E A ECONOMIA BRASILEIRA COMO VAI?
Cada vez pior
Editorial
A
economia piora dia a dia, enquanto o governo tropeça e a crise política se
agrava, e uma contração próxima de 3%, apontada nas últimas projeções, parece
cada vez mais provável de acordo com números oficiais. De janeiro a agosto, a atividade foi 3,02% menor que a de um ano antes,
descontados os fatores sazonais, segundo o indicador estimado mensalmente pelo
Banco Central (BC), o IBC-Br. Na série sem ajuste, a queda ficou em 2,99%. Ao
rebaixar a nota de crédito do Brasil, na quinta-feira, a agência Fitch anunciou suas novas estimativas para a evolução do
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – diminuição de 3% neste ano e de 1% no
próximo. As mesmas projeções haviam sido informadas na semana anterior pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI). As previsões de mercado divulgadas na
terça-feira pelo Banco Central no boletim semanal Focus ficaram em
-2,97% para 2015 e -1,20% para 2016.
Estes
são alguns dos números mais recentes que compõem um desastre econômico causado pela instabilidade do cenário político
que envolveu o País numa crise cuja extensão parece se ampliar e cujo fim não é
possível divisar. A desconfiança do empresariado, as medidas defensivas do
setor financeiro que levaram à redução e ao encarecimento do crédito, o
fechamento de postos de trabalho, a corrosão da renda real do brasileiro não
poderiam ter como consequência quadro econômico diferente do que se vê hoje.
O emprego na indústria em
agosto caiu para o menor nível desde 2000, quando o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) passou a aferi-lo utilizando a metodologia atual. De julho
para agosto, o emprego recuou 0,8%. Foi a oitava queda consecutiva. Já na
comparação com o mesmo mês de 2014, a redução foi de 6,9%, o 47.º resultado
negativo nessa comparação e a maior queda já registrada na série da Pesquisa
Industrial Mensal – Emprego e Salário do IBGE.
É o
efeito sobre o mercado de trabalho
da longa crise que prejudica a atividade industrial e se acentuou a partir da
metade do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Em agosto, a redução
foi de 1,2% em relação a julho e de 5,7% no acumulado de 12 meses. Nos oito
primeiros meses de 2015, a indústria recuou 6,9%. O segmento mais afetado é o de bens de capital, com redução de 22,4% no
ano e de 18,4% nos 12 meses até agosto. É consequência da acentuada queda
dos investimentos produtivos, que comprometerá a recuperação futura.
Com
a deterioração do mercado de trabalho, vai
se perdendo parte das conquistas sociais que o governo petista sempre
exibiu como o principal resultado de suas políticas. É notável o aumento do
desemprego aferido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
Contínua do IBGE. Utilizando o critério de trimestres móveis, a Pnad Contínua registra o aumento contínuo
da taxa de desocupação desde o primeiro trimestre de 2015, quando era de
7,9%. No trimestre maio-junho-julho, tinha subido para 8,6%. Já o rendimento médio real habitual caiu de
R$ 1.907 para R$ 1.881.
Desemprego
e renda em queda fizeram cair as vendas do comércio e a contratação de
serviços. Outra pesquisa do IBGE mostrou que, em agosto, as vendas do comércio varejista diminuíram pelo sétimo mês
consecutivo. Na comparação com agosto de 2014, as vendas do varejo restrito
(que não inclui veículos e peças) caíram 6,9%; as do varejo ampliado, 9,6%.
O IBC-Br registrou em agosto
a 14.ª queda em 17 meses, o que não deixa dúvidas de que, ao contrário de
outras crises, esta é duradoura. E, no que depender da presidente Dilma Rousseff e
de seus principais articuladores políticos, além de se estender, ela pode
piorar. Incapazes de desanuviar o ambiente político e de obter aprovação das
medidas indispensáveis para o início da recomposição das finanças públicas, Dilma e seus auxiliares realimentam a
insegurança dos agentes econômicos. Nesse ambiente econômico em
decomposição, a inflação que se aproxima dos 10% não é o pior componente.
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