Não permitir que a imoralidade vença!
A sem-vergonhice sentou praça
Editorial
![]() |
NÃO ESQUECER QUEM NOS COLOCOU NA SITUAÇÃO EM QUE ESTAMOS!!! |
O
panorama de ampla, geral e irrestrita sem-vergonhice escancarado pela
divulgação diária de novas e escandalosas roubalheiras, conchavos e chicanas
coloca o País diante do risco da
banalização de uma rotina que pode acabar transformando em conformismo a
indignação que hoje assalta a consciência cívica nacional. Afinal, se todo
mundo é ladrão, se é impossível associar política a princípios morais, se a
regra é o salve-se quem puder, dane-se o resto, que eu vou cuidar da minha
própria vida. Foi algo assim – no caso, o processo de conversão ao “pragmatismo” – que abriu a Lula e a seu PT o caminho
de acesso ao poder e à insensibilidade
moral.
Passou
a valer o debochado aforismo: “Instaure-se a moralidade, ou nos locupletemos
todos”, sendo apenas para constar a primeira alternativa do brocardo. É a lógica dos safados, a desculpa dos
picaretas, o refúgio da bandidagem engravatada. É a motivação oculta dos idealistas
de fôlego curto que acabaram descobrindo que é muito mais fácil e
proveitoso desfrutar do poder do que usá-lo para promover o bem geral.
Só
que Lula e sua tigrada não consideraram que no clube do “locupletemo-nos todos”
teriam de dividir espaço com gente de larga experiência na matéria, velhos e
astutos coronéis e capas pretas da política. E, quando os petistas tentaram
transformar esses “aliados” em meros coadjuvantes na cena política, deu-se o
desastre: surgiu um Eduardo Cunha para
mostrar que Lula, Dilma & Cia. eram pouco mais que aprendizes afoitos e
desastrados em matéria de malandragem, dissimulação e falta de escrúpulos.
Misturada
a sem-vergonhice com a incompetência, o País mergulhou na atual crise, cuja
marca mais perniciosa tem sido a falta de esperança numa solução de curto ou de
médio prazo.
Os brasileiros não podem, no
entanto, simplesmente dar as costas àquilo que repudiam e renunciar ao direito
de lutar pela construção de seu próprio destino. O primeiro passo é
identificar com clareza as figuras que, por nefastas, merecem ser punidas com a
expulsão da vida política. É uma punição para a qual a democracia oferece a
todos uma arma poderosa: o voto.
É
mais do que óbvio que, depois de 12 anos
no governo, a irresponsabilidade do populismo lulopetista é a principal culpada
pelas agruras que maltratam hoje os brasileiros, de modo especial os mais
pobres, em nome dos quais o PT reclamou o poder. E quem personifica, desde
sempre, a imagem do PT? Não é, certamente, a presidente Dilma Rousseff, que já
está com prazo de validade vencido. O PT
é Lula. E a grandeza de Lula se mede por um de seus últimos atos na
Presidência da República.
Em dezembro de 2010, Lula
ordenou a seu chanceler, Celso Amorim, que ignorasse o regulamento do Itamaraty
e contemplasse com passaportes diplomáticos os petizes Da Silva, que estavam,
já então, destinados a iniciar prósperas carreiras como empresários. Que mal há nisso? O mal,
na questão dos passaportes, é que está errado, não pode, a lei não permite, nem
mesmo um presidente que deixa o cargo desfrutando de altíssima popularidade
está acima da lei. Em resumo, é imoral.
Exatamente
porque não hesitou em beneficiar a filharada com favores indignos, Lula
demonstrou que não teria dúvidas em fazer o mesmo em outras circunstâncias,
digamos, menos triviais. O noticiário recente exibe o elenco de possibilidades
que se abriram à sortuda prole.
Tudo
passa, para recorrer ainda à sabedoria popular de que Lula se vangloria de ser
guardião. Dilma, por exemplo, passará.
Mas Lula acha que ficará – e mexe os
pauzinhos para chegar a 2018 como o salvador da pátria, a mesma que ajudou a enfiar
neste buraco fundo em que estamos.
Mais
cedo ou mais tarde, Lula terá de se haver ou com a ação conjugada da PF com o
MPF ou com as urnas. Da condenação destas últimas só escapará se os brasileiros
perderem a fé em que podem ser sujeitos e não meros objetos da História.
Comentários
Postar um comentário