GOVERNO INCOMPETENTE: É O POVO QUEM PAGA!
1º. DEFICIÊNCIA NO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA
“Possibilidade
de um racionamento é cada vez maior”
Entrevista
com Mário Veiga*
Josette
Goulart
![]() |
Mário Veiga - engenheiro e consultor da área elétrica |
Um dos mais respeitados consultores da área de energia do
Brasil diz que a decisão de se fazer os cortes de energia elétrica nesta
segunda-feira, 19 de janeiro, em vários Estados foi tecnicamente correta, já
que não havia reserva suficiente para manter todos os aparelhos de
ar-condicionado ligados. É melhor um blecaute preventivo e organizado, segundo
Mário Veiga, da PSR Consultoria, do que deixar o sistema elétrico de todo País
entrar em colapso, o que poderia ter acontecido se o Operador Nacional do
Sistema (ONS) não tivesse ordenado os cortes.
Mas Veiga diz que isso
está acontecendo agora porque o governo federal tomou a decisão de não fazer
uma poupança no ano passado, ou seja, preservar água nas hidrelétricas. O
mês de janeiro tem sido o pior da história em termos de chuva e de nível de
reservatórios, e a situação se encaminha para um sério risco de racionamento no
segundo semestre. "Já tivemos o realismo fiscal, o realismo
tarifário da energia elétrica, falta agora o realismo de suprimento",
disse. Ele defende uma ampla campanha de racionalização de energia e explica, a
seguir, os motivos de o Operador Nacional do Sistema ter determinado os cortes
de energia ontem.
O que aconteceu para ter havido
corte de energia ontem?
Mário Veiga: A
cada segundo, o total de energia que é produzida tem de ser igual ao total de
energia consumida. Se você ligasse seu ar-condicionado agora, um gerador a
centenas de quilômetros de distância ia se mexer para gerar mais energia. Como
o gerador sabe que você ligou seu ar-condicionado? Imagina que você está
andando de bicicleta e pedalando a 60 vezes por segundo, que é justamente a
velocidade com que os geradores giram no Brasil. Se você começar a subir uma
ladeirinha, passa a 59, porque é mais difícil subir. E se fosse descer,
passaria para 61. No aparelhinho que mede a frequência do sistema elétrico, a
lógica é: se a frequência fica abaixo de 60, bota mais energia. Se ficou acima,
diminui a energia. Só que isso é feito em frações de segundos, automaticamente.
Logo, preciso ter uma geração extra de 5% da carga já pronta para atuar em
frações de segundo. Essa geração é conhecida como reserva girante.
Não havia reserva ontem?
Mário Veiga: Se o
consumo foi de 86 mil MW, eu precisaria de 4.300 MW (5%) a mais. Isso dá 90
mil. A grande fonte que temos é hidrelétrica, que nominalmente já são 90 mil
MW. Mas como as hidrelétricas estão no
pior nível de armazenamento da história, a capacidade hoje é 70 mil. Temos
então as termoelétricas, de 18 mil, e a as renováveis, de 5 mil MW, porque
nesta época os ventos não sopram e a safra da cana acabou. Somando, dá 93 mil.
Isso, na hipótese completamente otimista de que eu não tenho nenhuma restrição
de transmissão, nem nos sistemas operativos, e sabemos que o sistema está com muitos problemas operativos. Todos os técnicos do setor sabiam que ia
dar problema de reserva este ano entre janeiro e março, porque já ocorreu
no ano passado, em fevereiro. E não é surpreendente que tenhamos demanda alta
por energia, pois há vários anos sabemos
que a demanda máxima do sistema não é mais à noite, e sim às três da tarde, por
causa do ar-condicionado.
Por que fazer um apagão?
Mário Veiga: Imagina
que eu não tenha reserva nenhuma. A demanda é 86 mil MW e a geração, exatamente
86 mil. Agora imagina que quebrou um gerador de 1 mil MW. Então a geração ficou
85 mil e a demanda continuou 86 mil. Nesse caso, a frequência cai e aquele
aparelhinho que mede a frequência vai ver que não tem mais geração para colocar
no lugar. Só que os equipamentos não podem funcionar com 59 de frequência.
