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Dívida pública tem alta recorde e chega
a R$ 2,793 trilhões em 2015

Adriana Fernandes, Bernardo Caram, Lorenna Rogrigues
e Rachel Gamarski

Aumento de R$ 497 bilhões no endividamento foi 
puxado principalmente pelo crescimento do pagamento de juros;
de acordo com analistas, custo alto da dívida pode torná-la insustentável, mas Tesouro garante que 
não há motivo para preocupação

Na esteira da alta de juros e da inflação, a dívida do governo federal aumentou R$ 497 bilhões e atingiu R$ 2,79 trilhões em 2015. A expansão do endividamento do governo, que inclui a dívida em títulos do Tesouro Nacional vendidos no mercado doméstico e internacional, chegou a 21,65% - o maior valor da série iniciada em 2006.

O resultado do ano passado revelou uma forte deterioração e uma reversão, em um único ano, do processo de melhoria dos principais indicadores da dívida que vinha ocorrendo desde 2003, no primeiro ano do governo Lula. Para agravar o cenário, o Tesouro avisou que a dívida só vai começar a melhorar daqui a três anos.

O ritmo de crescimento da dívida foi quase três vezes maior que o verificado em 2014. O resultado negativo do ano passado foi puxado pelo aumento de R$ 367,67 bilhões nas despesas com juros, que provocou o aumento do estoque. Para 2016, o Tesouro previu que a dívida pode aumentar R$ 507 bilhões e chegar a R$ 3,3 trilhões.

A piora acelerada da dívida já havia sido captada pelas agências internacionais de classificação de risco - Standard & Poor’s e Fitch - que retiraram o grau de investimento do Brasil no ano passado.

As dificuldades já esperadas também para 2016 devem agora alimentar o risco de novos rebaixamentos e a piora da percepção dos investidores sobre a economia brasileira. Os indicadores de capacidade de pagamento da dívida, como tipo de correção dos papéis e prazo de vencimento, são os mais observados pelas agências na hora de avaliar a nota de um País. O governo precisa melhorar a confiança para garantir investimentos e a retomada do crescimento.

O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, avaliou que o crescimento da dívida em 2015 a torna "explosiva". Para ele, com o atual nível do custo de financiamento, em cerca de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), a discussão sobre a entrega de um superávit primário de 0,5% do PIB "se torna secundária". "Com um custo da dívida desta ordem, você abate uma parcela pequena com o superávit. Se o custo fosse mais perto de 4% ou 5% do PIB, o impacto do esforço fiscal poderia ser muito maior", afirmou.

Em 2015, três das seis metas fixadas para os principais indicadores da dívida não foram cumpridas: parcela de títulos atrelados à taxa Selic, inflação e prefixados (papéis que têm taxa fixada na hora da venda). Com o descumprimento, ficou comprometida a estratégia do governo de reduzir os títulos com correção pela Selic, que têm taxa flutuante a depender da decisão do Banco Central e trazem maior risco de financiamento, e aumentar os papéis atrelados ao IPCA e os prefixados.

O maior desvio ocorreu com os títulos vinculados a Selic, as LFTs [Letras Financeiras do Tesouro]. A parcela desses papéis fechou ano passado em 22,8% do total da dívida, acima da meta que previa um intervalo de 17% e 22%. Para 2016, o Plano Anual de Financiamento (PAF), que contém a estratégia de gestão da dívida, prevê um aumento ainda maior destes papéis, que podem chegar a 34%. Um valor bem longe do patamar de 15% considerado confortável para a gestão da dívida.
NELSON BARBOSA - Ministro da Fazenda
Agora defende o ajuste fiscal!!! Será que adianta?

“Não nos incomoda o fato de estarmos avançando na ampliação das LFTs”, minimizou o secretário interino do Tesouro Nacional, Otavio Ladeira de Medeiros. No passado, o Tesouro chegou a ter como meta reduzir a zero a parcela vinculada à Selic. Ele rebateu a avaliação de que o aumento desses papéis diminui a potência da política monetária do BC. Segundo ele, em momento de alta de juros, os LFTs são um instrumento de redução de custo.

