O GOLPE JÁ ACONTECEU - TEMOS UM "NOVO" GOVERNO!
O golpe de Lula
Eliane
Cantanhêde
O ministério a ser anunciado não é de Dilma, é de Lula
e do PMDB
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DILMA ROUSSEFF - Presidente da República - foi "enquadrada" e dominada por LULA - ex-presidente da República, seu criador e padrinho político |
Luiz Inácio Lula da Silva
nem esperou a eleição de 2018 e já está de volta ao poder, enquanto Dilma Rousseff
faz o caminho inverso, rumo à condição anterior de subalterna do líder e
padrinho. O ministério a ser finalmente anunciado hoje é do Lula, não da Dilma,
que vai entregando anéis, dedos, mãos e está cada vez mais com a cabeça a
prêmio. Ou sofre impeachment pela oposição ou é interditada por Lula e pelo PMDB.
Dilma
anuncia hoje uma reforma ministerial que Lula sugere incansavelmente há meses,
mas ela faz com tanto atraso, e num momento tão desfavorável, que o que era
para reverter a favor pode se virar contra ela. Amargou durante tanto tempo o ônus das escolhas equivocadas e não
consegue agora capitalizar o bônus de estar mudando tudo. O que poderia ter
o impacto de um recomeço, é tratado como capitulação. A leitura é óbvia: Dilma não tinha saída e jogou a toalha.
O
dilmista Aloizio Mercadante sai da
estratégica Casa Civil e ganha a Educação
como prêmio de consolação, quando a tal “pátria educadora” não sobrevive nem
mais como slogan marqueteiro. E o lulista
Jaques Wagner sai da Defesa para a Casa
Civil, como o mandachuva da articulação política. Precisa dizer mais?
O
efeito das mudanças, porém, ainda é nebuloso. O PMDB sai com sete pastas dessa reforma, que sacrifica técnicos como
Arthur Chioro, da Saúde, e Janine Ribeiro, da Educação, para calar – ou seria
comprar? – a bancada peemedebista da Câmara. Mas a primeira reação do
Congresso, antes mesmo do anúncio oficial dos nomes, veio de duas formas: a
aprovação da desaposentadoria, contra todos os apelos do Planalto, e um
manifesto de 22 deputados do PMDB condenando a participação no governo.
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MARCELO CASTRO - Deputado Federal pelo PMDB do Piauí Novo Ministro da Saúde - "pau mandado" do atual presidente da Câmara Eduardo Cunha, segundo denúncias de delatores da Operação Lava Jato. |
Ou
seja: Dilma engoliu o orgulho, o amor
próprio, as ordens de Lula, a ganância do PMDB e o afastamento de Mercadante, e
pode ser para nada. Além de não recuperar o controle da base aliada, ela
pode perder ainda mais pontos na opinião pública e nas bases históricas do PT.
“Pior do que já está (nas pesquisas)”?, descarta Jorge Viana, do PT. Mas sempre
pode piorar, sim, senador.
O mais cruel da história é
que Lula reassume o poder, os petistas e aliados históricos acham que agora
vai, mas... Lula já não está mais acima do bem e do mal, como sempre esteve,
nem mais tão por cima da carne seca assim, como estava ao descer a rampa do Planalto.
Documentos
obtidos pelos repórteres Andreza Matais
e Fábio Fabrini geram a suspeita de
que houve compra de uma MP [Medida
Provisória do governo federal] em 2009
para favorecer montadoras [a indústria automobilística]. Pior: no mesmo ano, um filho de Lula, Luís
Cláudio, abriu uma empresa de marketing esportivo que recebeu a bagatela de R$
2,4 milhões justamente de uma das empresas de “consultoria” que teria comprado
a MP.
Cria-se
uma situação esdrúxula: com Dilma, a economia não se recupera, a indústria vai
ladeira abaixo e o dólar dispara, enquanto a política desanda e o Brasil parece
na bica de ser rebaixado por uma segunda agência de risco. Mas, com Lula, vêm os escândalos de seus oito
anos de governo, cada hora numa estatal, num órgão, numa repartição.
E o impeachment? O processo tem de ser aberto pela Câmara, mas o presidente Eduardo Cunha anda muito ocupado com
revelações de três delatores da Lava Jato e, agora, com quatro contas na Suíça,
num total de US$ 5 milhões (mais de R$ 20 milhões). Que moral ele tem para comandar um processo contra Dilma?
Conclusão:
o impasse continua. Lula e o PMDB apropriam-se descaradamente do governo Dilma,
que, segundo o Ibope, empacou no perigosíssimo patamar de 10% de aprovação, com
69% de desaprovação. Mas Lula e PMDB têm muito o que explicar para 100% da
população. Com o sujo falando do
mal-lavado, nada sai do lugar.
