DOIS PAÍSES, DOIS EXEMPLOS, DUAS LIÇÕES . . .
Jerusalém e o passado
Issa Goraieb
Jornalista
radicado em Beirute (Líbano)
Sem que isso tenha nada a ver com a guerra da Síria,
Israel não escapa
do clima de crise que afeta vários outros países do
Oriente Médio.
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Conflitos explodem entre palestinos e israelenses neste mês de outubro. Seria o início da terceira intifada? |
Pequeno
em termos de superfície e população, o Estado hebreu é, entretanto, uma das
principais potencias da região. Dotado de equipamentos ultramodernos de origem
essencialmente americana, seu Exército infligiu inúmeras derrotas a coalizões
militares árabes muito superiores em efetivos.
Israel é o único país,
aliás, nesta parte do mundo, que tem um arsenal nuclear. Embora não tenha
dificuldade para defender suas fronteiras, é em seu interior que Israel sofre
de uma grande vulnerabilidade. De fato, nunca
conseguiu conciliar os dois imperativos que são, para ele, a anexação formal ou
latente dos territórios árabes conquistados em guerras sucessivas, e sua
segurança interna, periodicamente comprometida por violentos levantes populares
nas zonas ocupadas, acompanhados por atos de terrorismo que visam militares
ou civis israelenses.
É o
que vem acontecendo desde o início de outubro, com os sangrentos tumultos
provocados pela irrupção de fiéis judeus na Esplanada das Mesquitas, em
Jerusalém, cidade sagrada onde as paixões religiosas se revestem frequentemente
de uma intensidade que beira a histeria.
A Esplanada é o terceiro
lugar sagrado para o Islã, pois abriga o Domo da Rocha, de onde o profeta Maomé
teria subido aos céus, e a grande
Mesquita al-Aqsa; mas este lugar é
também o mais sagrado do judaísmo, porque nele se encontra o Muro das
Lamentações, único vestígio do Segundo Templo erguido sob o rei Herodes, no
mesmo lugar do Templo (completamente destruído) de Salomão.
A
Esplanada das Mesquitas é administrada por uma fundação islâmica presidida pelo
Reino de Jordânia, mas é Israel que controla o seu acesso. Os judeus só podem
ser admitidos em determinadas horas, mas sem ter o direito de recitar orações
em seu interior. Os muçulmanos podem orar a qualquer momento, mas são
submetidos a severas restrições israelenses.
É a
preservação deste complexo status quo
que está em jogo atualmente, porque Israel
recusou de fato todos os projetos de internacionalização dos lugares santos
judaicos, muçulmanos e cristãos de Jerusalém, fórmula que permitiria que os
adeptos das três grandes religiões monoteístas se dedicassem livremente, sem
conflitos, ao culto de um Deus que, por sua vez, é o de todos e de ninguém.
Ocorre
que - isso dura já um século - a briga a
respeito dos lugares sagrados continua sendo a causa direta das sequências mais
sangrentas do conflito israelense-palestino. Aliás, o debate é tão violento
que acaba de dar lugar a incríveis absurdos equivalentes a uma discutível
tentativa de reescrever a História. Vimos também Binyamin Bibi Netanyahu provocar indignação - até em Israel - ao
afirmar diante do Congresso sionista que Hitler só queria deportar os judeus e
não exterminá-los, mas que o mufti de Jerusalém, Haji Amin el-Husseini, personagem reverenciado pelos palestinos, o
teria incitado a perpetrar o Holocausto.
Por
sua vez, vários países árabes tentaram
conjuntamente fazer com que a Unesco adotasse um projeto de resolução que
tornaria o Muro das Lamentações uma
parte integrante da Esplanada, o que causou a ira de Israel e a total
reprovação da secretaria desta organização internacional. Estes países
(Egito, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Argélia, Marrocos e Tunísia) acabaram
renunciando à exigência; entretanto, eles obtiveram da Unesco uma firme
condenação das agressões israelenses, das medidas ilegais tomadas contra os
fiéis muçulmanos, e das irrupções de extremistas judeus na Esplanada.
