O que pode ser notícia em 2016 no campo da SAÚDE?
Jairo Bouer
Psiquiatra
Esta
primeira coluna do ano aproveita os temas que foram destaque nos últimos meses
para apostar em novas pesquisas,
descobertas, discussões e polêmicas que devem aparecer em 2016. Vamos lá?
Teste
e vacina para zika?
No
final do ano, a Anvisa aprovou a primeira vacina contra a dengue, com cerca de
65% de eficácia. A aprovação traz esperança de esforços concentrados, agora,
para o desenvolvimento tanto de testes rápidos como de uma possível vacina
contra o zika, vírus relacionado à epidemia de microcefalia que vem assustando
o País.
Pouco
se sabe ainda sobre a patogenia do vírus (como ele ataca o sistema nervoso do
feto em desenvolvimento). Não estão claras, também, outras possíveis vias de
infecção, como sexual e por transfusão de sangue. Novas estratégias biológicas
para controle das populações do mosquito Aedes
aegypti (vetor da dengue e do zika) estão sendo testadas. Muitas novidades devem vir nesse campo.
Biológicos
ou Biossimilares?
Os
“genéricos” dos medicamentos biológicos (chamados de biossimilares) estão
chegando ao Brasil. O lado bom é que eles poderiam, eventualmente, aumentar o acesso aos tratamentos de alto
custo (com anticorpos monoclonais) de doenças autoimunes, como a Síndrome de Crohn e a artrite reumatoide, entre outras.
Mas
a luz vermelha acende quando se sabe que, diferentemente dos genéricos dos
medicamentos tradicionais, que são cópias simples das moléculas originais, os
biossimilares nunca são idênticos aos biológicos que tentam imitar.
Isso
acontece porque os biológicos são
produtos altamente complexos, produzidos por organismos geneticamente
modificados (bactérias) desenhados especialmente para essa função e, depois,
passam por uma gama grande de processos químicos e biológicos de produção e
purificação.
O risco é que ocorram
problemas sérios, como perda de eficácia, aumento de reações alérgicas e
comprometimento do resultado do tratamento. É fundamental uma legislação clara, que
defina o nome desses biossimilares (em alguns países o nome é idêntico ao do
biológico original, o que pode provocar confusão) e um maior esclarecimento
para médicos e pacientes sobre o que está disponível nos serviços de saúde.
Seria importante que esses
produtos similares fossem testados cientificamente, também, para cada uma das
indicações para as quais, muitas vezes, os biológicos originais já receberam
aval, antes de serem prescritos para os pacientes.
![]() |
MEDICAMENTOS BIOSSIMILARES |
Anticorpos
contra o câncer?
Ainda
na classe desses anticorpos monoclonais (medicamentos biológicos), há novidades para o tratamento de diversos
tipos de câncer, doença que aumenta à medida que a população envelhece.
Esses
anticorpos (imunoterapia) são uma alternativa
aos tratamentos disponíveis hoje, como a quimioterapia, que traz muitos
efeitos colaterais. Eles podem ser uma espécie
de “terapia de resgate”, para os casos mais graves de diversos tipos de tumor,
como de pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, esôfago, cólon e mama, entre outros.
Nosso
sistema imunológico é, em geral, capaz de identificar e combater células
cancerosas que apareçam no nosso corpo, ao identificar alguns marcadores. Mas
alguns tumores usam “armadilhas” para inativar nossas defesas. Os anticorpos monoclonais oferecem uma
espécie de “escudo” para nossas células de defesa que, assim, podem voltar a
destruir seu alvo.
HIV
na mira?
Muito
se falou sobre o HIV [vírus da Aids] em 2015. Apesar dos esforços para aumentar
as testagens, o início precoce do tratamento e a pesquisa com novas formas de
prevenção como a profilaxia pré-exposição (PrEP), o Brasil ainda segue com cerca de 40 mil novos casos de aids todos os
anos.
Testes
com vacinas e novos esquemas terapêuticos (antivirais de liberação lenta, que
poderiam ser tomados em doses únicas a cada mês, ou ainda, até a cada 6 ou 12
meses) estão sendo investigados. Até esquemas alternativos da PrEP, como o uso
de comprimidos apenas antes e depois de uma relação sexual, estão sendo
avaliados. Quem sabe não conseguimos
zerar a transmissão sexual do HIV até 2030?
Comentários
Postar um comentário