2º Domingo do Advento – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 1,1-8
3 Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’''
4 Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados.
5 Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão.
6 João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo.
7 E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias.
8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo.”
Fontes: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana (Bizkaia –
Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B – Quarta-feira, 3 de dezembro de 2014 –
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Homilías de José A. Pagola – Terça-feira, 2 de dezembro de 2014 – 09h38 –
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1 Início do Evangelho de Jesus Cristo,
Filho de Deus.
2 Está escrito no livro do profeta
Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu
caminho.3 Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’''
4 Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados.
5 Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão.
6 João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo.
7 E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias.
8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo.”
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
CONFESSAR NOSSOS PECADOS
“Início da Boa Notícia
de Jesus Cristo, Filho de Deus”. Este é o início solene e alegre do
evangelho segundo Marcos. Porém, em seguida, de maneira abrupta e sem
advertência alguma, começa a falar da urgente
conversão que necessita viver todo o povo para acolher seu Messias e
Senhor.
No deserto aparece um profeta diferente. Vem para “preparar o caminho do Senhor”. Este é o
seu grande serviço a Jesus. Seu apelo não se dirige, somente, à consciência
individual de cada um. Aquilo que João
busca vai mais além da conversão moral de cada pessoa. Trata-se de “preparar o caminho do Senhor”, um
caminho concreto e bem definido, o caminho que Jesus seguirá frustrando as
expectativas convencionais de muitos.
A reação do povo é comovedora. Segundo o evangelista, deixam
a Judeia e Jerusalém e caminham para o “deserto”
a fim de escutar a voz que os chama. O
deserto recorda-lhes sua antiga fidelidade a Deus, seu amigo e aliado, porém,
sobretudo, é o melhor lugar para escutar o apelo à conversão.
Ali o povo toma consciência da situação em que vive;
experimenta a necessidade de mudar; reconhece seus pecados sem jogar a culpa
uns nos outros; sente necessidade de salvação. Segundo Marcos, “confessavam seus pecados e João os batizava”.
A conversão que
necessita nosso modo de viver o cristianismo não pode ser improvisada. Requer um longo tempo de recolhimento e trabalho interior. Passarão anos até
que sejamos mais verdadeiros na Igreja e reconheçamos a conversão que
necessitamos para acolher, mais fielmente, Jesus Cristo no centro de nosso cristianismo.
Esta pode ser hoje a nossa tentação. Não ir ao “deserto”. Burlar a necessidade de conversão. Não escutar
nenhuma voz que nos convide a mudar. Distrair-nos com qualquer coisa para
esquecer nossos medos e disfarçar nossa falta de coragem para acolher a verdade
de Jesus Cristo.
A imagem do povo judeu “confessando
seus pecados” é admirável. Os cristãos não necessitam, hoje, fazer um exame
de consciência coletivo, em todos os níveis, para reconhecer erros e pecados?
Sem este reconhecimento é possível “preparar
o caminho do Senhor”?
O CAMINHO
ABERTO POR JESUS
Não poucos cristãos praticantes compreendem sua fé como uma “obrigação”.
Há um conjunto de crenças que se “devem” aceitar, ainda que alguém não
conheça seu conteúdo nem saiba o interesse que possam ter para sua vida; há,
também, um código de leis que se “deve” observar, ainda que não se
entenda bem tanta exigência de Deus; há, por último, umas práticas religiosas que se “devem”
cumprir, ainda que de maneira rotineira.
Esta maneira de entender e viver a fé gera um tipo de
cristão aborrecido, sem desejo de Deus e sem criatividade nem paixão alguma por
difundir sua fé. Basta “cumprir”. Esta religião não tem atração alguma;
converte-se em um peso difícil de suportar; a não poucos causa alergia. Não
estava equivocada Simone Weil* quando escrevia que “onde falta o desejo de encontrar-se com Deus, ali não há crentes, mas
pobres criaturas de pessoas que se dirigem a Deus por medo ou por interesse”.
Nas primeiras comunidades cristãs as coisas foram vividas de
outra maneira. A fé cristã não era entendida como um “sistema religioso”.
Chamavam-na “caminho” e o propunham
como a vida mais correta para viver com
sentido e esperança. Dizia-se que era um “caminho novo e vivo” que “foi
inaugurado por Jesus para nós”, um caminho que se percorre “com os olhos fixos
nele” (Hebreus 10,20; 12,2).
É de grande importância, tomar consciência de que a fé é um caminho e não um sistema
religioso. E no caminho há de tudo: caminhada alegre e momentos de busca,
provas que se deve superar e retrocessos, decisões inevitáveis, dúvidas e
interrogações. Tudo é parte do caminho: também as dúvidas, que podem ser mais estimulantes que não poucas certezas e
seguranças possuídas de forma rotineira e simplista.
Cada um deve fazer
seu próprio caminho. Cada um é responsável pela “aventura” de sua vida.
Cada um tem seu próprio ritmo. Não há de se forçar nada. No caminho cristão há
etapas: as pessoas podem viver momentos e situações diferentes. O importante é “caminhar”,
não deter-se, escutar o chamado que a todos é feito para viver de maneira mais
digna e feliz. Este pode ser o melhor modo de “preparar o caminho do Senhor” [Mc 1,3].
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
* Simone Adolphine Weil (Paris, 3 de fevereiro de 1909 — Ashford, 24 de
agosto de 1943) foi uma escritora, mística e filósofa francesa, tornou-se
operária da Renault para escrever sobre o cotidiano dentro das fábricas (para saber mais, clique aqui).
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