POLÊMICA: PAPA FRANCISCO ANALISADO
As escolhas de Francisco:
as dúvidas sobre a
reviravolta de Francisco
Vittorio
Messori*
Corriere della Sera
24-12-2014
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Vittorio Messori - escritor católico italiano |
Acredito que seja honesto admitir logo: abusando, talvez, do
espaço que me foi concedido, o que eu aqui proponho, mais de um artigo, é uma
reflexão pessoal. Ou, melhor, uma espécie de confissão que eu teria adiado com
gosto, se não me tivesse sido solicitada. Mas, sim, adiada porque a minha (e
não só minha) avaliação deste papado oscila continuamente entre adesão e
perplexidade, é um juízo mutável dependendo dos momentos, das ocasiões, dos
temas. Um papa não imprevisto: para deixar claro, eu estava entre aqueles que
esperavam um sul-americano e um homem de pastoral, de experiência cotidiana de
governo, quase para equilibrar um admirável professor, um teólogo refinado até
demais para alguns paladares, como o amado Joseph Ratzinger. Um papa não
imprevisto, portanto, mas que logo, desde aquele primeiríssimo "boa
noite", revelou-se imprevisível, a ponto de fazer repensar, pouco a pouco,
alguns cardeais que tinham estado entre os seus eleitores.
Uma imprevisibilidade que continua, perturbando a
tranquilidade do católico médio, habituado a deixar de pensar por conta
própria, quanto a fé e costumes, e exortado a se limitar a "seguir o papa".
Sim, mas qual papa? Aquele de certas homilias matinais em
Santa Marta, das pregações de pároco das antigas paróquias, com bons conselhos
e sábios provérbios, até mesmo com insistentes advertências para não cair nas
armadilhas que o diabo nos prepara? Ou aquele que telefona para Giacinto Marco
Pannella [político italiano do Partido Radical, n.d.t.], envolvido no enésimo e
inócuo jejum e que lhe deseja "bom trabalho", quando, há décadas, o
"trabalho" do líder radical consistiu e consiste em pregar que a
verdadeira caridade está em lutar pelo divórcio, aborto, eutanásia,
homossexualidade para todos, teoria de gênero e assim por diante?
O papa que, no discurso destes dias à Cúria Romana, se
referiu com convicção a Pio XII (mas, na verdade, ao próprio São Paulo),
definindo a Igreja como "corpo místico de Cristo"? Ou aquele que, na
primeira entrevista com Eugenio Scalfari, ridicularizou aqueles que pensavam
que "Deus é católico", quase como se a Ecclesia una, sancta, apostolica, romana fosse um opcional, um
acessório a ser enganchado ou não, dependendo do gosto pessoal, à Trindade
divina?
O papa argentino consciente, por experiência direta, do
drama da América Latina, que está prestes a se tornar um continente
ex-católico, com a passagem em massa daqueles povos ao protestantismo
pentecostal? Ou o papa que toma o avião para abraçar e desejar bom sucesso de
um amigo muito caro, pastor justamente em uma das comunidades que estão
esvaziando a católica e, precisamente, com o proselitismo por ele condenado
duramente nos seus?
Naturalmente, se poderia continuar com esses aspectos que
parecem – e talvez realmente sejam – contraditórios. Poder-se-ia, mas não seria
justo, para um crente. Este sabe que não se olha para um pontífice como para um
presidente eleito da República ou como para um rei, herdeiro casual de outro
rei.
Certamente, no conclave, aqueles instrumentos do Espírito
Santo que, segundo a fé, são os cardeais eleitores compartilham os limites, os
erros, talvez os pecados que distinguem a humanidade inteira. Mas a cabeça
única e verdadeira da Igreja é aquele Cristo onipotente e onisciente, que sabe
um pouco melhor do que nós qual é a melhor escolha, em relação ao seu
temporário representante terreno.
Uma escolha que pode parecer desconcertante para a visão
limitada dos contemporâneos, mas que depois, na perspectiva histórica, revela
as suas razões. Quem conhece realmente a história fica surpreso e pensativo ao
descobrir que – na perspectiva milenar, que é a da Catholica – cada papa, consciente ou não, interpretou a sua parte
idônea e que, no fim, se revelou necessária.
Precisamente por essa consciência, eu escolhi, no que diz
respeito a mim, observar, escutar, refletir sem me arriscar em pareceres
prematuros, se não até temerários. Para nos remetermos a uma pergunta citada
até demais fora do contexto: "Quem sou eu para julgar?". Eu que –
assim como qualquer outro, apenas um excluído – certamente não sou assistido
pelo "carisma pontifício", pela assistência prometida pelo Paráclito.
