ÁGUA - O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Governo diz que situação das represas de SP é grave;
Nordeste já está em “colapso”
Rafael Moraes
Moura e Lisandra Paraguassu
Ministros fazem
balanço e destacam que Cantareira está 11% abaixo do volume útil. “Quadros
continuam críticos”, diz presidente da Agência Nacional de Águas (ANA); em 50
cidades nordestinas, fornecimento chega a ser feito uma vez a cada 15 dias
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Moradores fazem fila para pegar água distribuída por um caminhão pipa em São João do Rio do Peixe na Paraíba |
O diretor-presidente da Agência
Nacional de Águas (ANA), Vicente
Andreu, disse nesta quarta-feira, 1 de abril, que, mesmo com o cenário
favorável de chuvas em fevereiro e março, o quadro no Estado de São Paulo
continua “grave”. Além disso, mais de 50
municípios no Nordeste estão em colapso hídrico neste momento - esse número
pode chegar a 105 se o regime de chuvas na região não melhorar.
“Mesmo tendo sinais de uma quantidade de água mais favorável chegando
aos reservatórios, os quadros continuam críticos. Medidas que foram adotadas até aqui no controle e na redução das vazões
dos reservatórios e dos rios têm de ser mantidas”, disse Andreu, no Palácio
do Planalto, ao apresentar um balanço da crise hídrica no País. “Nenhuma medida
deve ser abrandada.”
Ao falar especificamente do principal manancial paulista, Andreu
destacou que, apesar das chuvas registradas nos últimos dois meses, as vazões
no Cantareira, que estava ontem com 19,1% da capacidade, ainda não atingiram as
médias do reservatório. “Se você
considerar a água em relação ao volume útil, hoje o reservatório está com -11%
em relação ao volume útil, o que significa que você ainda está usando água
abaixo do volume útil”, disse o diretor-presidente da ANA.
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Izabella Teixeira - Ministra do Meio Ambiente |
“O que choveu não
foi suficiente para recuperar o reservatório”, reforçou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ela disse que o
planejamento da campanha sobre uso racional da água, que está sendo preparada
pelo governo, deve ser retomado neste mês, com a proximidade do fim do período
de chuvas.
Como mostrou o jornal O Estado de
S. Paulo, uma divergência na formulação da campanha entre a Secretaria de
Comunicação do governo - que pretendia creditar a seca que atinge grande parte
do País ao aquecimento global - e o Ministério do Meio Ambiente, que pretendia
deixar de fora uma questão que ainda não tem consenso científico, travou a
campanha. Izabella afirmou que já marcou uma visita ao novo ministro da Secom,
Edinho Silva, para tratar do tema. “Será uma campanha de informação. Vamos
tentar influenciar o comportamento de cada brasileiro. Temos de poupar água.”
Nordeste e transposição
Ao falar do cenário na Região Nordeste, o ministro da Integração
Nacional, Gilberto Occhi, ressaltou
que o governo tem investido na construção de poços para atender municípios.
“Queremos entregar as obras hídricas o mais rápido possível”, disse.
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Gilberto Occhi - Ministro da Integração Nacional |
Um levantamento feito pelo Ministério da Integração Nacional, com dados
dos Estados, relata que há 50 cidades em
estado de calamidade, com o fornecimento
de água uma vez a cada quatro dias - chegando até a uma vez a cada 15 dias.
O governo federal também deve começar a oferecer carros-pipa nas
próximas semanas. “O apoio do governo federal será feito, não definimos como
nem quando. Faremos dentro do que é possível. Na área rural, o abastecimento é
feito pelo Exército e com todo controle eletrônico”, afirmou o ministro da
Integração Nacional. As alternativas, segundo ele, serão discutidas na próxima
semana.
Occhi ressaltou, no entanto, que a
solução para a questão hídrica no Nordeste é a transposição do Rio São
Francisco. “A partir do segundo semestre, começaremos a entregar
quilômetros dessa obra e, até o fim de 2016, vamos entregá-la por inteiro”,
disse.
