UMA MENTIRA COM O OBJETIVO DE PARAR O PAPA
"Essa
é uma estratégia apocalíptica para parar o papa."
Entrevista
com Víctor Manuel Fernández
Paolo Rodari
Jornal “La
Repubblica”
Roma – Itália
22-10-2015
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Dom Víctor Manuel Fernández Bispo-reitor da Universidade Católica Argentina Amigo pessoal de papa Francisco |
Dom
Víctor Manuel Fernández não gosta de rodeios. Nestes dias, ele é hóspede em Santa
Marta para participar do Sínodo dos bispos sobre a família.
E talvez também seja porque ele tenha uma amizade especial com o papa: reitor
da Pontifícia Universidade Católica Argentina, ele foi uma das
primeiras nomeações de Jorge Mario Bergoglio, que o elevou dois
meses depois da eleição ao sólio de Pedro à dignidade de
arcebispo. Em 2007, na conferência dos bispos latino-americanos em Aparecida,
foi Fernández que o ajudou a redigir aquele documento final que sancionou a
ideia de Igreja própria do futuro papa.
Excelência,
o que você pensa da notícia que circulou sobre a saúde do Papa Francisco?
Dom Víctor: Há pouco a dizer. Senão que
parece uma espécie de estratégia "apocalíptica", presente também na
Sagrada Escritura e, portanto, em uso em muitos lugares desde os tempos
antigos.
De que
estratégia o senhor fala exatamente?
Dom Víctor: A de desacreditar quem tem
o poder, falar mal dele, divulgar sobre ele notícias incrivelmente falsas, de
modo que mais pessoas comecem a pensar que absolutamente é preciso chegar a uma
substituição, chegar a um outro, em suma, que a própria pessoa difamada está
fraca, no fim da sua parábola, que não consegue mais seguir em frente. Mas o jogo
é conhecido, e também por esse motivo eu não acho que Francisco se
deixe impressionar.
Portanto,
para o senhor, trata-se de algo estudado previamente?
Dom Víctor: Não acho outra explicação.
É uma notícia que foi divulgada com más intenções, porque falar desse modo de alguém
indica a clara vontade de desestabilizá-lo.
Tem
alguma ideia de quem teria agido desse modo?
Dom Víctor: Eu absolutamente não sei
dizer. E não acho que seja fácil de descobrir.
Pensa
que Francisco tenha inimigos?
Dom Víctor: Eu acredito que há aqueles
aos quais este pontificado não cai bem. Pensemos no recente sucesso da viagem
apostólica do papa a Cuba e aos Estados Unidos.
Houve quem sugerisse que a viagem teria evidenciado as diferenças entre o
magistério de Francisco e parte do mundo norte-americano. Não
foi isso. Talvez esse sucesso incomodou. Talvez seja um sucesso que preocupe
alguns. E esses alguns, inevitavelmente, não podem deixar de tentar enfraquecer
a figura do papa, a sua pessoa. Repito: parece-me uma velha estratégia, já nem
tão original demais.
Tudo
isso, porém, é amplificado pela mídia.
Dom Víctor: Quem dá espaço a certas
notícias deveria pensar bem nisso. Porque aqui se trata de amplificar coisas
malucas e divulgadas com má intenção. Jornais e TV deveriam ser mais atentos e
menos ingênuos.
Como
essas notícias chegam ao Sínodo? Os trabalhos são influenciados?
Dom Víctor: Devo dizer que, por sorte,
o Sínodo procede com muita paz, amizade e diálogo entre todos.
Realmente, a representação externa que muitas vezes se deu e se dá não
corresponde ao que estamos vivendo internamente. Certamente, é evidente que há
alguns que dizem e pensam coisas diferentes dentro do Sínodo. Mas as diversas
sensibilidades não significam, por força, divisões ou sabe-se lá que atritos.
Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto.
Fonte: Instituto Humanitas
Unisinos – Notícias – Sexta-feira, 23 de outubro de 2015 – Internet: clique aqui.