E, para quem quisesse julgar, não diz nada a aprovação plena, várias vezes
repetida – verbalmente e por escrito – da atividade de Francisco por parte
daquele "papa emérito", embora tão diferente por estilo, por
formação, por programa mesmo?
É terrível a responsabilidade daqueles que hoje são chamados
a responder à pergunta: "Como anunciar o Evangelho aos contemporâneos?
Como mostrar que o Cristo não é um fantasma desbotado e remoto, mas o rosto
humano daquele Deus criador e salvador que a todos pode e quer dar sentido para
a vida e a morte?". Muitas são as respostas, muitas vezes contrastantes.
Naquele pouco que conta, depois de décadas de experiência
eclesial, eu também teria as minhas respostas. "Teria", digo: o
condicional é obrigatório, porque nada nem ninguém me assegura de ter
entrevisto o caminho adequado. Não correria o risco de ser como o cego
evangélico, aquele que quer guiar outros cegos, acabando todos na fossa?
Assim, certas escolhas pastorais do "bispo de
Roma", como ele prefere ser chamado, me convencem; mas outras me deixariam
perplexo, me pareceriam pouco oportunas, talvez suspeitas de um populismo capaz
de obter um interesse tão vasto quanto superficial e efêmero. Eu teria a
observar algumas coisas a propósito de prioridades e de conteúdos, na esperança
de um apostolado mais fecundo.
"Teria", "pensaria": no condicional,
repito, como exige uma perspectiva de fé, em que qualquer um, mesmo leigo
(lembra o Código canônico), pode expressar o seu pensamento, contanto que
pacato e motivado, sobre as táticas de evangelização. Mas deixando ao homem que
saiu vestido de branco do conclave a estratégia geral e, acima de tudo, a
custódia do "depositum fidei".
Em qualquer caso, não esquecendo que o próprio Francisco
lembrou justamente no duro discurso à sua Cúria: é fácil, disse ele, criticar os
padres, mas quantos rezam por eles? Querendo também lembrar que ele, na Terra,
é o "primeiro" entre os padres. E, portanto, pedindo, a quem critica,
aquelas orações das quais o mundo ri, mas que guiam, em segredo, o destino da
Igreja e do mundo inteiro.
Traduzido do
italiano por Moisés Sbardelotto. O
artigo, no original italiano, pode ser acessado clicando aqui.
* Para saber
quem é Vittorio Messori, pode-se
acessar um site em português (clique aqui) ou o site do próprio autor na
internet, em língua italiana, clicando aqui.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
Apoio ao Papa Francisco contra um escritor nostálgico
Leonardo Boff*
Corriere della Sera
04-01-2015
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Leonardo Boff - teólogo brasileiro |
Um pouco por todas as partes, surge forte oposição ao Papa
Francisco, ao seu modo pastoral, aberto, ecumênico e claramente posicionado ao
lado dos pobres e sofredores deste mundo. Isso ocorre dentro da Cúria Romana,
com cardeais e outros prelados e, em geral, em certos grupos mais conservadores
do catolicismo italiano e também brasileiro. Pressionado por esses grupos, o
conhecido convertido e escritor Vittorio
Messori publicou, exatamente na noite de Natal, um artigo critico sobre o
modo do papa exercer seu ministério. No meu modo de ver, não podemos deixar
agredida uma fonte de esperança e de alegria que o Papa Francisco, bispo de
Roma e Pastor universal, trouxe para uma Igreja, altamente desmoralizada e para
o mundo sem condução de líderes com envergadura moral e de liderança confiável.
Aqui vai a minha resposta ao escritor.
Li com um pouco de tristeza o artigo crítico de Vittorio
Messori no Corriere della Sera,
exatamente no dia menos adequado: a feliz noite de Natal, festa de alegria e
luz: "As escolhas de Francisco: as
dúvidas sobre a reviravolta do Papa Francisco". Ele tentou prejudicar
essa alegria ao bom pastor de Roma e do mundo, Papa Francisco. Mas em vão,
porque não conhece o sentido de misericórdia e de espiritualidade desse papa,
virtude que Messori seguramente não demonstra. Por trás de palavras de piedade
e de compreensão, traz um veneno. E o faz em nome de tantos outros que se
escondem por trás dele e não têm a coragem de aparecer em público.
Quero propor outra leitura do Papa Francisco, como
contraponto à de Messori, um convertido que, a meu ver, ainda precisa levar a
termo a sua conversão com a recepção do Espírito Santo, para não dizer mais as
coisas que escreveu.
Messori demonstra três insuficiências: duas de natureza
teológica e outra de compreensão da Igreja do Terceiro Mundo.
Ele se escandalizou com a "imprevisibilidade"
desse pastor, porque "continua perturbando a tranquilidade do católico
médio". É preciso se perguntar sobre a qualidade da fé desse
"católico médio", que tem dificuldade de aceitar um pastor que tem o
cheiro das ovelhas e que anuncia a "alegria do evangelho".
