TRÊS NOTÍCIAS QUE CONFIRMAM O CENÁRIO ECONÔMICO NO BRASIL!
Criação de empregos formais no Brasil em 2014 foi a
menor em 12 anos
Bernardo Caram
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Manoel Dias - Ministro do Trabalho e Emprego |
A criação de empregos
com carteira assinada teve em 2014 o pior resultado da série histórica
iniciada em 2002, informou ontem o Ministério
do Trabalho e Emprego. No ano, foram gerados 397 mil novos postos de
trabalho, desempenho 64,5% inferior ao de 2013, quando o saldo atingiu 1,1
milhão de vagas.
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), divulgado ontem em Florianópolis, frustrou a previsão de se criar 1,5
milhão de vagas feita pelo ministro Manoel
Dias no início do ano passado.
[ . . .]
Em dezembro, o mercado de trabalho registrou encolhimento de
555 mil vagas. Foi o pior resultado para o mês desde 2008, quando estourou a
crise financeira global. No mês passado, houve 1,176 milhão de admissões e
1,732 milhão de cortes.
Na avaliação do economista da Fundação Seade, Alexandre
Loloian, coordenador da pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), o saldo do ano
é muito baixo para um governo que previa resultados mais robustos. O desempenho
do mercado de trabalho, segundo ele, ficou "muito aquém" do esperado,
principalmente no fim do ano, a partir de outubro e novembro.
Em abril do ano passado, Manoel Dias afirmou que o governo Dilma Rousseff chegaria a um
total de 6 milhões de empregos criados em quatro anos - o que também não virou
realidade. Dilma fechou o primeiro mandato com saldo de 5,3 milhões de vagas.
"Cinco milhões foi espetacular. O mundo está em crise", emendou o ministro.
O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza
Leal, avalia que o resultado do Caged mostra uma tendência de estagnação com
viés negativo. "A situação tende a piorar ao longo de 2015, pois todas as
notícias que temos são mais no sentido de eliminação de postos do que de
contratações."
[. . .]
Tendência
Na avaliação por setores, a indústria de transformação teve o pior desempenho em dezembro,
com o fechamento de 172 mil postos de trabalho, seguido pela construção civil, com menos 132 mil
vagas, e pelo setor de serviços, que
reduziu 149 mil postos.
A agricultura,
frequentemente tratada pelo ministro Manoel
Dias como exemplo de dinamismo por seguir batendo recordes de produção,
teve queda de 64 mil vagas em dezembro. O dado foi justificado por Dias como
"sazonal". No ano, o setor fechou 370 vagas.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Economia & Negócios – Sábado, 24 de janeiro de 2015 – Pg. B1 –
Internet: clique aqui.
Contas externas do Brasil têm o maior rombo desde 1947
AGÊNCIA ESTADO
Déficit registrado em
2014, de US$ 90,95 bi, foi puxado pela balança comercial e não foi coberto pelo
Investimento Estrangeiro Direto
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Porto do Rio de Janeiro |
O resultado das transações
correntes* fechou o ano passado com déficit de US$ 90,948 bilhões, conforme
divulgou nesta sexta-feira o Banco Central [BC]. O rombo superou a projeção da
instituição, de um resultado negativo de US$ 86,2 bilhões. Além disso, foi pior
do que as estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência
Estado, que iam de um saldo negativo de US$ 88,100 bilhões a US$ 90,900
bilhões, com mediana de US$ 89,5 bilhões.
Esse resultado de 2014 é recorde para a série histórica do
BC, iniciada em 1947. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2013,
de US$ 81,347 bilhões. Vale destacar que
esse resultado deficitário foi 50% maior do que o verificado em 2012, de
US$ 54,246 bilhões, que até então era o pior desde 1947.
O déficit em conta corrente do ano passado ficou em 4,17% do
Produto Interno Bruto (PIB), ainda de acordo com os dados do BC, o pior para um
ano fechado desde 2001 (4,19%). O maior porcentual da série histórica do BC foi
observado em 1974, de 6,8%.
Já os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$
62,495 bilhões em todo o ano de 2014 e ficaram abaixo da estimativa do BC, de receber
US$ 63 bilhões. O saldo anual só supera o de 2010 (US$ 48,506 bilhões), já que
ficou inferior aos dos três anos anteriores: US$ 66,7 bilhões em 2011, US$ 65,3
bilhões em 2012 e US$ 64,045 bilhões em 2013.
Apontada como principal vilã das contas correntes em 2014, a
balança comercial registrou um déficit de US$ 3,930 bilhões, enquanto a conta
de serviços ficou negativa em US$ 48,667 bilhões. A conta de renda também ficou
no vermelho, em US$ 40,2 bilhões.
Viagens
Mesmo com a aceleração da cotação do dólar no segundo
semestre do ano passado, a conta de viagens internacionais registrou um déficit
de US$ 1,6 bilhão em dezembro de 2014 e um saldo negativo de US$ 18,695 bilhões
no acumulado do ano. O resultado apurado em 2014 é um novo recorde, já que a
maior marca havia sido registrada em 2013, de US$ 18,632 bilhões.