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ISSA GORAIEB Jornalista autor deste artigo |
Entretanto,
mais urgente do que estas ofensas à verdade histórica é o trágico presente, os confrontos que deixaram em três semanas uma dezena
de israelenses e cerca de 50 palestinos mortos. Não menos angustiantes são
as perspectivas do futuro. Sucessivamente, Ban Ki-moon e John Kerry
esforçaram-se por pedir o comedimento aos dois campos, sem, porém, propor um
plano preciso para pôr fim ao impasse.
O
secretário-geral da ONU disse que compreendia os sentimentos dos dois lados: a frustração dos palestinos diante da
incapacidade das grandes potências de encaminharem novamente o processo de paz,
mas também a cólera dos israelenses
diante da multiplicação dos ataques terroristas de que são alvo.
Ban Ki-moon não repudiou o
comportamento de uns e de outros. Pediu aos palestinos que depusessem pedras e
facas e lembrou aos israelenses que
somente uma paz justa poderá garantir sua segurança.
Em
Berlim, onde se encontrou com Binyamin Netanyahu, o secretário de Estado
americano John Kerry exigiu o fim de toda violência. Mas, para tanto, ainda será preciso que a razão vença a
paixão.
Tradução de Anna Capovilla.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Internacional
– Domingo, 25 de outubro de 2015 – Pg. A17 – Internet: clique aqui.
“O peronismo acabou; hoje é uma
marca decadente”
Entrevista
com Julio Bárbaro
Dirigente peronista
Rodrigo
Cavalheiro
O movimento de Perón foi um esforço de integração dos
excluídos e
uma barreira contra o marxismo, diz ideólogo Julio
Bárbaro
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JULIO BÁRBARO Dirigente e militante peronista argentino |
O
peronismo acabou, garante o dirigente
peronista Julio Bárbaro, de 73 anos. Decano da corrente política que
governou a Argentina por 25 dos últimos 32 anos de democracia, a experiência
não o fez se aproximar dos grupos guerrilheiros ligados à esquerda do movimento.
"Que a ditadura seja genocida não
significa que a guerrilha seja lúcida", escreveu num artigo, elogiado
em uma carta de seu amigo Jorge
Bergoglio, que o recebeu no Vaticano no ano passado já como [papa] Francisco.
Sempre pertenceu à ala católica do movimento.
Proibido
pelos médicos de dar entrevista para TVs e rádios após a colocação de um stent, ele recebeu o jornal O Estado de S. Paulo na semana passada
no apartamento que aluga na Recoleta. "Sou dos poucos que não ficaram ricos e foram
morar em Puerto Madero", afirma orgulhoso. Considera os Kirchners "o triunfo da esperteza e da falta de
conteúdo". A essência do peronismo, que para ele nunca foi um partido,
mas uma ideia de inclusão social acima das ideologias, deixou de existir. "O peronismo hoje é uma marca de
hambúrguer. Posta numa almôndega, vende."
A
seguir, a íntegra da entrevista.
Um
decano do peronismo consegue explicar o que ele é?
Julio Bárbaro: O peronismo não foi um
partido, foi a integração dos excluídos à sociedade. Perón usa essa ideia para
promover a igualdade. Foi também uma barreira contra o marxismo, que fracassou
em todos os lados. Fracassou na Rússia, na China, em Cuba. Esse marxismo hoje é
usado pelo governo argentino para cobrir os negócios kirchneristas. O kirchnerismo, que é um capitalismo sem
piedade e sem ideia de desenvolvimento, incorpora os marxistas para fazer sua
defesa. Inclui o sectarismo deles, mas não a distribuição econômica. Hoje temos a decadência do peronismo.
Perón
não imaginava um peronismo assim?
Bárbaro: Perón faz uma última
tentativa de evitar a guerrilha. Ele diz à esquerda que a guerrilha nunca vai
ganhar de um exército regular. Que a ditadura seja genocida não significa que a
guerrilha seja lúcida. Recebi cartas de Jorge
Bergoglio concordando comigo. A
guerrilha foi um fracasso, um suicídio, mas os militares genocidas foram tão
ruins que devolveram prestígio a alguém não merecia. Não temos um José
Mujica, um guerreiro de verdade, que aparece e se apresenta como pacificador.
