"Não podemos nos resignar a um Oriente Médio sem cristãos"
Visita do Papa à Turquia
Bartolomeu e Francisco, como já fizeram em Jerusalém,
assinaram uma declaração conjunta
Rocio Lancho
García
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Papa Francisco e o Patriarca Ortodoxo Grego Bartolomeu (Acenam para o povo a partir da varanda do patriarcado em Istambul - Turquia) |
Sábado passado, (29/11/2014), após a celebração da Divina
Liturgia na Igreja Ortodoxa de São Jorge, em Istambul, o Patriarca Bartolomeu e o Papa
Francisco apareceram na varanda do patriarcado ecumênico e abençoaram
simultaneamente os fiéis que estavam no pátio. O Papa deu a benção em latim, o
patriarca em grego. Depois foram à Sala do trono para ler e assinar uma Declaração Conjunta, assim como fizeram
em seu encontro em Jerusalém, em maio passado. Dessa forma “reafirmaram juntos nossas comuns intenções e preocupações”.
E assim, expressaram a sua sincera e firme intenção "de intensificar os nossos esforços
para a promoção da plena unidade entre todos os cristãos e especialmente entre
católicos e ortodoxos”. É possível ler no texto que querem “manter o
diálogo teológico promovido pela Comissão Mista Internacional” que “está
tratando atualmente as questões mais difíceis que marcaram a história da nossa
divisão e que requerem um estudo atencioso e profundo”.
Também expressaram
preocupação "com a situação no Iraque, na Síria e em todo o Oriente
Médio". Estamos unidos no desejo – afirmam – de paz e de estabilidade
e na vontade de promover a resolução de conflitos através do diálogo e da
reconciliação. A este respeito fizeram um apelo aos que têm a responsabilidade
do destino dos povos “para que
intensifiquem o seu compromisso pelas comunidades que sofrem e lhes permitam,
incluindo as cristãs, permanecer em sua terra natal”. Não podemos
resignar-nos a um Oriente Médio sem cristãos, dizem.
E também falaram de um "ecumenismo do sofrimento."
A terrível situação dos cristãos no
Oriente Médio exige não apenas oração, mas a resposta adequada da comunidade
internacional, indicam Bartolomeu e Francisco. Além disso, reconheceram
também a importância da promoção de um
diálogo construtivo com o Islã, “baseado no respeito e na amizade”.
Portanto, "como líderes cristãos, exortamos todos os
líderes religiosos a continuar e reforçar o diálogo inter-religioso e a cumprir
todo esforço para construir uma cultura de paz e de solidariedade entre as
pessoas e entre os povos".
Finalmente, recordaram todos os povos que sofrem por causa
da guerra. Em particular, "rezamos pela paz na Ucrânia, país com uma
antiga tradição cristã", e pediram para as partes em conflito buscar o
caminho do diálogo e do respeito do direito internacional para acabar com o
conflito.
Fonte: ZENIT.ORG
- Roma, 01 de Dezembro de 2014 – Internet: clique aqui.
Papa:
"Os líderes muçulmanos deveriam condenar o
terrorismo"
Redação
O Santo Padre
respondeu as perguntas dos jornalistas durante 45 minutos no voo de volta de
Istambul e falou sobre o terrorismo, o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e
o Sínodo
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O papa Francisco e o líder islâmico Rahmi Yaran rezam juntos no interior da Mesquita Azul, na manhã deste sábado (29/11/2014), em Istambul, na Turquia |
Não se pode dizer que todos os muçulmanos sejam
fundamentalistas. E Francisco disse ao presidente turco, Erdogan, “que seria
muito bom condená-los (aos terroristas) claramente; deveriam fazê-lo através
dos líderes acadêmicos, religiosos, intelectuais e políticos. Dessa forma
escutariam da boca dos seus líderes”. O
Papa afirmou que é necessário que haja uma condenação mundial de parte dos
muçulmanos que digam “não, o Alcorão não é isso". Estas são palavras
do Papa no avião com destino a Roma, respondendo aos jornalistas que lhe
acompanhavam nesse voo de volta da sua viagem apostólica à Turquia do 28 ao 30
de novembro.
Abordando o tema do diálogo inter-religioso, o Santo Padre
disse que teve a conversa mais bela neste sentido com o Presidente de Assuntos
Religiosos, o professor Mehmet Görmez,
e a sua equipe. Também disse que “quando veio o novo embaixador da Turquia para
entregar as suas credenciais, vi um homem notável, um homem de profunda
religiosidade. Eles disseram: ‘Agora parece que o diálogo inter-religioso
chegou ao final. Temos que dar um salto qualitativo. Temos que fazer o diálogo
entre pessoas religiosas de diferentes pertenças’. Isso é bonito: homens e mulheres que se encontram com
outros homens e com outras mulheres para compartilhar experiências; não se fala
de teologia, mas de experiência”, explicou.
