Dom Paulo Evaristo Arns: 69 anos de padre e testemunho profético
Arcebispo emérito de São Paulo comemora 69 anos de
ordenação em missa lotada
Paula Felix
![]() |
D. Paulo E. Arns durante missa na Catedral da Sé Domingo, 30 de novembro de 2014 |
Conhecido por seu trabalho com foco nos Direitos Humanos e
pela atuação contra a violência no período da ditadura militar, o arcebispo
emérito de São Paulo D. Paulo Evaristo
Arns, de 93 anos, comemorou na manhã deste domingo, 30 de novembro, os 69
anos de sua ordenação como padre em uma missa
que emocionou os fiéis na Catedral da Sé, na região central da capital. As
aparições em público de D. Paulo são raras e havia ao menos quatro anos, ele não participava de um evento de grandes
proporções.
A celebração, que marcou o 1º domingo do advento - período
de preparação para o Natal -, foi conduzida pelo arcebispo metropolitano de São
Paulo D. Odilo Scherer, que ressaltou a importância de dom Paulo Arns para a
Igreja Católica.
“Já tínhamos feito convites em outras oportunidades e ele
não pôde comparecer. Dom Paulo manifestou o desejo de celebrar na catedral os
69 anos de sua vida de padre e estava muito feliz e disposto. É certo que ele é
um exemplo, um estímulo e um encorajamento para os futuros padres.”
No início da missa, dom Paulo fez um breve discurso no qual
fez uma série de agradecimentos e abençoou os fiéis. “Que Deus abençoe as
famílias e os jovens que desejam seguir a vida cristã”, finalizou e foi
aplaudido pelas pessoas que lotavam a Catedral da Sé. Ao longo da celebração, o
aniversário de ordenação foi lembrado por dom Odilo, fazendo com que o
arcebispo emérito recebesse o carinho e o respeito dos fiéis em forma de
palmas.
Franciscano, dom Paulo também foi homenageado pelo coral que
acompanhava a celebração, que cantou a oração de São Francisco de Assis. Padres
fizeram agradecimentos e, ao final da missa, o arcebispo emérito se aproximou e
cumprimentou algumas pessoas que estavam próximas ao altar.
Emoção
A jornalista Cátia
Rodrigues, de 51 anos, não conseguiu controlar as lágrimas ao ficar perto
de dom Paulo. “Vim para vê-lo, porque fiz uma dissertação de mestrado de
História Social, que defendi em 2009, falando sobre a atuação de dom Paulo
durante a ditadura. Fiquei muito emocionada, porque nunca fiquei perto dele.”
O senador Eduardo
Suplicy também participou da celebração e falou sobre sua admiração pelo
trabalho do arcebispo emérito. “Foi tão bonito saber que dom Paulo continua
consciente e recebeu uma homenagem do povo que lotou a Catedral da Sé. Ele
transmitiu uma mensagem de acolhimento e é uma pessoa que pregou a
solidariedade, a justiça e sempre foi um defensor dos Direitos Humanos. Ele
ganhou o respeito de todos nós brasileiros.”
Luta
Dom Paulo Evaristo Arns atuou em defesa dos Direitos Humanos
ao longo da ditadura militar. Em 1971, fez uma denúncia sobre a prisão e a
tortura de dois agentes de pastoral. Dois anos depois, presidiu a “Celebração da Esperança”, famosa missa
na Catedral da Sé em memória de um estudante que foi torturado e morto na
prisão durante o regime militar. Também celebrou, em 1975, um culto ecumênico
para homenagear o jornalista Vladimir
Herzog, que foi morto naquele mesmo ano.
Em 1985, dom Paulo lançou o projeto “Brasil: Nunca Mais”, que continha informações oficiais sobre o uso
da tortura durante o regime militar, entre 1964 e 1985. Ele se tornou arcebispo
emérito de São Paulo em maio de 1998.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Metrópole – Segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 – Pg. A16 –
Internet: clique aqui.
Comentários
Postar um comentário