Papa: transmitir a misericórdia de Deus é missão comum aos cristãos
Jéssica Marçal
Na Catequese de hoje, Papa falou da Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos, enfatizando a partilha do Batismo e a missão de
levar a misericórdia de Deus
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PAPA FRANCISCO Abençoa imagem de Nossa Senhora apresentada por um fiel durante a Audiência Geral Quarta-feira, 20 de janeiro de 2016 Aula Paulo VI - Vaticano |
A
catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 20 de janeiro, foi dedicada à
unidade entre os cristãos, tendo em vista que na Itália e em alguns outros países se celebra a Semana de Oração pela
Unidade dos Cristãos desde segunda-feira, 18. Sem se distanciar do CICLO DE
CATEQUESES SOBRE MISERICÓRDIA, Francisco enfatizou que transmitir a misericórdia de Deus aos outros é uma missão comum aos
cristãos.
O
Santo Padre explicou que nesta Semana, os cristãos são convidados a redescobrir a graça do Batismo, um dos
pontos de unidade, e ir além das divisões. Segundo ele, partilhar o Batismo
significa reconhecer que todos são pecadores e precisam de salvação. O Batismo chama os cristãos ao encontro com o
Deus vivo, cheio de misericórdia, acrescentou.
Francisco
reconheceu que todos acabam fazendo a experiência do egoísmo que leva à
divisão, mas partir novamente do Batismo
significa reencontrar a fonte da misericórdia, que é fonte de esperança para
todos, pois ninguém está excluído da misericórdia de Deus.
“A
partilha dessa graça (do Batismo) cria uma ligação indissolúvel entre nós
cristãos, de forma que no Batismo podemos nos considerar todos irmãos, somos
povo santo de Deus mesmo que por causa de nossos pecados não sejamos um povo
plenamente unido”.
Para
os cristãos, acrescentou o Santo Padre, anunciar a força do Evangelho e
partilhar as obras de misericórdia, corporais e espirituais, é uma experiência
concreta de fraternidade. “Temos uma
missão em comum que é aquela de transmitir a misericórdia recebida aos outros, partindo dos mais pobres e abandonados”.
Francisco
concluiu a audiência pública com os fiéis pedindo que, nesta Semana de Oração,
eles rezem para que todos os discípulos de Cristo encontrem, juntos, um modo de
levar a misericórdia do Pai a todos os cantos da terra.
Leia, na íntegra, a
Catequese do Papa:
PAPA FRANCISCO
Audiência Geral
CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Caros
irmãos e irmãs, bom dia!
Escutamos o texto bíblico que neste ano
dirige a reflexão na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos [1Pd 2, 9-10],
que vai de 18 a 25 de janeiro: esta semana. Esse trecho da Primeira Carta de
São Pedro foi escolhido por um grupo ecumênico da Letônia, o qual foi
encarregado pelo Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Pontifício Conselho para
a Promoção da Unidade dos Cristãos.
Ao centro da catedral luterana de Riga há
uma fonte batismal que remonta ao século XII, na época em que a Letônia foi
evangelizada por São Mainardo. Aquela fonte é sinal eloquente de uma origem de
fé reconhecida por todos os cristãos da Letônia, católicos, luteranos e
ortodoxos. Essa origem é o nosso comum Batismo. O Concílio Vaticano II afirma que
«o Batismo constitui o vínculo sacramental da unidade que vigora entre todos aqueles
que por meio dele foram regenerados» (Unitatis
redintegratio, 22). A Primeira Carta de Pedro é dirigida à primeira geração
de cristãos para torná-los conscientes do dom recebido com o Batismo e das
exigências que ele comporta. Também nós, nesta Semana de Oração, somos
convidados a redescobrir tudo isto, e fazê-lo juntos, indo além de nossas
divisões.
Antes de tudo, compartilhar o Batismo significa que todos somos pecadores e temos
necessidade de sermos salvos, redimidos, libertos do mal. É este o aspecto
negativo, que a Primeira Carta de Pedro chama «trevas» quando diz: «[Deus] vos
chamou das trevas para conduzir-vos em sua luz maravilhosa» [1Pd 2,9]. Esta é a
experiência da morte, que Cristo fez própria, e que é simbolizada no Batismo
pela imersão na água, a qual segue o reemergir, símbolo da ressurreição para a
nova vida em Cristo. Quando nós cristãos dizemos de compartilhar um só Batismo,
afirmamos que todos nós – católicos, protestantes e ortodoxos – compartilhamos a
experiência de ser chamados das trevas impiedosas e alienantes ao encontro com
o Deus vivente, pleno de misericórdia. Todos,
de fato, infelizmente, fazemos experiência do egoísmo, que gera divisão,
fechamento, desprezo. Partir novamente do Batismo significa reencontrar a
fonte da misericórdia, fonte de esperança para todos, porque ninguém está
excluído da misericórdia de Deus.
A partilha desta graça cria uma ligação
indissolúvel entre nós cristãos, tanto que, em virtude do Batismo, podemos considerar-nos todos realmente
irmãos. Somos realmente povo santo de Deus, mesmo se, por causa dos nossos
pecados, não somos ainda um povo plenamente unido. A misericórdia de Deus, que opera no Batismo, é mais forte que nossas
divisões. À medida que acolhemos a graça da misericórdia, nos tornamos
sempre mais plenamente povo de Deus, e nos tornamos também capazes de anunciar
a todos as suas obras maravilhosas, justamente a partir de um simples e fraterno testemunho de unidade.
Nós cristãos podemos anunciar a todos a força do Evangelho empenhando-nos a
compartilhar as obras de misericórdia corporais e espirituais. E este é um
testemunho concreto de unidade entre nós cristãos: protestantes, ortodoxos e
católicos.
Traduzido do italiano por Pe.
Telmo José Amaral de Figueiredo.
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