3º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 1,14-20
16 E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
17 Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.
18 E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
19 Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes;
20 e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.
14 Depois que João Batista foi preso, Jesus
foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
15 “O tempo já se completou e o Reino de
Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”.16 E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
17 Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.
18 E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
19 Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes;
20 e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
SEGUIR JESUS
Quando o Batista foi detido, Jesus veio à Galileia e começou
a “proclamar
a Boa Notícia de Deus”. Segundo Marcos, ele não ensina, propriamente,
uma doutrina para que seus discípulos a aprendam e a difundam corretamente.
Jesus anuncia um acontecimento que está já ocorrendo. Ele já o está vivendo e
deseja compartilhar sua experiência com todos.
Marcos resume, assim, a sua mensagem:
·
“O tempo já se completou”: não
devemos olhar para trás.
·
“Está próximo o Reino de Deus”: pois
ele quer construir um mundo mais humano.
·
“Convertei-vos”: não podeis continuar
como se nada estivesse acontecendo, mudai vossa maneira de pensar e agir.
·
“Crede nesta Boa Notícia”: este
projeto de Deus é a melhor notícia que podeis escutar.
Depois desse solene resumo, a primeira atuação de Jesus é
buscar colaboradores para levar adiante seu projeto. Jesus está “passando
junto ao lago da Galileia”. Começou seu caminho. É um profeta
itinerante que busca seguidores para fazer com eles um percurso apaixonante:
viver abrindo caminhos ao Reino de Deus. Não é um rabino [= mestre] sentado em
sua cátedra, que busca alunos para formar uma escola religiosa. Ser cristão não é aprender doutrinas, mas
seguir Jesus em seu projeto de vida.
Quem toma a iniciativa é sempre Jesus. Aproxima-se, fixa seu
olhar naqueles quatro pescadores e chama-os para dar-lhes uma orientação nova a
suas vidas. Sem sua intervenção, jamais nasce um verdadeiro cristão. Aqueles
que creem devem viver com mais fé a presença viva de Cristo e seu olhar sobre
cada um de nós. Se não for ele, que pode
dar uma nova direção a nossas vidas?
Porém, o mais importante é escutar, a partir de dentro, seu
chamado: “Segui-me”. Não é tarefa de um só dia. Escutar esse chamado
significa:
·
despertar a confiança em Jesus,
·
reavivar nossa adesão pessoal a ele,
·
ter fé em seu projeto,
·
identificar-nos com seu programa,
·
reproduzir em nós suas atitudes... e, desse
modo,
·
ganhar mais pessoas para seu projeto.
Este poderia ser, hoje, um bom lema para uma comunidade
cristã: seguir Jesus. Colocá-lo à frente de todos. Recordá-lo,
a cada domingo, como o líder que vai adiante de nós. Gerar uma nova dinâmica.
Centralizar tudo em seguir, mais de perto, Jesus Cristo. Nossas comunidades
cristãs se transformariam. A Igreja seria diferente.
O DEMAIS É RELATIVO
Foram escritas obras muito importantes para definir, com
exatidão, onde está a “essência do
cristianismo”. No entanto, para conhecer o centro da fé cristã, não se deve
recorrer a nenhuma teoria teológica. A primeira coisa é captar o que foi para
Jesus seu objetivo, o centro de sua vida, o absoluto, a causa a que se dedicou
de corpo e alma.
Ninguém duvida hoje, que o evangelho de Marcos resumiu isso,
de modo correto, com estas palavras: “O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos
e crede nesta Boa Notícia”. O objetivo de Jesus foi introduzir no mundo
o que ele chamava “o Reino de Deus”: uma
sociedade estruturada de maneira justa e digna para todos, tal como a quer Deus.
Quando Deus reina no mundo, a humanidade progride em
justiça, solidariedade, compaixão, fraternidade e paz. Jesus dedicou-se a isso
com verdadeira paixão. Por isso foi perseguido, torturado e executado. “O Reino de Deus” foi o absoluto para ele.
A conclusão é
evidente: a força, o motor, o objetivo, a razão e o sentido último do
cristianismo é “o Reino de Deus”, não outra coisa. O critério para medir a
identidade dos cristãos, a verdade de uma espiritualidade ou o valor do que faz
a Igreja é sempre “o Reino de Deus”.
A única maneira de olhar a vida como a olhava Jesus, a única
forma de sentir as coisas como as sentia ele, o único modo de atuar como ele
atuava, é orientar a vida para construir
um mundo mais humano. No entanto, muitos cristãos não ouviram falar assim
do “Reino de Deus”. E não poucos teólogos tiveram que ir descobrindo isso,
pouco a pouco, ao longo de sua vida.
Uma das heresias mais
graves que se foi introduzindo no cristianismo é fazer da Igreja o absoluto.
Pensar que a Igreja é o centro, a realidade diante da qual todo o resto deve
ficar subordinado; fazer da Igreja o “substituto” do Reino de Deus; trabalhar
para a Igreja e preocupar-nos com seus problemas, esquecendo o sofrimento que
há no mundo e a luta por uma organização mais justa da vida.
Não é fácil manter um cristianismo orientado segundo o Reino
de Deus, porém, quando se trabalha nessa direção, a fé se transforma, se faz
mais criativa e, sobretudo, mais evangélica e cristã.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
Fonte: Sopelako San
Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Homilías Ciclo B –
Internet: clique aqui.
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