Quebram. Danificam. Então, outros equipamentos da geração caem, e vamos a 83
mil. A frequência abaixa mais ainda. Tiro mais geradores. Aí tenho um colapso
total do sistema. Como se fosse um blecaute do País inteiro. Então o ONS fez
certo, É melhor ter um blecaute preventivo do que ter um colapso do País
inteiro. Agora, é normal ter chegado
nesta situação? Não. Nós chegamos a esta situação porque o nível dos reservatórios
está extremamente baixo, porque o
governo decidiu, no ano passado, não fazer qualquer campanha de racionalização,
para reduzir o consumo e chegar com os reservatórios neste ano em níveis
mais altos. A situação é absolutamente
análoga ao problema de água em São Paulo, na medida em que você decide não
tomar medidas de contenção do consumo.
Significa que teremos outros cortes
como os de ontem?
Mário Veiga: Isso
já estava absolutamente previsto. Janeiro, fevereiro e março, toda vez que for
quente teríamos risco de blecautes.
Mas tivemos dias bem quentes no ano
sem cortes...
Mário Veiga: Você
tem 10% de probabilidade de um avião cair. Na primeira vez que você toma um
avião, não cai, a segunda, não cai, mas todo o dia você tá jogando o dado.
Basta num dia você ter um gerador que não funciona ou um problema de
transmissão. Como estamos no limite da
navalha e sem reserva, os cortes acabam acontecendo. Mas, a partir do segundo semestre, o risco passa
a ser de racionamento, já que os reservatórios estão muito baixos e a aposta do
governo de que a hidrologia ia ser boa não está acontecendo. Janeiro já
registra a pior vazão da história. E, por isso, existe uma probabilidade cada
vez mais alta que a partir do segundo semestre tenhamos racionamento. É
importante separar blecaute - interrupção de algumas horas e de repente - de
racionamento.
Esse blecaute de ontem não é
racionamento, então?
Mário Veiga: O
que tivemos ontem foi um blecaute
organizado. Isso significa que estamos com problema de abastecimento quando
há um consumo máximo de energia. Quando começarem os meses mais frios,
desaparece esse problema. Em compensação, vai começar o problema de risco de
falta de energia. No momento, é falta de
capacidade de atender o consumo máximo. Esse problema está associado ao
fato de os reservatórios estarem baixos e a demanda estar alta. Esta época do
ano é de cheias, onde reservatórios enchem. Na segunda metade do ano, como é
mais frio, o consumo máximo diminui, mas é quando os reservatórios começam a
esvaziar. Nós começamos o ano com
reservatórios muito baixos, o pior nível da história, porque o governo em 2014
decidiu apostar que ia chover. E talvez cheguemos a maio sem que os
reservatórios tenham enchido. Imagina a Cantareira começando o período seco com
os reservatórios lá embaixo e sem reserva nenhuma? E não se pode culpar São Pedro, como não se pode culpar o consumidor.
O governo é que decidiu não fazer a caderneta de poupança.
Há algo que se possa fazer?
Mário Veiga: No
curtíssimo prazo, não, à exceção de um apelo para racionalização de consumo. Da
mesma maneira que na parte do Tesouro você passou a ter realismo fiscal e
recentemente o diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, disse que vamos ter
realismo tarifário, com aumento de 30 e poucos por cento na tarifa, eu acho que
falta complementar com "realismo de suprimento".
Não seria recomendável fazer agora
racionamento?
Mário Veiga: Isso
só deve ser decidido após o período chuvoso, que é início de maio. Porque
sempre é possível que chova. Mas é claro
que o governo federal já devia estar fazendo apelo à população para
racionalização, até porque muita gente não sabe que vai ter aumentos muito
expressivos na conta de luz neste ano. Seria um ganha-ganha. Porque o que é
bom para o bolso, é bom para o suprimento de energia. Já o racionamento é
impositivo. Só se toma essa decisão se o efeito dos apelos de racionalização
não funcionarem e, mesmo assim, só depois do período chuvoso.
Seria um racionamento nos mesmos
moldes do que aconteceu em 2001?
Mário Veiga: Sim, só que muito mais suave.
* Mário Veiga é presidente da PSR Consultoria.
