DILMA: BRINCANDO COM O BRASIL ! ! !
Deu “zika” na Saúde
Eliane
Cantanhêde
Quem é mesmo o Ministro da Saúde?
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MARCELO CASTRO Médico, Deputado Federal do Piauí pelo PMDB e atual Ministro da Saúde |
O
carnaval nem começou e a Olimpíada será só no segundo semestre, mas o mosquito Aedes Aegypti já está sambando e batendo
um bolão pelo Brasil afora:
* Em 2014, o País passou a conviver com o
vírus chikungunya.
* Em
2015, bateu o recorde histórico de casos de dengue.
* Em
2016, já começou o ano com o zika
vírus nas manchetes e contabilizando mais
de 3 mil casos de microcefalia. Espantoso!
A
dengue existe desde sempre no mundo, o chikungunya também não é exclusividade
brasileira, o zika vem se espalhando por mais de 20 países e a febre amarela
está controlada. (Ela também é transmitida pelo Aedes, mas com uma diferença vital: há vacina eficaz.) O mais espantoso, portanto, é tudo isso
junto e o Brasil chegar a esse estado de calamidade tendo quem tem no
Ministério da Saúde.
Enquanto
as cúpulas do PT, do PMDB e do PP se refestelavam no mensalão, na Petrobrás, em
outras estatais, no Carf, na edição de medidas provisórias, nos fundos de
pensão e na relação do BNDES com as “campeãs nacionais”, tudo o que sobrou para empurrar na Saúde foi Marcelo Castro.
Quem é mesmo esse cidadão?
Um médico renomado, respeitado e admirado
pela própria categoria?
Especialista de um dos centros
de excelência
do Brasil, com experiência comprovada em
saúde pública?
Ou
um político com grande liderança?
Nada
disso. Marcelo Castro é um médico sem
currículo, um político medíocre, um deputado do “baixo clero”, que só virou
o que virou porque o inexpressivo líder do PMDB, Leonardo Picciani, indicou e a
errática presidente da República, Dilma Rousseff, nomeou. Agora, aguentem!
Ou melhor: agora, brasileiros, aguentem!
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EDUARDO PICCIANI (PMDB-RJ) E DILMA ROUSSEFF: O líder inexpressivo do PMDB indicou e Dilma aceitou o nome de Marcelo Castro para Ministro da Saúde |
Sem
ter o que dizer aos cidadãos, apavorados com dengue, zika e chikungunya, e aos
especialistas em Saúde, que precisam de orientação, coordenação, recursos e
decisão política, o nosso Marcelo Castro
se dedica a... falar, falar e falar sobre o que não sabe. Na falta do que
dizer, improvisa.
Primeiro,
horrorizou brasileiros e brasileiras ao “torcer” para que as mulheres pegassem
o zika ainda meninas: “Vamos torcer para
que mulheres, antes de entrar no período fértil, peguem a zika, para elas
ficarem imunizadas pelo próprio mosquito. Aí, não precisa da vacina”.
Agora, chocou o mundo e irritou Dilma ao dizer uma singela verdade: “nós estamos com o Aedes há décadas aqui e
estamos perdendo feio a batalha para o mosquito”. A Organização Mundial da
Saúde (OMS) desconversou, considerando a fala do ministro brasileiro “algo
fatalista”. E Dilma descabelou-se. Mas a
culpa de ter um ministro desses é de quem?
O
Brasil discute com os Estados Unidos um acordo de cooperação visando ampliar as
pesquisas comuns sobre vacina da dengue para uma futura vacina contra o zika,
com participação de outros países que se interessarem. Mas isso, repita-se, é
coisa para o futuro.
No presente, a situação é
fora de controle, com as grávidas brasileiras querendo fugir para locais mais seguros e
os estrangeiros refletindo se é mesmo o caso de vir para o carnaval e a
Olimpíada, com dengue sambando, chikungunya em campo, zika treinando dia e
noite e um ministro da Saúde que é um caso para junta médica.
Depois
do mensalão, do petrolão, da Zelotes, do escândalo do Carf, de Eduardo Cunha na
presidência da Câmara, Renan Calheiros na do Senado e Picciani na liderança do
maior partido... Marcelo Castro é a
personificação da falência não de um governo, mas de um sistema.
Conselhão
Dilma
reúne na quinta-feira [28/01] ministros,
pesos-pesados das finanças, líderes da indústria e do comércio, o homem mais
rico do Brasil e até o nosso Wagner Moura. Para
que, além da foto? Ela tem de conciliar combate à recessão e à inflação;
dar crédito para quem não quer crédito; agradar aos gregos do pragmatismo e aos
troianos alinhados com o PT. No fim, combinar com os russos: o Congresso. Vai
dar certo?
Pastel de vento
Dora Kramer
Senhora de si, Dilma não ouve ninguém e não será ao “Conselhão”
que vai escutar
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Presidente Dilma Rousseff discursa durante 39ª Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - CDES. (Brasília - DF, 30/08/2012) |
O
nome é pomposo: Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social [CDES]. A proposta, tão grandiosa (e
vazia) quanto: “Assessorar o presidente da República na formulação de políticas
e diretrizes específicas, e apreciar sugestões de políticas públicas, de
reformas estruturais e desenvolvimento econômico-social que lhe sejam
submetidas pelo presidente com vista à articulação das relações do governo com
representantes da sociedade”.
A produção, um zero à
esquerda.
Criado em maio de 2003, o chamado
“Conselhão” nunca pôs para funcionar um táxi no Brasil, muitíssimo menos
determinou a definição dos grandes rumos do País ou “alargou de forma inédita a
interlocução entre o governo e a sociedade”, conforme informa o balanço de
atividades na página do CDES na internet.
Útil como peça publicitária
no início da gestão Luiz Inácio da Silva, o conselho revelou-se inútil na
prática. O que os conselheiros falavam nas reuniões
entrava por um ouvido do governo e saía pelo outro. As poucas sugestões
acatadas – como a concessão de crédito consignado – jamais foram atribuídas ao
colegiado, mas apresentadas como iniciativas do então presidente.
Pois
agora Dilma Rousseff anuncia a retomada desse foro de debates que se reúne
amanhã, repaginado. Saem, por exemplo, executivos de empreiteiras e entram
representantes de entidades de classe de empregados e empregadores. Para a
função de cereja do bolo foi convidado o ator
Wagner Moura.
A agenda, de novo, é
ambiciosa: a definição de “estratégias para retomar o crescimento sem afetar o
ajuste fiscal”.
A ideia sugerida é a de debater propostas para a composição das medidas de
recuperação da economia a serem anunciadas em fevereiro. Ora, ora, sabemos todos
e sabem muito mais ministros, governadores, parlamentares governistas e
políticos oposicionistas, quais são as bases do diálogo continuamente prometido e jamais praticado pela presidente da
República, a quem cairia bem o codinome senhora de si.
Nessa
condição, não ouve ninguém. É conhecido
seu hábito de convocar reuniões com propósito exclusivo de se fazer ouvir.
Não será, portanto, aos 90 conselheiros do CDES que abrirá os ouvidos.
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