Suspense.
Se Dilma não pode cortar nem [os Ministérios da] Pesca, nem Portos, nem Aviação
Civil..., como e onde ela vai de fato enxugar a farra dos ministérios, ao menos
para inglês ver?
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política –
Sexta-feira, 2 de outubro de 2015 – Pg. A 6 – Internet: clique aqui.
Governo pode virar refém definitivo
de seus parceiros
Marcelo de
Moraes
Agora mandam Lula e as raposas peludas do PMDB, por
intermédio
de homens de confiança colocados em postos-chave do
governo.
As
mudanças ministeriais decididas pela presidente Dilma Rousseff levam em conta o
puro pragmatismo. Com apenas 10% de
aprovação popular, segundo pesquisa do Ibope, pressionada pela sombra do pedido
de impeachment no Congresso e com a economia em frangalhos, a presidente
decidiu entregar os principais cargos do seu governo em troca de apoio para
salvar seu mandato. Simples assim.
Não
há presidente na história recente do País que não tenha feito concessões
políticas para aliados na hora da composição de seus principais escalões. Em
troca de apoio político, entregam-se os cargos. É péssimo - e os resultados
ineficazes das políticas públicas brasileiras mostram esse prejuízo -, é
condenável, mas já faz parte do jogo político. Não se trata de nenhuma
inovação. A novidade é um governo ser
obrigado, agora, a atender desafetos e críticos ferozes para tentar preservar o
pescoço da degola.
Dilma faz a reforma para
tentar apagar o "fogo amigo" disparado principalmente pelo PMDB e pelo
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, críticos constantes durante os
pouco mais de nove meses de duração do seu segundo mandato.
Nem
no auge da parceria política com o PT o PMDB conseguiu tanto espaço quanto
agora, justamente no período em que mais fustigou o governo dentro do
Congresso, aprovando ou ameaçando aprovar projetos que colocam em risco a já
combalida economia nacional. São sete
ministérios, agora, sob o comando dos peemedebistas.
Ciente
da fragilidade de sua situação política, a presidente aceitou desagradar seu
próprio partido e passar pelo
constrangimento de demitir o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, poucos meses depois de nomeá-lo para o
cargo com o discurso de trazer um especialista renomado para finalmente tentar
transformar em realidade seu slogan da chamada "Pátria Educadora".
Por causa dos arranjos políticos, Janine espirrou para que o ministro Aloizio
Mercadante pudesse voltar a ocupar a pasta, depois de perder a Casa Civil para
Jaques Wagner e atender ao desejo de Lula e melhorar a relação com o Congresso.
Provocou
também mal estar ao rifar o ministro da
Saúde petista, Arthur Chioro, num telefonema expresso de dois minutos de
duração e dando seu cargo para o PMDB.
Tamanho
grau de concessão traz alívio momentâneo para o governo. Mas, sendo obrigada a ceder tanto, Dilma corre o
risco de virar refém definitiva dos parceiros, sem garantir a preservação de
seu mandato.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política / Análise – Sábado, 3 de setembro de 2015 – Pg. A6 – Internet: clique aqui.
Com Saúde, Dilma atravessou o Rubicão
Luis Nassif
Com a última leva de concessões, os aliados,
especialmente os militantes, ficam no direito de indagar por que razão
continuarão a defender Dilma, quando ela deixa de representar qualquer
veleidade de projeto político.
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MICHEL TEMER (Vice-Presidente da República e Presidente do PMDB) e LULA (ex-Presidente da República e manda-chuva do PT): São eles que governam, de fato, o Brasil!!! |
Ao
entregar o Ministério da Saúde para o fisiologismo, Dilma Rousseff atravessou o
Rubicão [leia nota
ao final deste artigo]. A Saúde tornara-se o símbolo maior de
blindagem contra a fisiologia. Com alguns problemas pontuais, a partir do
governo Collor o Ministério foi comandado sucessivamente por Ministros ligados
ao tema, a formidável bancada da saúde, acima das paixões e dos partidos,
fornecendo quadros para as administrações federal e estaduais.
* *
*
O estilo Dilma impõe custos
maiores do que o razoável.
A
presidente persiste em determinada posição brigando com os fatos até o limite
da ruptura. Rende-se apenas na penúltima hora, e aí o custo do acordo cresce
exponencialmente.
Foi
assim com a demora inexplicável em substituir a diretoria da Petrobras, a lenha
que jogou na fogueira de Pasadena, o atraso com que substituiu Aloisio
Mercadante.
* *
*
Com
a última leva de concessões, os aliados, especialmente os militantes, ficam no
direito de indagar por que razão continuarão a defender Dilma, quando ela deixa
de representar qualquer veleidade de projeto político.
