É INACEITÁVEL A VIOLÊNCIA NO BRASIL!
O desafio da violência
Editorial
No ano passado, 58.559 mil pessoas foram assassinadas -
o que dá uma média de 160 por dia ou uma a cada dez minutos - em comparação com
55.878 em 2013.
![]() |
Bairros de periferia são os que mais testemunham a violência cotidiana no Brasil |
O alto índice de
criminalidade continua sendo um dos mais graves problemas enfrentados pelo País. Afora avanços em alguns
poucos Estados, como São Paulo, em termos globais a situação vem piorando a
cada ano, de acordo com os estudos feitos regularmente sobre o problema. E o
que torna esse quadro particularmente preocupante é que ele se agrava a partir
de um número já extremamente elevado de
mortes violentas - de mais de 50 mil - nos últimos anos. É algo realmente
assustador, como mostram reportagens do[s jornais] Estado e de O Globo.
No ano passado, segundo estudo feito pelo
Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 58.559
mil pessoas foram assassinadas - o que dá uma média de 160 por dia ou uma a
cada dez minutos - em comparação com 55.878 em 2013. Esses números incluem homicídios, mortes resultantes de intervenção
policial, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e policiais mortos. A
taxa de homicídios por 100 mil habitantes, de 26,3, registrada no ano passado,
coloca o Brasil na lista dos 20 países
mais violentos do mundo.
Alagoas é o Estado em que essa taxa é mais elevada, de 66,5 [mortes
por 100 mil habitantes], vindo em seguida o Ceará (50,8) e o Rio Grande do Norte (50 mortes por 100 mil hab.). Para ter uma
ideia do que significa aquela taxa nas alturas, se fosse um país, Alagoas seria o segundo mais violento do mundo. A
Bahia lidera em números absolutos (6.265 mortos), seguida pelo Rio (5.719) e
São Paulo (5.612). Apesar desse número elevado, São Paulo tem a taxa mais baixa, de 10,7. Já o Rio, com taxa de 30,
fica muito próximo da Colômbia (30,8), que é o 13.º país mais violento do
mundo.
Completa
esse quadro desolador um dos dados que mais chamaram a atenção dos
pesquisadores do Fórum: as mortes
resultantes de intervenção policial, a imensa maioria das quais as polícias
insistem em dizer que decorreram de “confrontos” com suspeitos que reagiram. Com 3.022 casos, elas só perdem - com
uma grande diferença, é bem verdade - para os homicídios (52.305). O elevado índice da chamada “letalidade
policial” é um elemento negativo importante porque abala a confiança da
população na polícia, o que prejudica o combate ao crime.
Tudo
isso demonstra que, ao contrário de uma ideia bastante difundida e alimentada a
seu respeito, o Brasil - como diz o
vice-presidente do Fórum e um dos responsáveis pelo estudo, Renato Sérgio de Lima - “está longe de ser um país pacífico”.
Isso é claramente incompatível com o que ele chama com razão de “quantidade absurda de mortes” violentas
registradas a cada ano. A seu ver, uma redução significativa do número
dessas mortes exige mudanças na forma como estão organizados o aparelho
policial e o Judiciário.
O problema não é falta de
dinheiro, como se imagina comumente, afirma ele, que dá como exemplo disso o
fato de o País ter investido em segurança pública, em 2014, cerca de R$ 70
bilhões. É
um gasto compatível com o dos países europeus, nos quais a situação é
completamente diferente, e que aqui não ajudou nem mesmo a estabilizar o
quadro, que continuou a piorar em 2014.
Lima
está certo quando diz que esse “não é um
problema de um governo ou outro. É um problema nacional e não pode ser
ignorado”. Em outras palavras, dada a magnitude do problema, que vem se
agravando há décadas, só um esforço
conjunto dos três níveis de governo - União, Estados e municípios - será capaz
de produzir os resultados necessários para levar o índice de criminalidade
para um nível próximo ao dos países desenvolvidos.
E esse tem de ser também um
esforço continuado, porque a situação, ao ponto a que chegou, só pode ser
mudada ao longo de mais de um governo. Ou seja, a solução depende de os partidos, que se
sucedem no poder, colocarem a questão acima de suas divergências. O que está em
jogo justifica e, mais do que isso, exige esse entendimento excepcional.
É inaceitável que não se
faça o possível e o impossível para pôr fim a essa verdadeira guerra que se
trava no Brasil e produz mais vítimas do que muitos dos conflitos
contemporâneos.
Comentários
Postar um comentário