4º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 1,21-28
23 Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou:
24 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”.
25 Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”.
26 Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu.
27 E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”.
28 E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.
21 Estando com seus discípulos em
Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar.
22 Todos ficavam admirados com o seu
ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da
Lei.23 Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou:
24 “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”.
25 Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”.
26 Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu.
27 E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”.
28 E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
UM
ENSINAMENTO NOVO
O episódio é surpreendente e avassalador. Tudo ocorre na “sinagoga”, o lugar onde se ensina
oficialmente a Lei, tal como é interpretada pelos mestres autorizados. Sucede
no “sábado”, dia em que os judeus
observantes se reúnem para escutar o comentário de seus dirigentes. É nesse
contexto em que Jesus começa, pela primeira vez, a “ensinar”.
Não se fala sobre o conteúdo de suas palavras. Não é isso
que interessa aqui, mas o impacto que produz sua intervenção. Jesus provoca
assombro e admiração. As pessoas
percebem nele algo especial que não encontram em seus mestres religiosos:
Jesus “não ensina como os escribas, mas com autoridade”.
Os doutores ensinam em nome da instituição. Restringem-se às
tradições. Citam várias vezes mestres ilustres do passado. Sua autoridade
provém de sua função de interpretar oficialmente a Lei. A autoridade de Jesus é diferente. Não vem da instituição. Não se
baseia na tradição. Tem outra fonte. Ele
está repleto do Espírito vivificador de Deus.
Poderão comprová-lo em seguida. De forma inesperada, um
possuído interrompe, aos gritos, seu ensinamento. Ele não o pode suportar. Está
aterrorizado: “Vieste para nos destruir?”. Aquele
homem se sentia bem ao escutar o ensinamento dos escribas. Por que ele se
sente, agora, ameaçado?
Jesus não vem destruir ninguém. Sua “autoridade” está, justamente, em dar vida às pessoas. Seu
ensinamento humaniza e liberta de escravidões. Suas palavras convidam a confiar
em Deus. Sua mensagem é a melhor notícia que pode escutar aquele homem
atormentado interiormente. Quando Jesus o cura, as pessoas exclamam: “Um
ensinamento novo dado com autoridade”.
As pesquisas de opinião indicam que a palavra da Igreja está
perdendo autoridade e credibilidade. Não basta falar de maneira autoritária
para anunciar a Boa Notícia de Deus. Não é suficiente transmitir, corretamente,
a tradição para abrir os corações à alegria da fé. O que precisamos, urgentemente, é um “ensinamento novo”.
Não somos “escribas”, mas discípulos de Jesus. Devemos
comunicar a sua mensagem, não nossas tradições. Temos de ensinar curando a
vida, não doutrinando as mentes. Devemos anunciar seu Espírito, não nossas
teologias.
APRENDER
A ENSINAR
O modo de ensinar de Jesus provocou nas pessoas a impressão
de que estavam diante de algo desconhecido e admirável. Indica-o a fonte cristã
mais antiga e os pesquisadores pensam que foi assim realmente. Jesus não
ensinava como os “doutores” da Lei. Fazia-o com “autoridade”: sua palavra
libertava as pessoas de “espíritos malignos”.
Não se deve confundir “autoridade” com “poder”. O
evangelista Marcos é muito preciso em sua linguagem. A palavra de Jesus não provém do poder. Jesus não procura impor sua
própria vontade sobre os demais. Não ensina a fim de controlar o comportamento
das pessoas. Não utiliza de coação nem ameaças.
Sua palavra não é como aquela dos doutores da religião
judaica. Não está revestida de poder institucional. Sua “autoridade” nasce da força do Espírito. Provém do amor às pessoas.
Busca aliviar o sofrimento, curar feridas, promover uma vida mais saudável. Jesus não gera submissão, infantilismo ou
passividade. Liberta dos medos, infunde confiança em Deus, anima as pessoas
a buscar um mundo novo.
A ninguém passa despercebido que estamos vivendo uma grave
crise de autoridade. A confiança na palavra institucional está abaixo do
mínimo. Dentro da Igreja se fala de uma forte “desvalorização do Magistério”.
As homilias aborrecem. As palavras estão desgastadas.
Não é este o momento de voltar a Jesus e aprender a ensinar
como ele fazia? A palavra da Igreja tem
de nascer do amor real às pessoas. Deve ser dita depois de uma atenta escuta do
sofrimento que há no mundo, não antes. Deve ser próxima, acolhedora, capaz
de acompanhar a vida sofredora do ser humano.
Necessitamos de uma palavra mais livre da sedução do poder e
mais cheia da força do Espírito. Um ensinamento nascido do respeito e da estima
positiva das pessoas, que produz esperança e cure feridas.
Seria grave que, dentro da Igreja, se escutasse uma “doutrina
de doutores” e não a palavra curadora de Jesus que tanto as pessoas necessitam,
hoje, para viver.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
Fonte:
MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Quarta-feira, 28 de
janeiro de 2015 – 11h34 – Internet: clique aqui.
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