Será que nosso planeta aguenta?
Exigências impostas à Terra
Marcus Eduardo
de Oliveira
Economista
e ativista ambiental
É cada vez mais nítido que a capacidade do planeta de
atender nossas necessidades vem declinando significativamente, degradando,
passo a passo, mas com velocidade assustadora, a qualidade de vida dos povos.
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POR ANO NASCEM, EM MÉDIA, 80 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO, NESSE RITMO, EM 60 ANOS A POPULAÇÃO IRÁ DOBRAR! |
À
medida que o aumento da população
acompanha o crescimento econômico
industrial em escala global, fica claro que a Terra – doadora de vida – não
consegue suportar as exigências – de extração de recursos, produção industrial,
consumismo voraz e recebimento de detritos pós-produção - impostas a ela pelo
comportamento humano.
Essa “combinação” de dupla
expansão, demográfica e industrial, que serve de amparo para a sociedade consumista,
fazendo triunfar o capitalismo de mercado, leva à economia a dissociar-se da
realidade da Natureza, e, de modo análogo, permite ainda ao convencionalismo
econômico ignorar sobremaneira os
fundamentos ecológicos, principalmente em relação aos limites e a taxa de
regeneração.
Por
trás desses fatos, os números não mentem, confirmando o crescimento
populacional combinado com o crescimento econômico:
* em 1900, o mundo contava 1,6
bilhão de habitantes;
* trinta anos depois, em 1930, um bilhão a
mais de pessoas chegava ao planeta.
Hoje, descontadas as mortes, 220 mil novos bebês nascem todos os dias no
mundo, são 80 milhões de nascimentos
por ano. Atingimos 7,2 bilhões de
indivíduos habitando um único planeta, pressionando e esgotando os
principais serviços ecossistêmicos que dão suporte à vida.
Se,
no passado, levava-se três décadas para aumentar a população global em mais 1
bilhão de pessoas, atualmente são necessários apenas 12 anos para isso
acontecer. Continuando esse ritmo,
apenas 60 anos é tempo suficiente para DOBRAR a população mundial.
No
que se refere à expansão industrial, o indicador ainda largamente usado para
medir o crescimento físico da economia é o PIB, com todas as gritantes falhas
apresentadas em sua mensuração, principalmente pelo fato de não considerar o
uso e a depreciação do capital natural, vistos pelo convencionalismo econômico
como externalidade.
Pois
bem, olhando para o passado não muito distante:
* em 1950, o mundo produzia a importância de US$ 4,5 trilhões de PIB.
* Cinquenta anos depois (2000), para um conjunto de pouco menos de
200 nações existentes à época, o PIB
mundial já era de US$ 50 trilhões.
A PRODUÇÃO INDUSTRIAL SEGUE UM RITMO FRENÉTICO DESDE O FINAL DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL PARA DAR CONTA DO CONSUMISMO SEMPRE CRESCENTE! |
Quinze anos após [2015], mesmo diante de
crises e solavancos econômicos de proporções graves e estagnantes, o mundo está produzindo US$ 75 trilhões em
produtos e serviços, com destaque para os Estados Unidos, China e Japão
que, somados, produzem mais de 40% desse montante (US$ 33 trilhões - dados de
2015).
Desse
modo, é cada vez mais nítido que a capacidade do planeta de atender nossas
necessidades vem declinando significativamente, degradando, passo a passo, mas
com velocidade assustadora, a qualidade de vida dos povos.
Os
números concernentes a isso também não mentem e nem deixam rastros de dúvidas:
olhando, especialmente, para o ecossistema terras
aráveis, tem-se que:
* em 1900, havia 7,91 hectares de
terra por pessoa,
* enquanto em 2002, face ao aumento populacional e o
constante processo de urbanização, esse
número caiu para 2,02 hectares.
* A projeção para 2050 – quando o mundo terá então
9,5 bilhões de habitantes - é de 1,63
hectare [de terra arada] por pessoa.
Desde 1950, mais de um terço
das florestas tropicais já foi eliminada. Sem florestas há menos água; com menos água há
menos produtos fabricados (uma calça jeans, por exemplo, requer 11 mil litros
de água; um carro, 400 mil litros, e uma simples pizza, 2.680 litros) e, claro,
também menos alimentos.
Péssima
distribuição de alimentos
Mesmo
esse último fato (menos alimentos) sendo verdadeiro, a fome que hoje atinge 850 milhões de pessoas no mundo está relacionada
à péssima distribuição dos alimentos, e não ao problema de escassez.
De
acordo com dados oficiais elaborados pela FAO/ONU estariam disponíveis 2.800 calorias por pessoa ao dia, se houvesse uma
correta distribuição dos alimentos. Ora, existem alimentos suficientes para
prover em torno de 2 kg de comida diária por pessoa, dos quais 1,1 Kg de
cereais, 450 g de carne, leite e ovos e mais 450 g de frutas e verduras. O problema maior, contudo, é que isso não
chega a quem tanto necessita.
Como
exemplo, basta atentar ao fato de que, na média, cada cidadão vivendo hoje nos Estados Unidos da América (EUA), consome
ao ano 120 quilos de carnes (10 quilos por mês por pessoa), ao passo que um
angolano, vivendo atualmente na África, não consome mais que 2 quilos por mês
(menos de 24 quilos/ano).
Não
por acaso, o número de obesos e de
pessoas com sobrepeso no mundo (pouco mais de 1 bilhão de pessoas) supera o de famintos – 850 milhões.
Também
não por acaso, os EUA, com seu
calórico e pernicioso estilo fast-food,
concentram o segundo maior índice de
obesidade do planeta, com 31,8% da população, perdendo apenas para o México, com 32,8% (dados da Organização
Mundial de Saúde - OMS, 2015).
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