ESTA É A "ÉTICA" POLÍTICA NO BRASIL ! ! !
Por Dilma, Lula aciona PT em busca de acordo
para salvar mandato de Cunha
Vera Rosa e
Tânia Monteiro
Ex-presidente articula, em Brasília, acerto para livrar
deputado, acusado de
quebra de decoro parlamentar e investigado pelo Supremo
Tribunal Federal,
de eventual cassação; em troca, peemedebista se
comprometeria a não levar
adiante pedido de impeachment feito pela oposição
O Palácio do Planalto e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
intensificaram ontem as articulações
para salvar o mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no
Conselho de Ética. A moeda de troca
nesse jogo é a garantia de que Cunha não
avançará nenhuma casa no tabuleiro rumo à abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Lula
desembarcou ontem em Brasília e vai se reunir hoje novamente com Dilma. O ex-presidente quer que deputados do PT
fechem acordo com outros partidos da base aliada para barrar a investigação
contra Cunha, no Conselho de Ética, por quebra de decoro parlamentar.
Um
dia depois de o Supremo Tribunal Federal ter concedido três liminares que
suspenderam o rito acertado por Cunha com a oposição para dar andamento ao impeachment, o peemedebista passou a ser
a "noiva" cortejada tanto pelo Planalto como por adversários de Dilma
no Congresso.
Cunha
disse que não estendeu a bandeira branca nem vai bombardear o Planalto.
"Não há nem guerra nem trégua. O que há é que eu tenho de cumprir a minha
função. Se minhas decisões podem significar guerra para uns e trégua para
outros, é uma questão de interpretação. Até agora, não fiz nada diferente
daquilo que falei que iria fazer", afirmou ele.
A
pedido do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, o vice-presidente Michel Temer foi acionado para conversar com Cunha e
o convidou para um almoço no Palácio do Jaburu, ao lado do presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Alvo
da Operação Lava Jato e enfrentando a acusação de possuir contas secretas na
Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás, Cunha
pede que o governo tire José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça.
Dilma resiste à troca de Cardozo, que também sofre críticas de Lula e de uma
ala do PT. Os petistas que se juntaram a
Cunha para atacar Cardozo dizem que ele não controla a Polícia Federal.
Comentário pessoal:
[Vejam
só!!! Quem diria? PT e Cunha querem a mesma coisa: controlar a polícia!!!
Sonho
de qualquer bandido, não é mesmo?!]
"Temer seria um ótimo
nome para a Justiça", sugeriu Cunha, na semana passada. Na tarde de ontem, ele garantiu que
não tocou no assunto com o vice nem fez exigências para o acordo com o governo.
Não escondeu, porém, a irritação com o
fato de 34 dos 62 deputados da bancada do PT terem assinado requerimento
protocolado pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade, pedindo a cassação de seu
mandato.
Muitos
dos que subscreveram o documento integram a corrente Mensagem ao Partido, grupo de Cardozo no PT. Se o Conselho de Ética
aprovar a cassação de Cunha, o plenário decidirá o seu destino - ele precisa de
257 dos 512 votos de seus colegas para resistir.
![]() |
Eduardo Cunha (Presidente da Câmara) acusado de vários crimes e Lula (ex-Presidente da República) desejoso de manter Dilma para poder substituí-la em 2018. Tudo é jogo de poder, pelo poder!!! |
“BOA
VONTADE”
Ainda
ontem, no almoço com Temer e Renan,
Cunha não usou meias palavras: avisou que tanto poderia acelerar a abertura do
impeachment de Dilma como aguardar outro entendimento do Supremo.
"Se eu for bem tratado, pode ser que tenha boa vontade com o governo,
mas, se não for, posso tomar minha decisão mais rápido", disse o presidente da
Câmara. "Estejam certos de que não
vou renunciar. Podem tirar o cavalinho da chuva."
Cunha
prometeu recorrer da decisão do Supremo, que freou sua tentativa de conferir um
rito especial ao processo de impeachment.
A oposição, capitaneada pelo PSDB do senador Aécio Neves (MG), apresentará novo
requerimento solicitando o afastamento de Dilma, sob o argumento de que a
equipe econômica também fez manobras contábeis, conhecidas como "pedaladas
fiscais", neste ano, e não apenas em 2014.
O
governo avalia que o impeachment
perdeu força depois das liminares concedidas pela Justiça. Em conversas
reservadas, porém, ministros dizem que Cunha é uma "fera ferida" e
não se pode confiar nele, que tem o poder de dar o pontapé para a abertura da
ação contra Dilma. Mesmo assim, todos impõem limites para um acordo com Cunha.
"Na questão política é
possível a negociação, mas na área jurídica, não. Além disso, nem Cardozo nem
Levy
(Joaquim Levy, ministro da Fazenda) são
entregáveis", comentou um auxiliar direto de Dilma, embora muitos apostem que o ministro da
Justiça saia no fim do ano. "Alguns deputados do PT têm dado opiniões
que não traduzem a posição oficial do partido", insistiu o líder do
governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), numa referência ao requerimento
assinado por petistas, pedindo a degola de Cunha.