Engenheiro eletricista, com mestrado e doutorado em pesquisa operacional, foi
consultor da Câmara de Gestão da Crise de
Energia na investigação das causas do racionamento de 2001. Desde janeiro
de 2003, tem atuado como consultor especial do Ministério de Minas e Energia.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Economia / Sistema Elétrico sob Pressão – Terça-feira, 20 de
janeiro de 2015 – Pg. B5 – Internet: clique aqui.
2º. AUMENTO DE IMPOSTOS PARA COBRIR ROMBOS NO ORÇAMENTO
Veja como o
aumento de impostos vai afetar o consumidor
Taís Laporta e
Darlan Alvarenga
Operações de crédito
ficarão mais caras, sem margem para juros menores.
Repasse de impostos na
gasolina não é automático.
O aumento de impostos no crédito, anunciado pelo Governo
Federal nesta segunda-feira (19/janeiro), pesará
diretamente no bolso do consumidor e não dará margem para a redução dos juros
no mercado, veem analistas ouvidos pelo G1.
Já o repasse da alta do tributo sobre os combustíveis para
os consumidores – a Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico (Cide)
e a PIS, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – tende a acontecer, mas não
será automático.
A Petrobras confirmou na noite de segunda-feira que vai
repassar o valor desses dois impostos nas vendas de refinarias para as
distribuidoras. Mas o aumento do preço
nas bombas para o consumidor dependerá da decisão dos postos.
O consumidor também deve ficar atento ao comprar produtos importados, cuja alíquota de impostos vai subir.
C R É D I T O
Em todas as operações de crédito – incluindo financiamento imobiliário e empréstimo pessoal –, o cidadão terá
que arcar com uma alíquota maior do Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF), que subiu
de 1,5% para 3%.
A medida vai encarecer diretamente no Custo Efetivo Total
(CET) de todos os empréstimos e financiamentos no país. Na prática, além das taxas de juros, o consumidor vai
desembolsar uma quantia extra em tributos para a arrecadação do governo.
Para o professor de finanças do Ibmec, Eduardo Coutinho, o
aumento do imposto vai subir o custo dos
financiamentos, ao passo que as
taxas de juros devem continuar subindo. “O objetivo da medida é aumentar a
arrecadação do governo federal, já que o IOF não é dividido entre os estados”,
diz.
O impacto direto
desse encarecimento do crédito será uma retração do consumo, analisa o
Coutinho. O docente recomenda que o consumidor passe a observar com mais
atenção o cálculo do CET ao contrair crédito – e não apenas os juros cobrados
na operação.
O economista e sócio da Go
Associados, Gesner Oliveira, afirma que esse aumento já era esperado e vem
em linha com o aguardado pacote de ajuste fiscal da nova equipe econômica, que
persegue um superávit de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.
“Na prática, tomar dinheiro emprestado e fazer compras a prazo vai ficar
mais caro. É uma medida de contenção de crédito”, avalia o economista.
C O M B U S T Í V E I S
O presidente da Federação
Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda, afirmou que o repasse da Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis nos postos é uma "tendência natural".
Ele destacou, no entanto, que o setor defenderá a redução
dos preços cobrados pela Petrobras nas refinarias para evitar que o novo custo
seja repassado nas bombas.
"A nossa expectativa era de que o governo não
daria esse aumento sem antes ajustar o preço da Petrobras", disse
Miranda, em entrevista ao G1.
A Petrobras vinha vendendo, nos últimos anos, combustível
abaixo dos preços internacionais, o que gerava perdas para a companhia. A recente queda de cerca de 60% nos preços
internacionais do petróleo, no entanto, deixou a estatal com margem para
reduzir seus preços, que estão hoje cerca de 70% acima dos cobrados no exterior.
A estatal, no entanto, afirmou na noite de segunda-feira que irá repassar essa
alta de tributos para as distribuidoras.
A volta da Cide e a elevação do PIS e da Contribuição para
Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre os combustíveis foi anunciada
nesta segunda-feira. O impacto será de
R$ 0,22 para a gasolina e de R$ 0,15
para o diesel. O PIS e a Cofins terão alta imediata, mas o aumento da CIDE
só valerá daqui a 90 dias.
I M P O R T A D O S
Com as medidas anunciadas nesta segunda, o consumidor deve
ficar atento, também, ao comprar produtos importados. No caso das importações, o PIS e a Cofins foram elevados de 9,25% para
11,75%. O objetivo, segundo Levy, é compensar a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) que excluiu o ICMS das importações. "A gente ajusta a
alíquota para que não se prejudique a produção doméstica. Correção da própria
economia", declarou. A expectativa
é arrecadar R$ 694 milhões neste ano.
