Pesquisador explica o aumento da temperatura global
EBC Rádios
20-01-2016
Segundo serviço meteorológico britânico, a temperatura
global,
em 2016, poderá bater recorde
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ONU CONFIRMA QUE 2015 FOI O ANO MAIS QUENTE JÁ REGISTRADO NA HISTÓRIA, BATENDO O RECORDE DE 2014 |
A
temperatura global continua aumentando, independente do acordo climático
realizado em Paris, na COP 21, e da promessa dos governos de resolverem essa
questão durante esse século, segundo dados do Met Office, o serviço meteorológico do governo britânico.
O Amazônia Brasileira conversou com o
pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Paulo Moutinho.
A
previsão da temperatura global, no ano de 2016, divulgada esse mês, pelo Met
Office, mostrou que graças a um efeito
do El Niño, que vem sendo chamado de “Godzilla”,
somado aos efeitos das mudanças
climáticas, a temperatura média
global deve ser 0,84°C mais alta do que a média do período 1961-1990.
Caso
seja confirmada essa previsão haverá o
terceiro recorde histórico de temperatura máxima em três anos consecutivos,
pois:
·
em 2014, a média da temperatura foi
0,61°C mais alta que no período
1961-1990, e
·
em 2015, a média foi de um aumento
de 0,72°C, em relação ao período citado,
afirma o pesquisador.
De
acordo Paulo Moutinho, essa questão do aumento da temperatura, está muito
ligada a quantidade de poluentes,
principalmente o gás carbônico que é emitido em excesso, por queima de
combustível fóssil para a atmosfera, devido a atividade humana, causa uma
série de alterações no planeta, porém há outra preocupação além do aumento em
si: “essas alterações vem acontecendo não em escala de décadas e sim em escala
de milênios. Nos últimos 150 mil anos, é normal a Terra ter esses ciclos de
aumento e diminuição de temperaturas, mas a
velocidade com que isso está acontecendo agora, é que está nos impressionando”.
O Met Office divulgou que recordes como
esses, provavelmente, não serão batidos anualmente. Entretanto, as mudanças
causadas pelo acúmulo das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera podem
potencializar alterações naturais do clima, como os El Niños e as variações em
ciclos naturais dos oceanos, como a oscilação decadal do Pacífico e a oscilação
multidecadal do Atlântico.
O
pesquisador explica que esses fenômenos naturais alteram, ocasionalmente, a
circulação marinha, que tem a capacidade de regular a temperatura global sem
nenhum auxílio externo.
“Temos que buscar cada vez
mais energias limpas, que não jogam poluentes oriundos da queima de
combustíveis fósseis para a atmosfera, pois a emissão desses gases aprisionam o
calor, e precisamos manter as florestas em pé”, sugere Paulo Moutinho.
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PAULO MOUTINHO Biólogo e Pesquisador do IPAM |
E
complementa: “as florestas são um grande
ar-condicionado, mantendo a temperatura na região mais amena, e um grande
regador, especialmente da agricultura da região e se derrubarmos as florestas,
estaremos desligando esse ar-condicionado e retirando o regador. Segundo um
estudo, na região do Xingu, se não fosse o Parque
Indígena do Xingu, aquela região teria um aumento de 6° C a 7°C na
temperatura, e isso seria um efeito do desmatamento”.
O aumento na temperatura,
diminui a quantidade de chuvas, o que afeta a produção agrícola na região: “cada vez mais, manter as florestas, é um investimento
econômico, principalmente, na agricultura, sendo uma garantia de produção”, explica Paulo Moutinho.
O
pesquisador ressalta que a sociedade
brasileira precisa, definitivamente, fazer uma escolha na Amazônia. “Espero
que seja pelo caminho da sustentabilidade, que ela quebre os paradigmas de que
para se crescer, é necessário que se estrague e para que se tenha um
crescimento econômico, é necessário que se tenha um prejuízo socioambiental”.
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