Aqui somos todos falsos. O kirchnerismo
e o menemismo herdam a memória, mas não as ideias. [1]
Pesquisas
da própria campanha do candidato governista Daniel Scioli indicam que seu
principal problema é não ser visto como um líder. Estão tentando mudar essa
imagem para chegar aos 45% que lhe dariam a vitória no primeiro turno,
colocando-o em encontros como estadista, ao lado de presidentes. Isso funciona?
Bárbaro: Se eu fico perto dos
jovens, não perco idade. Ele tem de se apresentar como presidente, não como o comandado
pela Cristina. Eu disse a ele que ninguém chega ao poder de joelhos. Se ela
seguir com a humilhação a ele, não será nada. Ninguém vota em um humilhado.
Isso não se resolve com uma foto com ninguém.
Em
todos os discursos, ele menciona o papa Francisco. Para o papa ele é uma boa
pessoa?
Bárbaro: Sim. Mas eu também, sou
mais amigo que ele do papa. Que tem a ver? O papa serve na Argentina para algo
mais importante. O papa é um argentino
com um pensamento transcendente que a maioria dos argentinos não queria ver.
Fui intermediário entre Bergoglio e Néstor Kirchner (em 2004, o presidente
se ofendeu em uma missa em que o cardeal criticou a corrupção). Como era amigo
dos dois, tentei reaproximá-los. Mas
Néstor não queria ver ninguém que não pudesse dominar. Néstor não era um estadista, não fez nada importante. Era um esperto.
Néstor é o triunfo da esperteza. É o pior que os argentinos têm como
identidade. Temos um papa capaz de ir ao Muro das Lamentações com muçulmanos e
judeus, mas ficamos com os vendedores de
ódio.
O
papa é peronista como dizem?
Bárbaro: Perón deu ideias
importantes. Os fiéis de Bergoglio eram
peronistas, ele não. Ele nunca apoiou a guerrilha. Fiz política toda a
minha vida e nunca fui violento, sem deixar de estar no centro dos conflitos. O caminho para a justiça é a democracia,
não a violência.
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JUAN DOMINGO PERÓN (1895 - 1974): Foi um militar e político. Presidente da Argentina de 1946 a 1955 e de 1973 a 1974. |
É
possível um governo não peronista na Argentina?
Bárbaro: Sim, o que não se pode é
governar sem assumir a realidade. Peronismo
foi um pedaço da realidade, mas já não existe como tal. Sumiu com Perón.
Perón lia As Vidas Paralelas de
Plutarco, Cristina e Néstor nunca leram nada. Estamos falando de advogados medíocres que fazem discursos mais
medíocres. Perón era um estadista.
O
sr. trabalhou quatro anos com Néstor e disse que era amigo dele. Quando houve a
ruptura?
Bárbaro: Quando assumiu Cristina. A partir dali eu me retirei. Eles não são capazes de falar com ninguém
que não os obedeça. Sempre fui muito amigo dele. Ele vivia a quatro quadras
daqui, me ligava às 22 horas e me dizia "Cristina não vem, vamos
jantar". Duas vezes por semana, durante anos. Sabia os vinhos, os lugares,
tudo. Quando ele vai assumir, digo que não quero trabalhar com ele. Pergunta-me
por que: Porque você é autoritário e não gosto que me humilhem. Não vamos durar
muito. Quando assume, diz que somos muito amigos para que eu não aceite nenhum
cargo.
O
que ofereceu?
Bárbaro: Disse que me daria um cargo
que não dependia dele. O problema do
autoritarismo é que convoca gente sem lucidez. Não entra um Mangabeira Unger, um Marco Aurélio Garcia. Aqui, se não for
tosco e obediente, não chega a ministro. São
pessoas que ficam aí aplaudindo como idiotas. Nunca ser ministro, senador
ou deputado esteve tão em baixa como agora.