Por outro lado, Francisco esclareceu como foi a sua oração
na mesquita, que tantas manchetes ocupou nos meios de comunicação de todo o
mundo. “Eu fui à Turquia como um
peregrino, não como um turista" e "quando eu fui à mesquita não
podia dizer: "Agora sou um turista!”. E explica “vi aquela maravilha, o
grande Mufti me explicava muito bem as coisas, com muita mansidão, me citava o
Alcorão, quando falava de Maria e de João Batista. Nesse momento senti a
necessidade de rezar. Perguntei-lhe: “Vamos rezar um pouco?" E ele me
respondeu: "Sim, sim". Eu orei por toda a Turquia, pela paz, pelo
mufti, por todos e para mim... Disse: “Senhor,
acabemos com estas guerras!” Foi um momento de oração sincera”.
Também falaram de ecumenismo no avião. Francisco disse que
no mês passado, por causa do Sínodo, veio como delegado o metropolita russo
Hilarion e quis falar com ele “não como delegado do Sínodo”, mas como
“presidente da Comissão do diálogo ortodoxo-católico”. “Eu acredito que com a ortodoxia estamos a caminho”, afirmou o Papa
no avião, mas também exclamou que “se tivermos que esperar que os teólogos se
coloquem de acordo... Nunca chegará esse dia!”
Sobre o Patriarca de Moscou, Kirril, o Papa disse que quer
vê-lo, e já lhe enviou essa mensagem “onde você quiser, nos encontramos; se me
ligar, vou”. Mas, explicou que com a guerra na Ucrânia agora o patriarca tem
muitos problemas. “Ambos queremos encontrar-nos e seguir em frente. Hilarion
propôs uma reunião de estudo da Comissão sobre a questão do primado. É
necessário continuar com o pedido de João Paulo II: “me ajudem a encontrar uma fórmula de primado aceitável para as Igrejas
ortodoxas”, disse.
E sobre o primado da Igreja, Francisco disse aos jornalistas
que para encontrar uma fórmula aceitável devemos ir para o primeiro milênio.
“Não quero dizer que a Igreja errou (no segundo milênio), não! Percorreu o seu
caminho histórico. Mas agora o caminho é seguir em frente com o pedido de João
Paulo II”.
Assim como fez no voo de volta da Coréia, o Santo Padre expressou sua vontade de ir
ao Iraque por causa da dramática situação que milhares de pessoas estão vivendo
lá. "Eu queria ir a um campo de refugiados, mas precisava de mais um
dia e não foi possível, por muitas razões, não só pessoais", disse. Por
isso pediu em Istambul para se encontrar com as crianças refugiadas que os
salesianos cuidam. “Eu quero ir ao Iraque”, afirmou o Papa no avião, mas
explicou que falou com o Patriarca Sako e no momento não é possível.
Sobre esta "terceira guerra mundial por partes" da
qual o Papa já falou em outras ocasiões, retomou o problema do tráfico de
armas. Aliás, disse: "No ano passado, em setembro, se dizia que a Síria
tinha armas químicas: eu acho que a Síria não era capaz de produzir armas químicas.
Quem foi que as vendeu? Quem sabe alguns dos que depois a acusavam de tê-las?
Sobre este assunto das armas existem muitos mistérios".
Outro tema tocado no avião foi o do genocídio dos armênios. A este respeito Francisco lembrou que
Erdogan escreveu uma carta na data do aniversário do genocídio, que alguns
consideraram muito fraco. “Mas foi um estender a mão, e isso é sempre positivo.
Posso estender a mão muito ou pouco, mas isso sempre é positivo”, destacou. E
acrescentou que se fosse possível abrir a fronteira turco-armênia seria algo
bonito. Por isso, o Papa pediu orações por esta reconciliação entre os povos.
Por fim, o Papa fez algumas observações sobre o Sínodo da Família, celebrado
recentemente em Roma. "Não é um parlamento, é espaço protegido para que seja
possível falar sobre o Espírito Santo”, afirmou. Além do mais destacou que ele
não está de acordo com que se diga publicamente: ‘Tal pessoa falou isso’, mas
que se faça público somente o que foi dito.
Fonte: ZENIT.ORG –
Roma, 01 de dezembro de 2014 – Internet: clique aqui.
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