[. . .]
Lucros
e dividendos
Já o saldo de remessas
de lucros e dividendos no ano passado ficou negativo em US$ 26,523 bilhões
- maior do que os US$ 26,045 bilhões de 2013. Como já havia indicado o
resultado do fluxo cambial, no último mês de 2014, esse saldo ficou no vermelho
em US$ 4,094 bilhões, um saldo negativo menor do que os US$ 4,829 bilhões,
também negativos, registrados em dezembro de 2013.
[. . .]
*
Balanço de pagamentos se divide em três contas: Transações
Correntes, Conta Capital e Financeira e Erros e Omissões.
1.
Transações CorrentesRegistra o saldo das transações comerciais, de bens e serviços, e de transferências (doações).
1.1. Balança comercial
Saldo das exportações menos as importações.
1.2. Balança de serviços e rendas
1.2.1. Balança de serviços
Contabiliza o ingresso e saída de dinheiro em serviços como seguros, viagens internacionais, royalties, licenças e frete de transporte.
1.2.2. Balança de rendas
Pagamentos de salários a empregos não residentes que prestam serviço no Brasil ou a brasileiros que prestam serviço no exterior. Compreende também a renda enviada de estrangeiros e recebida de brasileiros no resto do mundo. Lucros reinvestidos no Brasil também entram nessa conta.
1.3. Transações Unilaterais
Transferência de recursos sem envolver uma troca por serviços ou bens. São doações de recursos feitas entre países. (Fonte: clique aqui).
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Economia & Negócios – 23 de janeiro de 2015 – 10h32 – Internet:
clique aqui.
IPCA-15 de janeiro é o mais alto em quatro anos
Daniela Amorim
Prévia da inflação
oficial registrou avanço de 0,89% no mês; índice foi pressionado pelos
alimentos e por aumentos da energia elétrica e dos transportes
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Alimentos em alta de preços |
A prévia da inflação oficial mostrou aceleração logo no
início do ano, conforme esperado por analistas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) ficou
em 0,89% em janeiro, a maior taxa desde fevereiro de 2011, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Em dezembro, o IPCA-15 tinha ficado em 0,79%.
A elevação dos gastos
das famílias com alimentação foi responsável por 40% da inflação no mês.
Houve pressão, principalmente, das carnes, batata-inglesa e feijão. Mas pesaram também os aumentos na energia
elétrica e no ônibus urbano. O índice só não foi mais alto porque as
passagens aéreas deram trégua, com redução de 4,21%, após o salto de 42,42% no
mês anterior.
"Realmente aconteceu o que prevíamos em janeiro, que
era uma pressão de alimentos, energia e transportes", comentou o
economista Thiago Biscuola, da RC
Consultores.
Espalhados
Embora a magnitude da inflação não tenha surpreendido, os
aumentos de preços foram mais disseminados do que o previsto, atentou o
professor Luiz Roberto Cunha, decano
da PUC-Rio. A taxa de difusão, que mostra o porcentual de itens pesquisados com
aumento de preços, subiu de 64,4% no IPCA-15 de dezembro para 69,9% em janeiro,
de acordo com os cálculos da Rosenberg
Consultores Associados.
"Os serviços
como um todo vieram muito altos, o que preocupa, até porque o item
passagens aéreas, que geralmente impulsiona a inflação de serviços, dessa vez
veio com queda na tarifa. Então não foi
só um aumento específico dos preços administrados que pressionou o IPCA-15",
ressaltou Cunha.
O professor da PUC diz que o momento atual de inflação alta
no País, aliada a uma atividade econômica fraca, resulta num cenário ruim que
dificulta as previsões para 2015. Cunha espera que o IPCA fechado do mês de
janeiro fique entre 1,2% e 1,3%, e que a taxa acumulada em 12 meses rode acima
de 7% ao longo do primeiro quadrimestre.
"As bandeiras tarifárias (que repassam à conta de
energia o custo mais alto do acionamento das usinas térmicas) ainda não
apareceram no IPCA-15 com muita intensidade. A Petrobrás ainda vai repassar o
aumento do imposto sobre os combustíveis. Então há uma série de pressões de
preços administrados a serem corrigidos", lembrou Cunha.
Alimentos
A corretora Concórdia acredita que a inflação deve se manter
pressionada também pelo encarecimento dos alimentos, como resultado da
entressafra e da Estiagem que afeta regiões produtoras.
"A tendência é
que os preços dos alimentos no atacado e no varejo continuem pressionados entre
janeiro e fevereiro, mantendo os indicadores de preço em patamar elevado",
avaliou Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia.
A alta no custo de vida das famílias em janeiro fez o
IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses estourar novamente o teto de tolerância
do governo, de 6,5%. A taxa passou de 6,46% no fechamento de 2014 para 6,69%
neste mês, o maior resultado desde novembro de 2011.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Economia & Negócios – Sábado, 24 de janeiro de 2015 – Pg. B5 –
Internet: clique aqui.
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