EDUCAÇÃO É, DE VERDADE, PRIORIDADE DO GOVERNO DO ESTADO?
Estado de São Paulo tem 57 mil professores temporários
PAULO SALDAÑA
Apesar de concurso,
gestão Alckmin termina mandato com 23% dos docentes com contratação precária;
número de efetivos sobe 17%
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) termina neste mês o
atual mandato à frente do Estado de São Paulo sem ter conseguido diminuir a
grande dependência de professores temporários nas escolas estaduais. O número
de temporários chega a 57 mil neste ano, o que representa 23% do total de
docentes que atuam na rede. O Estado convocou, entre 2011 e 2014, mais de 90
mil professores, mas a rede ganhou cerca de 20 mil novos concursados.
A rede fecha este ano com um total de 251,9 mil professores,
sendo 194,5 mil efetivos e estáveis, segundo dados obtidos pelo [jornal] O Estado de S. Paulo por meio
da Lei de Acesso à Informação. O número de concursados é 17% maior do que o
registrado em 2011.
De 2011 a 2013, a gestão havia convocado 34 mil aprovados em
concurso, mas só conseguira ampliar em 1,5 mil o número de docentes concursados
no período. Em 2013, lançou um concurso para 59 mil professores e convocou neste
ano 56 mil.
Desses convocados, ficaram na rede 29 mil professores (51%).
Outros 6 mil (11%) já eram do Estado e participaram para progredir na carreira,
segundo a Secretaria Estadual da Educação.
O restante (21 mil, ou 38%) não está na rede. Pode ter
desistido do cargo, não concordado com a vaga disponível ou não foi aprovado
pelo Departamento Médico. Em nota, a pasta defendeu, entretanto, que ainda há
professores em perícia médica ou que pediram prorrogação do prazo, mas não
informou quantos profissionais estão nessa situação. A última convocação foi em
abril.
Colaboram com o desafio de aumentar a rede de efetivos o
alto nível de aposentadorias da rede (cerca de 5 mil no ano), além das exonerações
a pedido.
Os temporários, da chamada categoria “O”, estão espalhados
por todo o Estado. Os maiores volumes por diretorias de ensino estão nas
regiões leste e sul da capital paulista. Nesta última, os temporários
representam 26% do total. A maior proporção está na Diretoria de Ensino de
Avaré, no interior, onde 29% dos professores que atuam nas escolas estaduais
são contratos temporários.
Prejuízo
Segundo o professor da Universidade de São Paulo
(USP) Ocimar Alavarse, o Estado devia acabar com esse modelo de contrato. “A
precarização da contratação tem um reflexo negativo na continuidade do trabalho
pedagógico”, diz ele. “A rede precisava manter um ritmo de convocação contínuo.
Esses dados revelam dificuldade de planejamento.”
A professora Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também
aponta prejuízos com o alto porcentual de temporários. “Tem de ter o professor
fixo na escola. Com muitos temporários, há dificuldade de ter continuidade no
projeto político pedagógico”, diz ela. “O Estado tem de continuar a convocar os
demais participantes do concurso.”
A secretaria afirma que o número de temporários diminuiu
10,5% de 2013 e 2014. Dos 57 mil professores nessa situação, 11 mil fazem parte
de projeto que auxilia as escolas nas atividades pedagógicas e, quando
necessário, suprem ausências pontuais. Além disso, outros 5,2 mil são efetivos
que atribuíram como professores temporários.
A pasta não informou quando haverá novas convocações. O
[jornal] O Estado de S. Paulo apurou que novos professores concursados só devem entrar na rede em
2016.
ABANDONO
DA DOCÊNCIA
O Estado de
São Paulo tem uma média de 3 mil pedidos de exoneração por ano feitos por
professores.
Essa média,
apurada entre os anos de 2008 e 2012, é um dos fatores que dificultam a rede
estadual a aumentar os docentes concursados.
Conforme
revelado por reportagem do jornal O
Estado de S. Paulo, em 1º de agosto do ano passado, colaboraram para as exonerações:
- descontentamento com a carreira docente e salários,
- oportunidades em redes municipais,
- além de mudanças de domicílio.
Em 2012, 2.969 professores
efetivos haviam pedido exoneração da rede estadual.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Metrópole – Terça-feira, 16 de dezembro de 2014 – Pg. A17 – Internet: clique aqui.
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