Fonte: Portal G1 –
Economia – 19/01/2015 – 20h44 – Atualizado em: 20/01/2015 às 13h24 –
Internet: clique aqui.
3º. TRABALHADOR PAGARÁ MAIS IMPOSTO DE RENDA
Dilma veta
correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%
Bianca Pinto
Lima & Luci Ribeiro
(Colaboraram: Ricardo Della
Coletta e Tânia Monteiro)
Segundo o governo,
correção teria um impacto fiscal de R$ 7 bi; tabela do Importo de Renda já
acumula defasagem de 64% em relação à inflação
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Dilma Rousseff - Presidente da República |
A presidente Dilma
Rousseff vetou nesta terça-feira, 20 de janeiro, a correção de 6,5% na tabela
do Imposto de Renda da Pessoa Física, aprovada no fim do ano passado pelo
Congresso Nacional. A decisão consta da sanção, com vários vetos, da Lei
13.097, que é resultado da aprovação da Medida Provisória 656.
O texto ficou conhecido como MP das Bebidas Frias, por
incorporar durante a tramitação no Congresso trecho para definir uma nova
tributação do setor. O veto ocorre um
dia após o aumento de impostos sobre os combustíveis, importados e crédito
pessoal, que elevará a arrecadação em R$ 20,6 bilhões.
Segundo o despacho, o reajuste de 6,5% da tabela
"levaria à renúncia fiscal na ordem de R$ 7 bilhões, sem vir acompanhada
da devida estimativa do impacto orçamentário-financeiro, violando o disposto no
art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal". Agora, o Planalto deverá editar uma nova MP [Medida Provisória] sobre o tema.
Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy,
afirmou que a proposta da Fazenda é de
que a correção da tabela do IRPF [Imposto de Renda da Pessoa Física] seja de 4,5% - o mesmo porcentual dos
últimos oito anos e o centro da meta de inflação. Desde 2010, no entanto, a
inflação oficial medida pelo IPCA tem superado o centro definido pelo governo.
Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais,
Pepe Vargas (PT), a MP com correção
de 4,5% deve ser enviada ao Congresso nos próximos dias. "O espaço fiscal
que temos hoje é de (um reajuste de) 4,5%", afirmou Vargas nesta
terça-feira, durante café da manhã com jornalistas do Palácio do Planalto.
No ano passado, a
tabela do IR aprofundou ainda mais a defasagem em relação à inflação. O
reajuste anual de 4,5% das faixas de cobrança não foi suficiente para compensar
o avanço do IPCA, que fechou 2014 em 6,41%.
Com esse novo aumento na discrepância:
o imposto passou a acumular uma defasagem de 64,28% desde 1996, ano em
que a tabela foi convertida de unidades fiscais para o real.
Os cálculos foram feitos pelo Sindicato dos Auditores
Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional).
O estudo dos auditores fiscais mostra que essa defasagem crescente pune, sobretudo,
os contribuintes de mais baixa renda.
Quem ganha até R$ 2.936,94 por mês deveria ser isento de Imposto de Renda,
de acordo com os cálculos, mas acaba sendo tributado atualmente pela alíquota
de 7,5%. Com isso, pessoas com salários cada vez menores vão sendo incluídas na
base de contribuição.
De acordo com a consultoria EY (antiga Ernst & Young), a isenção do tributo beneficiava quem
recebia até oito salários mínimos em 1996 - relação que despencou para 2,47 em
2014.
As "distorções" no IR voltaram ao centro das
discussões econômicas esse ano, após o ministro Levy afirmar que existe uma
discrepância entre os assalariados com carteira assinada, que recolhem IR com
alíquotas entre 7,5% e 27,5%, e parte dos prestadores de serviço, que atua como
pessoa jurídica (PJ) e paga cerca de 4% em impostos, segundo ele.
O principal tributo direto do País, portanto, estaria
perdendo parte da progressividade por causa de fenômenos que afetam tanto a
base como o topo dos contribuintes.
[. . .]
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Empresas & Negócios – 20 de janeiro de 2015 – 08h27 – Internet:
clique aqui.
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