São, em geral, católicos culturais habituados à figura
faraônica de um papa com todos os símbolos do poder dos imperadores pagãos
romanos. Agora, aparece um papa "franciscano", que ama os pobres, que
não "veste Prada", que faz uma crítica dura ao sistema que produz
miséria em grande parte do mundo, que abre a Igreja não só aos católicos, mas
também a todos aqueles que trazem o nome de "homens e mulheres", sem
julgá-los, mas acolhendo-os no espírito da "revolução da ternura",
como ele pediu aos bispos da América Latina reunidos em 2013 no Rio.
Há um grande vazio no pensamento de Messori. Estas são as
duas insuficiências teológicas: a quase ausência do Espírito Santo. Diria mais,
que ele incorre no erro teológico do cristomonismo, isto é, só Cristo
conta. Não há propriamente um lugar para o Espírito Santo. Tudo na Igreja se
resolve com o Cristo somente, o que o Jesus dos Evangelhos exatamente não quer.
Por que digo isso? Porque o que ele deplora é a
"imprevisibilidade" da ação pastoral deste papa. Pois bem, esta é a
característica do Espírito, a sua imprevisibilidade, como diz São João: "O Espírito sopra onde quer, ouves a sua voz,
mas não sabes de onde vem, nem para onde vai" (3, 8). A sua natureza é
a repentina irrupção com os seus dons e carismas. Francisco de Roma no
seguimento de Francisco de Assis se deixa conduzir pelo Espírito.
Messori é refém de uma visão linear, própria do seu "amado Joseph Ratzinger" e de outros
papas anteriores. Infelizmente, foi essa visão linear que fez da Igreja uma
cidadela, incapaz de compreender a complexidade do mundo moderno, isolada no
meio de outras Igrejas e dos caminhos espirituais, sem dialogar e aprender com
os outros, também eles iluminados pelo Espírito.
Significa ser blasfemos contra o Espírito Santo pensar que
os outros pensaram apenas de modo equivocado. Por isso, é sumamente importante
uma Igreja aberta como a quer Francisco de Roma. É preciso estar aberta às
irrupções do Espírito chamado por alguns teólogos de "a fantasia de
Deus", por causa da sua criatividade e novidade, nas sociedades, no mundo,
na história dos povos, nos indivíduos, nas Igrejas e também na Igreja Católica.
Sem o Espírito Santo, a Igreja se torna uma instituição
pesada, cansativa, sem criatividade e, em um certo ponto, não tem nada a dizer
ao mundo que não sejam sempre doutrinas sobre doutrinas, sem suscitar esperança
e alegria de viver.
É um dom do Espírito que este papa venha de fora da velha
cristandade europeia. Ele não aparece como um teólogo sutil, mas como um Pastor
que realiza aquilo que Jesus pediu a Pedro: "Confirma os irmãos na fé" (Lc 22, 31). Traz consigo a
experiência das Igrejas do Terceiro Mundo, especialmente as da América Latina.
Esta é outra insuficiência de Messori: não ter a dimensão do
fato de que, hoje em dia, o cristianismo é uma religião do Terceiro Mundo, como
acentuou tantas vezes o teólogo alemão Johan Baptist Metz. Na Europa, vivem
apenas 25% dos católicos; 72,56% vivem no Terceiro Mundo (na América Latina,
48,75%).
Por que não pode vir dessa maioria alguém que o Espírito fez
bispo de Roma e Papa universal? Por que não aceitar as novidades que derivam
dessas Igrejas, que já não são Igrejas-imagem das velhas Igrejas europeias, mas
Igrejas-fonte, com os seus mártires, confessores e teólogos?
Talvez, no futuro, a sede do primado não será mais Roma e a
Cúria, com todas as suas contradições, denunciadas pelo Papa Francisco na
reunião dos cardeais e dos prelados da Cúria com palavras só ouvidas na boca de
Lutero e, com menos força, no meu livro condenado pelo cardeal J. Ratzinger, Igreja:
carisma e poder (1984), mas lá onde vive a maioria dos católicos: na
América, África ou Ásia. Seria um sinal justamente da verdadeira catolicidade
da Igreja dentro do processo de globalização do fenômeno humano.
Esperava mais inteligência e abertura de Vittorio Messori
com os seus méritos de católico, fiel a um tipo de Igreja e renomado escritor.
Este Papa Francisco trouxe esperança e alegria para tantos católicos e outros
cristãos. Não percamos esse dom do Espírito em função de raciocínios bastante
negativos sobre ele.
Traduzido do
italiano por Moisés Sbardelotto. O
artigo, no original italiano, pode ser lido clicando aqui.
