou alto que ia chover. E, na outra mão, ele veio com
um conjunto de obras que conseguirão criar — daqui a cinco anos — mais 20 mil
litros. A gente não precisa de mais 20 mil litros. A gente precisa consumir melhor a água que tem.
Daqui a cinco anos, eu terei feito a transposição de águas
do rio Paraíba do Sul para cá, o Paraíba do Sul, aliás, que agora está com
apenas 5% de água. Então, veja, eu faço
uma megaobra para trazer água e, de repente, pode não haver água pra ser
trazida para cá.
E se, em vez disso, houvesse a recuperação da represa
Billings, que está aqui ao lado? Nela, cabe a mesma quantidade de água do que a
Cantareira é capaz de produzir. Ela não produz a mesma quantidade, mas ela pode
guardar. Ou seja, eu posso trazer de outros lugares a água para a Billings em
quantidades menores; posso interligar algumas represas do Alto Tietê; ou mesmo
pensar em pequenos reservatórios no topo da serra do Mar, que seria uma água de
altíssima qualidade, e trazer para a Billings…
São várias ideias que
nem chegaram a serem discutidas, a respeito de uma represa que está aqui, mais
perto do que as alternativas de abastecimento colocadas na mesa. A
Billings, como se sabe, é o destino do esgoto que a Sabesp não consegue tratar,
que é jogado no Tamanduateí, no Anhangabaú, no Pinheiros, no Tietê, em todos os
rios que a gente colocou avenidas em cima.
Depois, tem a drenagem urbana que é esquizofrênica porque
uma parte quem cuida é o Estado, outra são as prefeituras. Só aí haveria uma
capacidade de geração de água de chuva que seria mais ou menos o equivalente à
vazão do rio São Lourenço, 4 metros cúbicos por segundo. O novo sistema São Lourenço, que deve ficar pronto em 2017, custará R$ 2 bi só em obras, terá custo
operacional de mais R$ 6 bi em cima. Trata-se de uma megaobra para trazer água lá de longe do rio Ribeira, sem pagar
devidamente os encargos ambientais que serão gerados naquela região, sem
que aquilo gere prosperidade naquela região.
Os ensinamentos da crise
MARUSSIA WHATELY:
Com a água acontece uma coisa curiosa: como cai do céu, é difícil acreditar que
vá faltar. Acaba a água da torneira, mas está tudo alagado lá fora. Isso,
imagino, gera uma confusão pra muita gente… Mas ao mesmo tempo gera um aumento
de consciência. Essa água que está
alagando as ruas, será que ela não poderia ser usada?
Essa água é própria para o consumo?, alguém poderia
perguntar. Há controvérsias. Há pessoas filtrando e fazendo testes, dizendo que
é melhor do que a água da Sabesp. Cada vez mais, eu acredito que, quanto mais a
gente tornar as pessoas autônomas em relação a garantir o seu básico, mais a
gente estará caminhando para um mundo sustentável. Ensinar a garantir o mínimo
da sua água, o mínimo da sua comida, pode ser um caminho.
A gente está tendo
falta de água, apagão de energia, enchentes. Todos esses problemas estão
ligados à gestão da água. Todo esse processo é muito didático e deve
induzir mudanças de atitude. Como
continuar aceitando como normal descarregar a privada com água potável? O baixo
nível dos reservatórios está mostrando o baixo nível das nossas políticas em
relação a isso. Se não for didático, então a única saída é o êxodo.
* Marussia Whately é formada em Arquitetura e Urbanismo com especialização em gestão de recursos hídricos , sustentabilidade e meio ambiente urbano. Atua há mais de 15 anos na área de coordenação de projetos, produção de conteúdos e campanhas socioambientais. Trabalhou no Instituto Socioambiental, onde foi coordenadora do programa Mananciais de São Paulo e Campanha De Olho nos Mananciais. Foi uma das responsáveis pela coordenação da equipe de produção de conteúdo da Campanha Presidencial Marina Silva/Guilherme Leal. Foi coordenadora executiva do Instituto Democracia e Sustentabilidade e da liderou a Campanha Floresta Faz a Diferença. Atualmente é colaboradora do IMAZON para apoiar o Programa Municípios Verdes do Governo do Pará.
** Participaram membros das Redações do Barão de Itararé, Brasil de Fato, Fórum, Mídia Ninja, Outras Palavras, Ponte e
SpressoSP.
Fonte: Outras
Palavras – 27/01/2015 – Internet: clique aqui.
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