21º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Homilia
Evangelho:
João 6,60-69
Naquele tempo:
60
muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura.
Quem consegue escutá-la?”.
61
Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus
perguntou:
“Isto vos escandaliza?
62
E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes?
63
O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei
são espírito e vida.
64
Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram
os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo.
65
E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim a não ser que
lhe seja concedido pelo Pai”.
66
A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais
com ele.
67
Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?”.
68
Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.
69
Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
POR QUE FICAMOS?
Durante
estes anos, multiplicaram-se as análises e estudos sobre a crise das Igrejas cristãs na sociedade moderna. Esta leitura é
necessária para conhecer melhor alguns dados, porém resulta insuficiente para
discernir qual deve ser a nossa reação. O episódio narrado por João nos pode
ajudar a interpretar e viver a crise com profundidade mais evangélica.
Segundo
o evangelista, Jesus resume, assim, a crise que se está criando em seu grupo: «As palavras que eu vos disse são espírito e
vida. E, no entanto, alguns de vós não creem». É verdade. Jesus introduz em quem o segue um espírito
novo; suas palavras comunicam vida; o programa que propõe pode gerar um
movimento capaz de orientar o mundo para uma vida mais digna e plena.
Porém, não é pelo fato de
estar em seu grupo que está garantida a fé! Há aqueles que resistem em aceitar seu
espírito e sua vida. Sua presença ao redor de Jesus é fictícia; sua fé nele não
é real. A verdadeira crise no interior
do cristianismo é sempre esta: cremos ou não cremos em Jesus?
O
narrador diz que «muitos recuaram e não
andavam mais com ele». Na crise se revela quem são os verdadeiros
seguidores de Jesus. A opção decisiva é
sempre essa: quem se afasta e quem permanece com ele, identificados com seu
espírito e sua vida? Quem está a favor e quem está contra seu projeto?
O
grupo começa a diminuir. Jesus não se irrita, não pronuncia nenhum juízo contra
ninguém. Somente faz uma pergunta aos que permaneceram junto dele: «Vós também quereis ir embora?». É a
pergunta que é feita hoje àqueles que continuam na Igreja:
- O que nós queremos?
- Por que ficamos na Igreja?
- É para seguir Jesus, aceitando seu espírito e vivendo o seu estilo de vida?
- É para trabalhar em seu projeto?
A
resposta de Pedro é exemplar: «Senhor,
a quem nós iremos. Tu tens palavras de vida eterna». Aqueles que ficam,
o devem fazer por Jesus. Somente por Jesus. Por nada mais. Comprometem-se com
ele. O único motivo para permanecer em
seu grupo é ele. Ninguém mais.
Por mais dolorosa que nos
possa parecer a crise atual, ela será positiva se aqueles que ficarem na
Igreja, muitos ou poucos, forem se convertendo em discípulos de Jesus, isto é, em homens e
mulheres que vivem de suas palavras e de sua vida.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
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