* Para saber
quem é Leonardo Boff e sua obra,
pode-se clicar aqui e aqui.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
A resposta de Vittorio
Messori a este artigo de Leonardo Boff pode ser lida clicando aqui (por enquanto, apenas em italiano)
Para a Cúria, é tempo de reformas, não de nomeações
Andrea
Riccardi*
Corriere della Sera
05-01-2015
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Andrea Riccardi - historiador católico italiano |
O Papa Francisco não está em xeque, como algumas coletas de
assinaturas em seu favor levam a acreditar. Os novos cardeais são uma
iniciativa forte: indicam os bispos que ele quer como seus conselheiros, aos
quais, dentre outras coisas, é confiada a escolha do seu sucessor.
Todos pastores, exceto um curial. Mas o papa não ignora a
Cúria. Ele lhe dedicou um grave discurso antes do Natal, pedindo uma reforma
espiritual da cúpula para dar alma à instituição, a ser discutida no próximo
consistório. Ele quer mudar a Cúria: dois anos de papado o confirmam naquele
que foi o pedido dos seus eleitores. Para a Cúria, é tempo de reformas mais do
que de nomeações.
A "caridade
pastoral" é a chave de todas as nomeações de Francisco. Vê-se isso
também nos cardeais com mais de 80 anos escolhidos por ele. Ele não olhou para as carreiras: um
colombiano de 95 anos que foi padre conciliar no Vaticano II e um bispo
moçambicano que reconstruiu a Igreja depois da revolução. Há também um
ex-núncio, Rauber, conhecido por uma
entrevista crítica sobre as nomeações de Bento XVI.
Francisco, acima de tudo, chama as periferias para
participar. Com 14 cardeais bispos, fortalece o laço com mundos distantes,
inserindo-os nos processos colegiais. Há muito tempo acabaram as nunciaturas
"cardinalícias", cujos titulares recebiam automaticamente a púrpura.
Agora caem as dioceses "cardinalícias". Os cardeais são a voz de um
povo no concerto da Igreja, não mais os titulares de uma sede histórica.
Faltava uma voz portuguesa, e o papa escolheu Clemente, de Lisboa, herdeiro do
cardeal Policarpo, conhecido pelo seu espírito aberto. Com a nomeação do
arcebispo de Hanói, o Vietnã mantém a sua voz no Colégio Cardinalício. O
fervoroso povo católico de Cabo Verde, composto por muitos migrantes, encontra
espaço entre os cardeais. As nomeações na Ásia e na Oceania expressam a atenção
do papa à parte menos católica do globo.
Francisco não olha
apenas para o mundo eclesiástico. Ele desenha a geografia de uma Igreja amiga
de muitos povos (pequenos e grandes, católicos ou não). As periferias católicas estão representadas
e, de alguma forma, entram no "centro".
O papa também olha para a Itália. Não redimensiona o
catolicismo italiano, como alguns estão dizendo. Ao contrário, quer redespertá-lo.
Vai lhe dedicar tempo com a próxima visita a uma cidade complexa como Nápoles,
à qual se seguirá Turim.
O papa segue a sua própria vida: não está ligado aos mecanismos tradicionais de promoção cardinalícia,
desequilibrados em favor do Norte. Nomeia dois cardeais na Itália (é o
único país): Francesco Montenegro,
bispo de Lampedusa e dos migrantes, Edoardo
Menichelli, bispo pastoral e colaborador do cardeal Silvestrini.
Depois de uma fase de passagem, Francisco amadureceu uma
liderança na Itália. Vê-se isso com o discurso do dia 31 de dezembro sobre
Roma, extensível à Itália: "Quando
uma sociedade ignora os pobres (…) essa sociedade se empobrece até a miséria,
perde a liberdade".
Ele perguntou: "Somos
apagados, insípidos, hostis, desconfiados, irrelevantes e cansados?".
É uma pergunta também para os católicos italianos. É preciso colocar novamente
no centro os pobres em uma Igreja "pastoral". Com dois novos
cardeais-pastores, o papa repropõe a
"conversão pastoral".
Resistências existem, expressas e não expressas, na Cúria e
na Itália. Francisco sabe disso e não faz guerras. Ele não teme o debate, mesmo
que não goste quando se usa a imprensa para lutas eclesiais. Ele indicou o seu programa: a
[exortação apostólica] Evangelii gaudium.
Nisso, ele segue em frente. E escolheu novos companheiros de viagem.
Traduzido do
italiano por Moisés Sbardelotto. O
artigo, no original italiano, pode ser acessado clicando aqui.
* Andrea Riccardi é historiador, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro
italiano.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
Francisco errou declarando guerra à Cúria?
