Francisco adverte a Igreja contra “enganar a si mesma” ao pensar que opera sob o seu próprio poder
Joshua J.
McElwee
National
Catholic Reporter
06-01-2016
O Papa Francisco novamente clamou por uma Igreja
Católica global que seja missionária em todos os seus aspectos, dizendo que ela
tem uma obrigação junto aos que estão à espera para aprender sobre Cristo e que
podem estar necessitados de uma mensagem de misericórdia e paz.
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PAPA FRANCISCO Celebrando a Missa da Epifania do Senhor |
O
pontífice também advertiu os religiosos a não pensarem que a religião atrai as
pessoas com o seu próprio poder, enfatizando que “a Igreja não pode se enganar em pensar que ela brilha com a sua
própria luz”.
Em
uma homilia durante a missa em que
se celebrou a Festa da Epifania,
Francisco refletiu sobre a história da estrela que se diz ter atraído os Três Magos
a se colocarem a viajar para adorar o Menino Jesus em Belém.
Ele
fez referência a uma metáfora de Santo
Ambrósio, do século IV, que apresenta
uma Igreja que reflete a luz de Deus como a luz reflete o sol.
“Cristo
é a luz verdadeira, que ilumina; e a
Igreja, na medida em que permanece ancorada n’Ele, na medida em que se deixa
iluminar por Ele, consegue iluminar a vida das pessoas e dos povos”, disse
o pontífice.
“Anunciar
o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer entre muitas, nem é uma
profissão”, continuou.
“Para
a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo”, disse. “Para a Igreja, ser missionária equivale a
exprimir a sua própria natureza: isto é, ser iluminada por Deus e refletir a
sua luz”.
“Este
é o seu serviço”, disse o papa. “Não há outra estrada. A missão é a sua vocação: resplandecer a luz de Cristo é o seu serviço”.
“Quantas
pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo,
precisam de conhecer o rosto do Pai?”, perguntou.
Francisco
estava falando na quarta-feira (6 de janeiro) durante a Solenidade da Epifania
na Basílica de São Pedro, celebrada pelos católicos todos os anos nesse mesmo
dia para comemorar a visita dos Três Magos ao Jesus recém-nascido. O pontífice
disse que a história dos três reis
gentios a visitar o menino judeu evidencia o desejo divino de superar toda e
qualquer divisão na humanidade.
“Os
Magos (…) são um testemunho vivo de como estão presentes por todo lado as
sementes da verdade, pois são dom do Criador que, a todos, chama a reconhecê-Lo
como Pai bom e fiel”, disse ele.
“Os Magos representam as
pessoas, dos quatro cantos da terra, que são acolhidas na casa de Deus”, continuou. “Na presença de
Jesus, já não há qualquer divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino,
toda a humanidade encontra a sua unidade”.
Ao
falar sobre como a aparição da estrela no céu escuro havia instado os reis a
saírem em busca do Menino Jesus, Francisco falou que a Igreja “tem o dever de
reconhecer e fazer surgir, de forma cada vez mais clara, o desejo de Deus que
cada um traz dentro de si”.
“Como
os Magos, ainda hoje, há muitas pessoas
que vivem com o ‘coração inquieto’, continuando a questionar-se sem encontrar
respostas certas”, declarou. “Também elas andam à procura da estrela que
indica a estrada para Belém.
“Sigamos
a luz que Deus nos oferece, pequenina!”, exortou o pontífice. “A luz que
irradia do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade”.
“E,
quando chegarmos junto d’Ele, adoremo-Lo com todo o coração e ofereçamos-Lhe de
presente a nossa liberdade, a nossa inteligência, o nosso amor”, pediu o papa.
“[Reconheçamos que] A verdadeira sabedoria se esconde no rosto deste Menino”.
“É aqui, na simplicidade de
Belém, que a vida da Igreja encontra a sua síntese”, disse Francisco. “Aqui
está a fonte daquela luz que atrai a si toda a pessoa no mundo e orienta o
caminho dos povos pela senda da paz”.
Francisco
também fez breves comentários nesse mesmo dia depois de rezar o Ângelus com os
peregrinos na Praça de São Pedro marcada por uma leve garoa.
Em
sua reflexão aqui, o papa disse que os cristãos de hoje podem encontrar um
“grande consolo” na cena dos Magos
junto à estrela natalina, dizendo que aí se
vê que somos guiados por Deus, não estando abandonados à nossa própria sorte.
Porém
o pontífice disse que a experiência dos reis também “exorta-nos a não nos contentarmos com a mediocridade, a não ‘ir
vivendo’, mas a procurar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande
mistério da vida. E ensina-nos a não nos escandalizarmos com a pequenez e a
pobreza, mas a reconhecer a majestade na humildade”.
A
missa de quarta-feira foi a segunda celebração em uma série de eventos papais a
marcar o período de Natal, que irá acabar no domingo com a celebração da Festa
do Batismo de Jesus. Francisco marcará esta ocasião com uma missa na Capela
Sistina, onde também vai batizar várias crianças.
Os
músicos que fizeram parte da missa de quarta-feira incluíam membros do coro
arquidiocesano da Arquidiocese de Detroit, que foram convidados a se juntar ao
Coro da Capela Sistina para o dia festivo.
Traduzido do inglês por Isaque Gomes Correa. Para acessar a versão original deste artigo,
clique aqui.
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