5º Domingo da Páscoa – Ano C – Homilia
Evangelho: João 13,31-33a.34-35
31
Depois que Judas saiu, do cenáculo disse Jesus: «Agora foi glorificado o Filho
do Homem, e Deus foi glorificado nele.
32
Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o
glorificará logo.
33a
Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco.
34
Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim
também vós deveis amar-vos uns aos outros.
35
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos
outros.»
JOSÉ ANTONIO PAGOLA
NÃO PERDER A IDENTIDADE
Jesus está se despedindo de seus discípulos.
Daqui a pouco, não mais o terão entre eles. Jesus lhes fala com ternura
especial: «Filhinhos, por pouco tempo
estou ainda convosco». A comunidade
é pequena e frágil. Acaba de nascer. Os discípulos são como crianças pequenas.
O que será deles se ficarem sem o
Mestre?
Jesus lhes dá
um presente:
«Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos
uns aos outros. Como eu vos amei». Casos
se quiserem mutuamente com o amor com que Jesus amou-os, não deixarão de
senti-lo vivo no meio deles. O amor que receberam de Jesus seguirá
difundindo-se entre os seus [seguidores].
Por isso, Jesus acrescenta: «O
sinal pelo qual todos saberão que sois meus discípulos será se vos amardes uns
aos outros». Aquilo que permitirá que uma comunidade que se diz cristã
seja, realmente, de Jesus, não será a confissão de uma doutrina, nem a
observância de alguns ritos, nem o cumprimento de uma disciplina, mas o AMOR VIVIDO com o espírito de Jesus.
Nesse amor está sua identidade.
Vivemos em uma sociedade onde se foi impondo
a «cultura da troca». As pessoas trocam objetos, serviços e prestações. Com
frequência, trocam ainda mais entre si sentimentos,
corpos e até amizade. Eric Fromm [1900-1980:
psicanalista, filósofo e sociólogo alemão] chegou a dizer que «o amor é um fenômeno marginal na sociedade
contemporânea». Pessoas capazes de amar é uma exceção.
Provavelmente, seja uma análise
excessivamente pessimista, porém o certo é que, para viver hoje o amor cristão, é necessário resistir à atmosfera que
envolve a sociedade atual. Não é possível viver um amor inspirado por Jesus
sem distanciar-se do estilo de relações e intercâmbios interessados que
predomina frequentemente entre nós.
Se a Igreja «está se diluindo» no meio da sociedade
contemporânea não é só devido à crise profunda das instituições religiosas. No
caso do cristianismo é, também, porque
muitas vezes não é fácil ver em nossas comunidades discípulos e discípulas que
se distingam por sua capacidade de amar como Ele amava. Falta-nos o
distintivo cristão [o Amor].
Nós, cristãos, temos falado muito de amor. No
entanto, nem sempre temos conseguido ou nos atrevido a dar-lhe seu verdadeiro
conteúdo a partir do espírito e das atitudes concretas de Jesus. Falta-nos aprender que Ele viveu o amor
como um comportamento ativo e criador que o levava a uma atitude de serviço e de luta contra tudo o aquilo que desumaniza e faz sofrer o ser
humano.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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