Anne Soupa*
Conférence Catholique des Baptisé-e-s Francophones
Site: www. baptises.fr
02-01-2015
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Anne Soupa - jornalista, biblista e teóloga |
Savonarola**
havia dito que a Cúria romana era uma
“prostituta orgulhosa e mentirosa”. Ele está morto.
Francisco é agora mais frágil por causa da denúncia das
“quinze doenças da alma” [para ler este famoso discurso, clique aqui] que lançou na face dos cardeais e dos prelados da
cúria? Por que não preferiu uma ação discreta, caso por caso? Estava em
dificuldade antes? Está mais agora?
Antes de qualquer outro elemento de resposta, é preciso
recordar que sua denúncia é fundada. Já
Bento XVI havia fustigado aqueles maus servidores do Evangelho que querem
somente o próprio bem, e depois empalideceu ante o escândalo dos Vatileaks***.
Enfim, os cardeais do conclave haviam inserido a limpeza da
cúria como uma prioridade no roteiro proposto ao papa. Francisco, aos 22 de dezembro [no discurso aos cardeais e bispos da
Cúria Romana], só fez o seu trabalho.
É o que as correntes tradicionalistas tentam fazer esquecer.
Por exemplo, logo Nicolas Diat [vaticanista]
denunciou “acusações no limite da difamação”, riscos de danos colaterais...
evidentemente. Outras intervenções, despertando o legendário sentimento de
culpa católico, desfrutaram de uma expressão cortês do Papa, para dizer que
aquelas doenças eram “de todos nós”, para impelir os católicos ao exame de
consciência e desviar, portanto, a bordoada destinada à Cúria. Velha tática: diluir, diluir ainda e
sempre, o princípio ativo que resultará rapidamente neutralizado. Mas,
estejamos atentos, mantenhamos o olhar na correta direção de rota: aquelas doenças não são as do católico
mediano, são precisamente aquelas do poder: carreirismo, duplicidade de
linguagem, mundanidade espiritual... Enfim, Dom Bernard Podvin,
porta-voz do episcopado francês, escolheu, de seu lado, outro comportamento: a
recusa de dar-se conta. “Nas paróquias, ninguém se põe este gênero de
problemas. Francisco é muito apreciado pelos bispos e pelos fiéis... Não há
nenhuma guerra..." A pergunta subsequente é saber se seria boa tática bater
forte, como fez Francisco.
Não corre risco que se constitua verdadeira oposição, agora
cimentada pelo opróbrio? Odon Vallet
[historiador da Igreja] teme que a escolha do Papa seja fatal. Teria sido
preferível o silêncio, teria evitado tomar a peito a pesada máquina que destruiu
mais de um Papa. Fazendo assim, Odon Vallet escolhe responder afirmativamente a
uma pergunta debatida com frequência: a Igreja obedece às regras e estratégias
do mundo? Sim, porque é evidente que o
silêncio e o poder discreto de nomeação e revogação são um remédio que
demonstrou sua validade, também na Igreja.
Todavia, aqui eu pleitearia algo mais. A Igreja não pode
limitar-se a aplicar regras prudenciais clássicas. Deve ir além. A sequela Christi [trad.: o seguimento de
Cristo] é uma disposição que não se discute quando se é bispo ou cardeal.
Ninguém é obrigado a permanecer num certo cargo, se não está alinhado com o
próprio encargo. E evitamos invocar aqui a indulgência, que seria somente
debilidade. Ela já não foi suficientemente denunciada por ocasião dos
escândalos recentes de pedofilia? Francisco talvez possa prestar-se a cobrir
práticas penalmente condenáveis ou contrárias à lógica de um empenho diante de
Deus? No sulco do Evangelho, Francisco, o justo, denuncia aqui a duplicidade de
linguagem dos fariseus: dizem e não fazem... E, incidentalmente, recorda que
não se pode conduzir a um bom fim um Sínodo sobre a família destinado a
recordar aos fiéis as exigências do seu empenho, quando a Cúria escolhe não dar
a mínima.
Diversos vaticanistas, como Marco Politi, sublinham que o Papa está em dificuldade. Talvez.
Mas, as dificuldades são feitas para serem superadas e todos sabem que o Papa é
esperto. Sua desaprovação violenta e um pouco teatral pode ser um apelo aos
católicos e à opinião pública para apoiá-lo. Certo, uns 90% o apoiam. Mas,
concretamente, podem ajudá-lo? A pergunta, tragicamente, não tem uma resposta
positiva: faltam aos católicos os canais
institucionais para se fazerem ouvir. Cada bispo deve realizar a comunhão
em sua diocese e se fazer, nolens volens
[trad.: querendo ou não], o eco das expectativas dos fiéis. E eles o fazem?