Mesmo com redução de prefixados e aumento de títulos indexados à Selic, o secretário disse que a composição da dívida ainda está melhor do que o período de 2003 a 2011 e que houve agora um “pequeno recuo em um período complexo". "Não vejo retrocesso no conjunto da dívida", completou. Ele citou o fato de a dívida de curto prazo, a vencer em 12 meses, continuará em queda, devendo ficar abaixo de 20% em 2016.

Ele informou que o chamado “colchão de liquidez”, que são os recursos que o Tesouro tem em caixa para pagar os títulos que estão vencendo, soma hoje cerca de R$ 250 bilhões, montante suficiente para honrar os compromissos da dívida nos próximos seis meses. Com esse colchão, o Tesouro pode ficar sem vender títulos em momentos de turbulência no mercado.

Na mensagem em texto do apresentação do PAF, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, fez uma defesa do ajuste fiscal. O ministro reafirmou o compromisso com solidez fiscal permanente para a retomada do crescimento econômico sustentável, guiada pelo retorno do investimento e da produtividade.

“Por meio de resultados fiscais perenes, devolveremos aos agentes econômicos a previsibilidade e a confiança necessárias para o retorno dos investimentos privados, vetor principal de dinamização da economia brasileira", escreveu Barbosa.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia – Terça-feira, 26 de janeiro de 2016 – Pg. B1 – Internet: clique aqui.

Nas mãos de quem está a nossa
Dívida Pública Federal?

Eduardo Campos, Edna Simão e Fábio Pupo 
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Percebe-se que cresce, cada ano mais, o percentual do orçamento do Governo Federal
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1. A participação de investidores estrangeiros na DPMFi [Dívida Pública Mobiliária Federal Interna] caiu em termos percentuais em dezembro [2015], saindo de 19,37% do total em novembro para 18,8%. Em valor absoluto, a fatia recuou de R$ 498,87 bilhões para R$ 497,84 bilhões.
2. As instituições financeiras encerraram o mês respondendo por 25,0% da DPMFi, contra 24,33% em novembro.
3. Os fundos de investimento subiram a participação de 19,48% em novembro para 19,6% em dezembro.
4. As instituições de previdência fecharam dezembro com 21,44%, mesmo percentual de novembro.
5. O governo saiu de 5,9% para 5,8%.
6. Já as seguradoras reduziram de 4,7% para 4,6%.
7. Investidores individuais, pessoas físicas possuem 4,76%.

COMPOSIÇÃO

Depois de o Tesouro ter passado os últimos anos trabalhando para aumentar a participação de prefixados e para reduzir a de títulos mais voláteis para melhorar a gestão da dívida, a crise e as incertezas econômicas atrapalharam a trajetória esperada para 2015. No ano passado, houve uma piora na composição da dívida pública, com aumento na participação de títulos indexados à Selic.

A parcela de títulos prefixados na DPF [Dívida Pública Federal] caiu de 41,6% em 2014 para 39,4 em dezembro de 2015. O intervalo previsto no PAF era de 40,0% a 44,0%.

Os papéis atrelados à Selic aumentaram a fatia no período, de 18 7% para 22,8%. A projeção do PAF era de 17,0% a 22,0%.

Os títulos remunerados pela inflação caíram de 34,9% para 32,5% - a previsão era de 33,0% a 37,0%. Os papéis cambiais tiveram a participação ampliada de 4,9% para 5,3% - a previsão era de 4,0% a 6,0%.

O Tesouro destacou que houve emissões em volumes superiores à necessidade de financiamento, auxiliando a redução do excesso de liquidez. Também informou que foi ampliado o colchão da dívida para níveis próximos a seis meses de vencimento.

Fontes: Valor Econômico – 25/01/2016 – 14h50 – Internet: clique aqui; e ATRIBUNA.COM.BR – Notícias – Economia – 25/01/2016 – 16h48 – Internet: clique aqui.

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