A meta de Lula, agora, é
impedir que o Conselho de Ética, formado por 21 integrantes, vire as costas
para o presidente da Câmara. O bloco comandado pelo PMDB no colegiado tem 9 deputados e o liderado
pelo PT, 7. Articuladores políticos do Planalto calculam que Cunha já tenha
maioria para impedir a investigação. Se
ele perder o mandato, no entanto, perde também o foro privilegiado e pode até
ser preso, caso vire réu no Supremo e seja condenado.
Ao
avaliar ontem que será "quase impossível" votar no Congresso, neste
ano, a nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a
prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), dois pontos
fundamentais para o ajuste fiscal, Cunha também disse que o governo precisa se
empenhar "muito mais" para recompor sua base aliada. As negociações em curso envolvem
distribuição de cargos no segundo e terceiro escalões.
Comentário pessoal:
[«O
toma lá dá cá» Não termina nunca! Esse é o centro do «presidencialismo de
coalização» que temos no país e arruína, por dentro, qualquer exercício da
presidência no Brasil!
Esta
é a questão que torna «podre» a nossa política!!!]
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política –
Quinta-feira, 15 de outubro de 2015 – Pg. A4 – Internet: clique aqui.
O impasse dos espertos
José Roberto
de Toledo
A oposição, como também o governo, se acha mais esperta
do que o resto
Acusa-se
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de muita
coisa, menos de ingenuidade ou estupidez. O presidente da Câmara costuma estar
vários lances à frente de adversários e de aliados no xadrez político. Mesmo
que por xadrez entenda-se o jogo de tabuleiro.
Não
foi o anfitrião que ficou com cara de tacho na reunião do clube do impeachment,
terça-feira pela manhã, na casa de Cunha. O encontro ocorreu imediatamente
depois de o Supremo Tribunal Federal [STF] interditar os atalhos planejados
pelos presentes para abreviar a temporada de Dilma Rousseff no Palácio do
Planalto.
“Se eu derrubo Dilma agora, no dia seguinte vocês me derrubam”, foi a frase atribuída a
Cunha durante o encontro, segundo apuração do repórter Daniel Carvalho. A oposição, como também o governo, se acha
mais esperta do que o resto. Queria que Cunha aceitasse logo o pedido de impeachment da presidente - já que a
manobra de recusá-lo para que uma maioria simples de deputados reformasse sua
decisão e deslanchasse o processo havia sido inviabilizada por três liminares
contrárias do STF.
Querer
queria, só que esperto coca-cola não é páreo para o produto original. Como todos acham que o presidente da Câmara
não sobreviverá politicamente às denúncias, tentam extrair o máximo de vantagem
do que imaginam ser seus estertores. Mas o peemedebista anteviu o que
rivais e amigos da onça fariam antes de eles vislumbrarem o próximo movimento
de suas próprias peças.
Resta uma bala de prata para
Cunha: o poder de iniciar o processo de impeachment
de Dilma na Câmara. Porém, assim que ele deflagrá-lo, se tornará um incômodo inútil para
a oposição e um inimigo declarado para o governo. Fragilizado pelas acusações que se multiplicam da Suíça ao Brasil, o
deputado feriria Dilma e, ao mesmo tempo, cometeria suicídio político. Não
caiu na conversa dos sócios do clube e preservou seu cartucho.
Do
mesmo modo, o governo quer fazer crer
que dará sustentação a Cunha caso ele desista de fazer par com a oposição.
O faz de conta ficou menos verossímil na terça depois de a maioria dos
deputados petistas assinar pedido de cassação do colega. Cunha só se segura no cargo e no mandato enquanto ambos os lados
acharem que precisam dele para ganhar a guerra do impeachment. Daí ele não precipitar seus movimentos se tiver
alternativas.
A
prioridade do presidente da Câmara - como ele mesmo declarou - é recarregar sua
bala de prata, temporariamente neutralizada pelos ministros Teori Zavascki e
Rosa Weber. Vai brigar no Supremo para
ter de volta o poder sobre o futuro de Dilma. Mostrar que sua arma está engatilhada é mais importante do que
dispará-la. Enquanto o STF não arma nem desarma, o impeachment emperra e o governo espera o recesso parlamentar.
O
problema é que o suspense não se limita ao destino do mandato presidencial. Provar que tem força política para se manter
no cargo não basta. Dilma também tem que mostrar que é capaz de voltar a
governar. Sustentar seus vetos à pauta-bomba do Congresso e aprovar as
medidas do ajuste fiscal seriam as melhores maneiras de sair do estado de
suspensão. Está difícil.
Tudo o que Cunha e o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), têm dito ultimamente é que as
votações desses temas foram adiadas. Para a semana que vem, para o mês que vem, para o
ano que vem - só faltam dizer “para o governo que vem”. Não tiram os tubos da presidente, mas injetam apenas o oxigênio
necessário para não asfixiar a paciente de vez. Criar perspectiva, traçar
um horizonte, superar o impasse é a única maneira de o governo voltar a
respirar sem ajuda de aparelhos alugados pelo PMDB - e de a economia sair do
limbo.
Aos caciques peemedebistas,
porém, não convém tirar do coma um aliado do qual planejam se separar assim que
a ocasião permitir. Nesse empate de espertos,
ninguém ganha, mas todos perdem.
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