Alguns sim, outros não. E as “idas a Roma” dos bispos por ocasião de suas
visitas ad limina se chocam com certa
mesquinhez e condescendência da parte dos funcionários de cúria que, com
frequência, morrem de sufocamento.
Quanto às Conferências episcopais nacionais, os seus
comportamentos são divergentes. Enquanto a Conferência
episcopal alemã soube, com maioria, tomar posição junto ao Papa em favor de
uma adaptação da disciplina eclesial relativa ao matrimônio, a Conferência episcopal francesa, por
outro lado, se destaca pelo seu
silêncio. Aliás, ela havia “omitido” colocar online em seu site o questionário
de 2013 sobre a preparação ao Sínodo. Agora não abre a boca, suscitando até a
ironia do cardeal Kasper. Mas, está
consciente que a sobrevivência da Igreja passa pelo seu apoio ativo a um Papa
do qual se diz que é sua última chance? Aparentemente, não...
Restam as iniciativas
específicas do povo católico, que não tem na própria Igreja algo
equivalente a uma assembleia de tipo parlamentar que lhe faça eco. Sim, o povo católico, o francês em
particular, está dramaticamente só neste momento. Como... o Papa, já que
90% da Cúria o desaprovaria. Estranha conjunção esta, de um Papa e de um povo, na mesma linha, mas sem meios para fazer corpo...
Entender-se-á, enfim, que a máquina
eclesial deve ser desbloqueada [desenferrujada]? Hoje, ao povo, resta
somente a petição, a praça ou uma gigantesca, generosa reunião, em Roma, quem
sabe.
Traduzido do francês
por Benno Dischinger. O artigo, no
original francês, pode ser lido clicando aqui.
* Anne Soupa, jornalista, biblista e teóloga, é representante do movimento
católico leigo francês Conférence Catholique des Baptisé-e-s Francophones
(Conferência Católica dos Batizados/as Francófonos), .
** Girolamo Savonarola (nascido em Ferrara [Itália], 21 de
setembro de 1452 — falecido em Florença [Itália], 23 de maio de 1498), cujo
nome é por vezes traduzido como Jerônimo Savonarola ou Hieronymous Savonarola,
foi um padre dominicano e, por curto período, governou Florença. Este
reformador dominicano veio de uma antiga e tradicional família de Ferrara.
Intelectual muito talentoso devotou-se a seus estudos, em especial à filosofia
e à medicina (para saber mais, clique aqui).
*** O Vatileaks é um escândalo envolvendo documentos
secretos que vazaram do Vaticano, que revelam a existência de uma ampla rede de
corrupção, nepotismo e favoritismo relacionados com contratos a preços
inflacionados com os seus parceiros italianos. Este termo foi usado pela
primeira vez pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em comparação
com o fenômeno Wikileaks. O escândalo veio à tona em janeiro de 2012, quando o
jornalista italiano Gianluigi Nuzzi
publicou cartas do cardeal Carlo Maria Viganò, anteriormente o segundo
administrador do Vaticano, em que ele implorava para não ser transferido por
ter exposto uma suposta corrupção que custou a Santa Sé um aumento de milhões
nos preços do contrato (para saber mais, clique aqui).
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
Messori, Boff e o Papa Francisco: quem ataca e quem
defende
Andrea Grillo*
Come Se Non (blog)
03-01-2014
As perturbações do
católico médio [Vittorio] Messori.
Se a Cúria Romana está
doente, os leigos clericais não estão melhores.
Andrea Grillo - teólogo e liturgista italiano |
Considero muito útil que Vittorio Messori tenha dado voz às
suas reservas sobre o papado de Francisco. Ele não é o primeiro a fazê-lo, mas
é importante que o tenha feita na forma de uma "confissão", como ele
mesmo admite justamente no início do seu artigo.
Gostaria brevemente de examinar os argumentos que ele
utiliza e gostaria de fazê-lo sine ira ac
studio [trad.: sem ira nem paixão],
controlando, o máximo possível, a forma do raciocínio e as implicações que ele
subentende.
Começa-se, portanto, na forma de uma confissão: o Papa
Francisco parece ser, aos olhos de Messori, "imprevisível" e
"fonte de perturbação". Mas parece ser como tal apenas na medida em
que Messori, com um esforço não exagerado, tenta se assemelhar ao
"católico médio", que se identificaria naquele que tradicionalmente
foi "exortado a se limitar a seguir o papa".
Já neste plano parece ser frágil demais o argumento retórico
utilizado por Messori: ele constrói um
modelo de católico com base em uma leitura substancialmente do século XIX,
apologética e "papalina" da identidade, a qual gostaria de
obrigar nada menos do que a identidade papal. Se alguém é o papa, segundo Messori, deve, acima de tudo, obedecer não
à Palavra de Deus, mas à tradição humana do século XVIII de interpretação do
primado petrino, aquela à qual o bispo Lefebvre está ligado
definitivamente, com as consequências que conhecemos.