"Eu
vejo o papa todos os dias, e ele está
muito
bem. Chega de tentar impedir
o
Sínodo."
Entrevista com o cardeal Walter Kasper
Orazio La Rocca
Jornal “La
Repubblica”
Roma – Itália
22-10-2015
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Cardeal Walter Kasper Teólogo alemão e assessor de papa Francisco |
"O
papa doente de câncer? É apenas uma tentativa desastrada de condicionar os
trabalhos do Sínodo. Como aconteceu nos últimos dias com a
publicação de uma carta privada enviada ao papa por 13 cardeais,
mas sobre a qual surgiram tantas dúvidas. Agora, dispara-se o alarme pela saúde
do Papa Francisco. Mas o Santo Padre e os Padres Sinodais não
se deixarão condicionar por ninguém."
O
cardeal Walter Kasper, alemão, 82 anos no dia 5 de março passado, é
um dos purpurados mais próximos do Papa Francisco, mas também o
inspirador das teses aberturistas sobre as famílias em dificuldade (divorciados
recasados, casais de fato, uniões gays). Ele conhece bem Bergoglio.
Ele jura que ele "está bem", e "aqueles que levantam dúvidas
sobre a sua saúde – repete com segurança – fazem isso por outros motivos".
O senhor não parece preocupado com a
saúde de Bergoglio.
Cardeal Kasper: Não sou médico. Certamente
não posso dar um juízo sobre o mérito. Mas o padre Lombardi já desmentiu tudo.
Mas, de acordo com aquilo que eu li, fala-se de um tumor benigno curável: mesmo
que isso fosse verdade, não deveria ser algo grave. E, além disso, a Santa Sé logo desmentiu a notícia. Basta
ver o Santo Padre todos os dias para se dar conta de como ele está.
E como o papa está?
Cardeal Kasper: O Santo Padre, na minha
opinião, está muito bem. Ele trabalha todos os dias. Nunca para. Nunca está sem
fazer nada. Ele se levanta de madrugada e vai dormir tarde da noite.
Encontra-se quase todos os dias com chefes de Estado, reis, primeiros-ministros,
representantes das instituições, mas, sobretudo, as pessoas comuns nas
Audiências Gerais [às quartas-feiras], onde ele sempre tem catequeses
interessantes. Aos quase 79 anos, ele talvez deveria se resguardar um pouco.
Nessa idade, algum problema pode existir. Mas forçá-lo a parar um pouco é
praticamente impossível.
Mas, então, talvez seja lícito
pensar que aqueles que lançam dúvidas sobre a saúde do papa fazem isso para
condicioná-lo em vista do encerramento de um Sínodo sobre a família tão
esperado. O senhor não acha?
Cardeal Kasper: Acho que sim. Eu acredito
justamente que se trata apenas de nuvens de poeira lançadas para tentar
condicionar os trabalhos. Mas não vão conseguir. Ninguém conseguirá manipular o Santo Padre e todos os Padres sinodais.
Os trabalhos, até mesmo com posições diferentes e às vezes contrapostas, estão
se desenvolvendo sem nenhum condicionamento. E o Santo Padre está muito sereno,
porque ele vê em tudo isso a verdadeira realização da sinodalidade da Igreja,
como ele mesmo disse no histórico discurso sobre os 50 anos da instituição do
Sínodo por parte de Paulo VI.
Faltam apenas três dias para a
conclusão do Sínodo. Haverá surpresas? Os divorciados recasados serão admitidos
à comunhão?
Cardeal Kasper: Eu, como sempre disse,
espero muito que a Igreja se abra cada vez mais para aqueles que sofrem. A
misericórdia é um bem que nos vem de Jesus Cristo. Mas será necessário esperar
a conclusão dos trabalhos sinodais e os discursos que o Santo Padre pronunciará
no sábado à noite e no próximo domingo. Espero muito naquilo que o Papa
Francisco vai dizer.
Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto.
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