Mas os dados da Agência Nacional de Águas mostram que mesmo o Rio São
Francisco está ainda longe de um nível satisfatório. Dos dois reservatórios do
manancial, o de Três Marias, na cabeceira, teve recuperação nesse período de
chuvas no Nordeste, mas ainda opera em nível muito baixo. Enquanto isso, o de
Sobradinho mantém-se em situação crítica.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Metrópole / São Paulo – Quinta-feira, 2 de abril de 2015 – Pg. A11 –
Internet: clique aqui.
Governo paulista só inicia 1 de 7 obras contra crise
hídrica
Fabio Leite
Sabesp conseguiu
começar a interligação do Rio Guaió com o Sistema Alto Tietê
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Obras previstas pela SABESP para o rio Taiaçupeba |
Apenas uma das sete obras de emergência previstas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de
São Paulo (Sabesp) para “atravessar o deserto de 2015” sem decretar rodízio
oficial no abastecimento de água na região metropolitana já foi iniciada,
segundo o presidente da estatal, Jerson
Kelman.
“Hoje está sendo feita apenas uma (obra), que é a ligação do
(Rio) Guaió com a (Represa) Taiaçupeba. Brevemente, começará outra, que são duas adutoras que levarão água do (Sistema)
Rio Grande para Taiaçupeba (Sistema Alto Tietê)”, disse Kelman, em debate sobre
a crise hídrica promovido anteontem pelo jornal Folha de S.Paulo.
A ligação do Rio Grande, que é um braço da Represa Billings,
com a Taiaçupeba é considerada a obra mais urgente. O objetivo é levar 4 mil
litros por segundo para o Alto Tietê, cuja estação de tratamento está
subaproveitada porque o manancial está com 22,7% da capacidade. Com isso, a
Sabesp prevê levar mais água desse sistema para socorrer a área do Cantareira.
Ao anunciar a ligação das duas represas, no fim de janeiro,
o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a obra começaria em fevereiro e
seria concluída em maio. Agora, a previsão de entrega é julho, segundo a Sabesp.
O custo estimado é de R$ 130 milhões, e os contratos para execução das obras
físicas e aquáticas, no valor de R$ 46,6 milhões, foram assinados sem licitação
no dia 27.
Além desse projeto e da obra já iniciada que prevê levar 1
mil litros por segundo do Rio Guaió para a Taiaçupeba, o pacote de intervenções
emergenciais inclui a ligação do Rio
Itatinga ao Sistema Alto Tietê e dos Rios Capivari e Juquiá ao Guarapiranga.
Além disso, a Sabesp pretende ampliar de 4 mil para 5 mil l/s a transferência
de água da Billings para a represa da zona sul da capital e, com isso, ampliar
a capacidade do Sistema Guarapiranga de 15 mil para 16 mil l/s. Neste caso, um
contrato de R$ 41,6 milhões, sem licitação, já foi assinado.
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Jerson Kelman - atual Presidente da SABESP |
Condições
Para Kelman, a conclusão das obras emergenciais sem atrasos
é umas das condições necessárias para não adotar o rodízio. As outras duas são
a continuidade da economia de água pela população e que o Cantareira receba até
80% da água que entrou no manancial em 2014, pior ano da história.
“Nós fizemos um elenco de possíveis obras, que serão
defasadas no tempo, na medida que forem sendo necessárias”, afirmou Kelman,
sobre o ritmo de execução das obras. Ele disse que a ideia das intervenções
surgiu durante um sobrevoo que fez na região em seu terceiro dia à frente da
Sabesp para detectar novas fontes de recursos de abastecimento.
À época, o Cantareira caminhava para esgotar o segundo
volume morto. A recuperação parcial aconteceu com as chuvas de fevereiro e
março, que ficaram acima da média. Ontem, porém, no primeiro dia da estação
seca, que vai até setembro, não caiu nenhum milímetro nos seis mananciais da
região. O único que não registrou queda foi o Cantareira (que subiu 0,1 ponto,
para 19,1%), reflexo ainda da precipitação de segunda. Apesar disso, Kelman
acha que o rodízio não será necessário.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Metrópole / São Paulo – Quinta-feira, 2 de abril de 2015 – Pg. A12 –
Internet: clique aqui.
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