Há aqui uma inversão
fragorosa das prioridades: a ordem social católica torna-se o critério de
interpretação não só do papa, mas também da Igreja e da própria Palavra de
Deus.
A partir desse primeiro grave erro argumentativo, Messori
deduz, inevitavelmente, uma série de contradições entre "diversos
papas", enumerando as várias tomadas de palavra que o Papa Francisco já
nos acostumou a considerar com grande interesse: homilias, exortações,
repreensões, telefonemas, piadas, considerações de sabedoria, decisões
administrativas, impulsos proféticos, meditações pastorais...
E Messori, de modo aparentemente ingênuo, se pergunta:
"Qual, dentre essas diversas formas de exercício do papado, devemos
seguir?". Aqui também o defeito de raciocínio é bastante evidente e
altamente preocupante. Como Messori é
vítima de uma leitura apologética e "política" do papado, não consegue
distinguir os diversos níveis de respeitabilidade [autorevolezza] e de
autoridade [autorità] das expressões papais. O que diz respeito,
evidentemente, não só a Francisco, mas a "todo" papa.
O embaraço de Messori deriva, evidentemente, de uma
personalização indevida da figura papal, justamente aquela contra a qual
Francisco gastou algumas das suas palavras mais fortes. Esse é o fruto de uma
história que inicia com aquele "a
minha pessoa não conta nada" de João XXIII, assomado na noite do dia
11 de outubro de 1962 à janela do Palácio Apostólico, debaixo a lua e diante da
multidão à espera.
Essa mensagem, que depois o Concílio Vaticano II amplamente
articulou e determinou, não chega até Messori. Ele não aceita a Igreja articulada, diferenciada, com ministerialidade
plural: ele quer um papa forte, mas reduzido a um repetidor do Catecismo – e
seria melhor ainda se ele se limitasse a ser um repetidor do Compêndio do
Catecismo da Igreja Católica. À Igreja de Messori, serve não um papa
verdadeiro, mas apenas um compêndio de papa, um papa assustado, nostálgico,
esquivo, talvez com muita sabedoria, mas absolutamente sem profecia.
A tudo isso, no entanto, é preciso acrescentar a conclusão
do texto de Messori, totalmente no "condicional", dedicada às
hipóteses "diferentes" que ele poderia sugerir a Francisco, mas
também selada com aquela indicação da oração como o horizonte de
"colaboração", à distância, com o bispo de Roma.
Sobre isso, Messori e Francisco concordam: o segundo sempre
pede que se reze por ele, e o primeiro concluiu convidando a rezar pelo papa.
Tudo bem? Talvez.
Resta uma impressão profunda de incompreensão: Messori não consegue entender o primeiro
papa "filho do Concílio Vaticano II". Ele podia entender os papas
enquanto eles eram pais do Concílio. O
primeiro filho papa do Concílio e filho da América é, para Messori,
"imprevisível", justamente por ser "incompreensível".
Quão diferente e quão mais madura do ponto de vista
eclesial, ao invés, tinha parecido a reação do grande moralista Marciano Vidal, quando, alguns meses
depois da eleição de Francisco, tinha observado com perspicácia que Francisco
logo tinha sido reconhecido como papa por causa de um "pressentimento eclesial", que a Igreja soubera elaborar
50 anos depois do Concílio.
Havia, na Igreja, um
pressentimento da possibilidade de que um papa pudesse ser como Francisco.
Por isso, pôde-se reconhecê-lo como papa, desde as suas primeiras palavras. A uma Igreja que confia no seu próprio
pressentimento, seria fácil contrapor uma Igreja feita somente de apegos e de
ressentimentos... Seria fácil, mas não seria justo.
Em vez disso, gostaria de agradecer a Messori por essa sua
confissão e também gostaria de recuperar o seu desejo de oração, como horizonte
comum de uma Igreja que, descobrindo-se como "campo de refugiados",
também deve se ocupar dos "refugiados
do Concílio de Trento e do Vaticano I": seja daqueles vestidos de vermelho,
que se sentam preocupados na Cúria Romana, seja com aqueles de terno e gravata,
que escrevem perturbados nos grandes jornais.
Traduzido do
italiano por Moisés Sbardelotto.
Para ler este artigo no original, clique aqui.
*
Andrea Grillo é teólogo
italiano, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, de Roma; do Instituto
Teológico Marchigiano, de Ancona; e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia
de Santa Giustina, de Pádua.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 8 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
O Papa Francisco e as críticas
Enzo Bianchi*
Revista JESUS
Janeiro de 2015
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Enzo Bianchi - monge e teólogo italiano |
No saco de mendicante que eu trago a tiracolo e que, no
caminho, muitas vezes me bate no coração, eu reúno coisas preciosas que guardo
amorosamente, também para tirá-las para fora no tempo oportuno, mas também há
outras que, depois de um atento discernimento, eu deixo cair no chão: não são
dignas de serem conservadas.