A
figura de Carlos Zannini (secretário técnico do governo e vice na chapa de
Scioli) é perigosa como a oposição diz?
Bárbaro: Ele é um imbecil, não é que
seja perigoso. Eu o desprezo. A política tem uma parte escura, a parte do
negócio. Quando essa parte se transforma em pública, é que a degradação chegou
ao máximo. Eu vi algumas vezes. Ele fala
de negócios, eu de política. Não tem nenhum poder, mas dá vergonha que
esteja aí. E dá vergonha que Scioli o aceite. Scioli é essa parte da Argentina que não quer se responsabilizar por
nada. Tudo está bem, todos somos lindos, todos nos amamos, todos nos
afundamos, mas eu não vejo, não noto, me distraio. Isso não é sabedoria. É ser
irresponsável.
Pesquisas
indicam que ele [Scioli – candidato de Cristina
Kirchner] não perdeu votos com as
últimas inundações. Por quê?
Bárbaro: Bobagem. Pesquisas não são
confiáveis. Eu estava com Néstor quando o Estado decidiu dar uma grande quantia
de dinheiro para as consultorias de opinião. Nem deveria dizer, mas há grande
quantidade de institutos que sobem três pontos diminuem quatro. É uma piada. Eu
conheço, a mim não enganam. Por baixo,
80% dos institutos são subornados. Outro dia estávamos tomando vinho com um
dos mais importantes que disse essa estupidez, de que Scioli não é atingido. Eu
disse "minta para eles que te
pagam, não para mim". É como o amor da prostituta, dura enquanto dura
o cheque. Não me fale de pesquisas, eu mesmo fiz o pagamento algumas vezes.
Basta.
Acredita
que [Scioli] possa ganhar em primeiro turno?
Bárbaro: Não ganhará. Não há uma
grande oposição, mas estou convencido de
que se houver segundo turno esse governo cai.
Essas
denúncias de fraude em eleições regionais o atingem?
Bárbaro: Sim. Não se pode dizer que
mais ou menos que algo. Se buscamos um fator, ficamos como a presidente, que
quis explicar o nazismo pelo Tratado de Versalhes. Macri vem do empresariado. Me consulta... quer dizer, me escuta.
Assim como Scioli e Massa. Mas não têm a formação de um
político de raça. São pessoas que entraram na política tarde. Um era
esportista, outro era empresário. Os políticos tiveram o confronto dos [anos]
70 e a corrupção dos [anos] 90. Sou dos poucos que não enriqueceram, que não
vivem em Puerto Madero, alugo este apartamento. Mas não pela virtude da
honestidade. Nunca me interessou o dinheiro. Esse é um problema dos argentinos, a admiração pelo rico. Isso é a
decadência. É um cara que fez do
egoísmo e da ambição o motivo da sua vida. O que ocorre é que esse rico não
pode conduzir a sociedade. Há países onde o poder político está acima da
riqueza. Mas aqui os ricos são tão
grosseiros que acham que podem conduzir o país.
O
próximo presidente argentino, Scioli ou Macri, será rico. É um problema?
Bárbaro: Eu falo de obcecados.
Néstor [Kirchner] era um que achava que o poder... O poder que para Alfonsín
estava dentro da urna, para Néstor estava na caixa-forte. A quantidade de dinheiro era poder para Néstor.
Achou
estranho que Cristina não se candidatou a nada para proteger-se judicialmente,
uma tese da oposição?
Bárbaro: Cristina tem tanta
arrogância, que não pode estar num lugar
sem mandar em alguém. Se na vida alguém não tem coerência, não é o dinheiro
que a dará.
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MAURICIO MACRI Atual prefeito de Buenos Aires - candidato de oposição ao governo Cristina Kirchner Ficou em 2º lugar no primeiro turno das eleições presidenciais argentinas |
É
verdade que Macri o convidou para entrar no partido dele?
Bárbaro: Porque eu sou peronista. Eu
respeito Macri. Hoje parece o mais democrático deles. O mais conservador? Sim.
Mas o autoritarismo está à direita do conservadorismo econômico. Macri está à
esquerda de Cristina, sem dúvida.