O
jogo atual um capítulo a mais em um enredo complexo cujo desfecho marca o fim
do ciclo político pós-redemocratização.
Vem
a redemocratização e a liderança do processo político cabe ao PMDB. A extraordinária voracidade com
que foi ao pote racha a frente democrática.
Nascem,
então, os dois partidos que iriam dominar a cena política dali para frente: o PSDB com sua bandeira supostamente antipopulista
e de responsabilidade fiscal; o PT,
com suas bandeiras sociais. E, para
garantir a governabilidade, o PRESIDENCIALISMO
DE COALIZÃO, inaugurado por Fernando
Henrique Cardoso, tendo como ponto de equilíbrio os coronéis políticos
eletrônicos – a maioria com poder garantido pela aliança com os grandes grupos
de comunicação.
* *
*
A era LULA leva ao limite o
modelo, loteando diretorias da Petrobras justo no momento em que a empresa
ampliava de forma inédita seus investimentos.
A
dinheirama que jorrou de forma descontrolada da empresa ajudou a engordar a
nova velhíssima geração de políticos do baixíssimo clero que ascendeu à Câmara.
Das entranhas do petrolão
nasceu a força da bancada fluminense do PMDB, com seus caciques Sérgio Cabral,
Eduardo Paes e Eduardo Cunha. Os mesmos recursos irrigaram a liderança abortada
de Eduardo Campos, que estava pronto para descer do Nordeste com uma tropa de
causar inveja nos legionários fluminenses.
* *
*
Daqui
para frente, o quadro partidário é de fim de festa, com a crise quase terminal
dos principais partidos, e a indefinição programática dos novos partidos que
surgem.
PT – o pragmatismo afastou do PT movimentos sociais e da intelectualidade. O petrolão acentuou a perda de
legitimidade. Agora, o PT está sendo sangrado diariamente pela ação de
Dilma, preso a uma armadilha fatal: não é governo, mas não pode ser oposição. Cada medida do governo Dilma aprofunda o
distanciamento da base. Dispõe ainda de uma militância aguerrida. Mas parte
dela seguramente migrará para o novo partido de Marina Silva. Tem como última
reserva o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, às voltas com o antipetismo da
cidade.
PSDB - deixou definitivamente de ser alternativa de poder. Sua marca era a
responsabilidade fiscal. Decidiu ser populista sem povo, incendiário e
predador, conduzidos por uma liderança
imatura, como Aécio Neves. Seu
último programa eleitoral matou qualquer ilusão. Nele, as principais lideranças
garantem que votarão em todas as medidas que beneficiem o povo e contra todas
as medidas que signifiquem cortes de direito. A bandeira do quanto pior, melhor, vai colar inexoravelmente no partido.
Já está perdendo os liberais. E se contentará com Rebeldes Online e outros grupos adequados ao nível mental de Aécio
e do novo PSDB.
PMDB – a dispersão de comando aumentou a voracidade dos grupos internos. Dificilmente conseguirá
traduzir em projeto de governo sua atual influência política. Nenhum intelectual de peso ousará cerrar
fileiras com o partido.
Ainda
é muito cedo para apostas sobre o novo jogo político.
Da
etapa atual restará Lula articulando uma
frente ampla – na qual caberá o PT e
os aliados do PMDB. E os liberais se
agrupando em torno da Rede [partido fundado por Marina Silva], jogando o
PSDB ao mar.
O Rede será um dos vitoriosos da nova fase, mas
preso a um paradoxo de nascença:
está aberto a um conjunto de grupos sociais descrentes do PT, mas sua ideologia
econômica é a do liberalismo arraigado, contra o Estado de bem-estar e
reticente em relação aos gastos sociais.
Até
2018 muita água irá correr.
N
O T A
A expressão “atravessar o Rubicão” refere-se a um fato histórico ocorrido em 10
de janeiro de 49 a.C., quando o general e estadista romano Caio Júlio César tomou
uma decisão crucial: atravessar o rio Rubicão com seu exército, transgredindo a
lei do Senado que determinava o licenciamento das tropas toda vez que o general
de Roma entrasse na Itália pelo norte. Este
ato foi uma declaração de guerra civil contra Pompéia, que detinha poder sobre
Roma. Com as palavras alea jacta est
(a sorte está lançada), César resolveu voltar com suas legiões à cidade. Uma
vez atravessado o Rubicão e já em terras romanas, ele sabia que não tinha
volta. Ou ele e seus soldados tomavam a cidade, ou Pompéia os destruiria. A
decisão de César mudou o rumo da história. Antes que ele atravessasse o rio, a
tomada de Roma era apenas uma ideia, um desejo que ele poderia concretizar. Desde
aí, a expressão “atravessar o Rubicão” adquiriu um significado paradigmático de
qualquer situação que chegue a um ponto
de não retorno.
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