Entre esses objetos, às vezes há pedras que alguns atiram
para me atingir: algumas me alcançam e me ferem, outras passam ao lado. Mas
todas caem no chão, e eu não as pego de volta para não ter a tentação de
jogá-las novamente ao remetente. Nisso também me ajuda a velhice e o seu fato
de conhecer o acúmulo de ações que não deixam vestígios.
Para ser sincero, eu não sou tentado nem mesmo a me
defender: só se fossem calúnias pertinentes à fé ou à moral eu reagiria, para
me interrogar e avaliar uma eventual defesa.
Pensando nisso, surge diante de mim a imagem do Papa
Francisco, esse bispo de Roma que, inesperado pela maioria, fez com que se
reacendesse novamente o fogo do Evangelho que não estava apagado, mas chocava
debaixo das cinzas acumuladas nas últimas décadas, depois do arder da hora do
Concílio.
O Papa Francisco tem
muitos inimigos ou, melhor, sabe que muitos se opõem a ele, não conseguem ter
simpatia por ele, não estão dispostos a ouvi-lo: são estes que se sentem
como seus inimigos, mesmo que ele, justamente em nome do Evangelho que ele quer
viver a cada dia com radicalidade, se recuse a considerá-los como tais e a agir
em consequência, segundo a estratégia humana exigida pela contraposição.
A única defesa que
ele realiza é a denúncia das "fofocas" – eu as definiria como
"murmurações" – que ele faz frequentemente, comentando o Evangelho
na missa matinal em Santa Marta. Fofocas que não são críticas de rosto aberto,
exercício de parresia [grego: desassombro, arrojo, atrevimento] e
franqueza, mas palavras lançadas como flechas no escuro, repetidas em
conciliábulos, acusações em meia voz que até sugerem uma infidelidade sua à
tradição da Igreja e à doutrina católica.
Devemos reconhecer: também havia críticas contra João Paulo
II e Bento XVI, mas para Francisco há
também um sutil desprezo. Ele é julgado como "não teólogo", ele é
lido com desconfiança. Acima de tudo, sente-se desconforto em relação aos seus
gestos simples e espontâneos, humanos e tão pouco hieráticos para parecer
populistas.
No entanto, Francisco vive como sempre viveu – ele mesmo
confessa que se propôs a não mudar de vida ao se tornar papa – na simplicidade,
deixando que a paixão do Evangelho o mova, sem prestar muita atenção a estilos
consolidados de poder e de corte.
Certamente, é um papa
diferente no estilo daqueles que o precederam, mas essa é uma riqueza para a
Igreja que é universal e não pode continuar se expressando apenas em atitudes
muito ligadas à cultura europeia.
A operação de discernimento autêntico com a ajuda do
Espírito Santo que deveria ser feita é, em vez disso, aquela sobre o elemento
que mais propriamente lhe compete: confirmar os irmãos na fé, estar no meio
deles como aquele que serve, pastorear os seus irmãos e as suas irmãs amando o
Senhor mais do que todas as suas próprias coisas.
Eu sou um pouco mais jovem do que Francisco, e o que me impressiona nele todas as vezes
que eu o encontro é a sua fé sólida como a rocha, a sua convicção apaixonada de
crente a quem Deus renova a força e a juventude, a sua crença de que Jesus
Cristo é o Evangelho e o Evangelho é Jesus Cristo.
E então, por que, a cada dia que passa, aumentam os seus
opositores, que parecem ter a mesmo perfil daqueles homens religiosos que Jesus
repreendia: obcecados pela lei, sem misericórdia, homens da letra intencionados
apenas a se defender, pessoas autorreferenciais que espiam o pecado nos outros
e nunca o confessam como próprio?
Alguns destes, sempre na penumbra eclesial, chegam até a
indicá-lo como culpado de heresia bondosa; outros dizem que ele está destruindo
a Igreja e a imagem do papado; alguns chegam até a considerá-lo como papa
ilegítimo...
Mas Francisco sabe que pode contar com a oração constante
que sobe por ele da Igreja, a qual precisa dele ser o rebanho do Senhor.
Traduzido do
italiano por Moisés Sbardelotto. Para ler este artigo no original, clique aqui.
*
Enzo Bianchi é um
famoso monge e teólogo italiano, fundador da Comunidade de Bose, na Itália,
autor de livros traduzidos em várias línguas.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 8 de janeiro de 2015 –
Internet: clique aqui.
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