O
senhor votaria hoje em Macri?
Bárbaro: Sim, claro.
Sendo
peronista?
Bárbaro: Sim, claro.
A
fidelidade não é parte indissociável do peronismo?
Bárbaro: Eu tenho fidelidade às
ideias, não aos homens. Fieis aos homens são os cachorros. Não sou um cachorro.
O que me dói é que degradem o peronismo
e convertam o peronismo nessa imundície. Era minha causa nobre e a usaram
para lucrar. Meus principais inimigos são os que destroem o peronismo. Os que
não são peronistas não me atingem. Hoje o peronismo é uma marca de hambúrguer.
Se colocada numa almôndega, vende. Usam
a memória porque não são capazes de ser eles mesmos.
Peronistas
mais velhos costumam dizer que votarão em Scioli porque é o candidato
peronista, não importa o que diga?
Bárbaro: Isso é um traço imbecil de
quem pensa que política e futebol são o mesmo. É uma desvalorização, é perda de
liberdade, não se pode tomar com seriedade. Eu voto com o que penso. Minha lealdade é a ideia. O resto é
futebol. É o jogador que era do rival, é comprado pelo meu clube e hoje é meu
amigo. Isso é decadência. Não há gente
com vontade de transcender. A política é a construção daqueles dispostos a
superar seu egoísmo por algo melhor. Não há.
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CRISTINA KIRCHNER Julio Bárbaro diz sobre ela: "Ela não tem nada o que dizer. O vazio dura pouco... Cristina sem o cargo não é ninguém." |
Que
imagem Cristina deixará?
Bárbaro: A pesquisas são pagas.
Passará a história sem pena nem glória. Menem saiu por cima e depois se diluiu.
Ela não tem nada o que dizer. O vazio
dura pouco.
Ela
poderia voltar em 2019, como se fala?
Bárbaro: Por favor... Só dizer isso
é não entender nada da vida, não só da política.
Se
Scioli ganha, não o permitiria?
Bárbaro: Há dois tipos de poder. O
do cargo e o da consciência. Mujica sai e todos vamos entrevistá-lo, pois há um
poder da consciência. Sanguinetti também. São homens que têm conteúdo. Cristina, sem o cargo, não é ninguém.
Néstor
também não?
Bárbaro: Também não.
A
"década ganha" então não é nada?
Bárbaro: Houve um crescimento da
economia mundial. Não foram eles. O que sobrou de Menem? Eu lembro que ia à
televisão representando Néstor. Se falava com carinho do menemismo, as pessoas
se despedem com ternura, mas para que saiam logo. Cristina, em dois anos, não saberemos quem será. É gente que não pode
viver na solidão, adoece. São a mera
expressão da ambição. Muita gente é estúpida. Em todo o mundo, o que vamos
fazer. A estupidez é parte da vida. Tenho um amigo que diz "Deus deve
gostar muito dos imbecis, pois os reproduz em grande quantidade". O que
tem a ver 2001...
Muitos
dizem que passaram fome, que o país implodiu.
Bárbaro: Disso nos tiraram Duhalde e
Lavagna, não Néstor. Duhalde e Néstor estiveram nessa mesa juntos. Quando
chegou estava tudo consertado.
Os
meios críticos ao kirchnerismo pressionam por uma aproximação entre Massa e
Macri. Não é medo de que Scioli ganhe em primeiro turno?
Bárbaro: Hoje, 60% da sociedade odeia tanto o governo que para ela daria na mesma
se ganhasse Macri ou Massa. A diferença entre eles é pouca, ambos são
democráticos. Scioli chega perto de ser democrático, mas precisaria dizer quem
é. Cristina, quando fala, me dá vergonha, ponto.
N
O T A
[ 1 ] – Menemismo, kirchnerismo e peronismo:
o peronismo, movimento de traços populistas, tem servido de guarda-chuva para
correntes lideradas por políticos carismáticos que dominam a política argentina
nas últimas décadas, no caso, Carlos
Menem e Néstor Kirchner. Para saber mais sobre o kirchnerismo e a situação atual da Argentina, clique aqui.
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