SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA 2015: COMEÇA A PREPARAÇÃO
Divulgados os Lineamenta da XIV Assembleia Geral do
Sínodo, de outubro de 2015
Site da Santa
Sé
09-12-2014
Como já anunciado, a XIV
Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos será realizada entre os
dias 4 a 25 de outubro de 2015, sobre o tema: "A vocação e a missão da
família na Igreja e no mundo contemporâneo".
Os Lineamenta,
isto é, o primeiro dos documentos para tal assembleia, como indicado pelo Papa
Francisco no discurso conclusivo da III Assembleia Extraordinária (18 de
outubro de 2014), são constituídos essencialmente pela Relatio Synodi redigida
pela própria assembleia.
No entanto, para facilitar a recepção do documento sinodal e
o aprofundamento dos temas nele tratados, a Relatio
é acompanhada por uma série de perguntas,
que ajudarão a continuar o caminho sinodal já iniciado e a preparar o Instrumentum
laboris [= Instrumento de
trabalho, um texto-base para reflexão do Sínodo de outubro de 2015] da
próxima assembleia ordinária.
O documento assim composto – cujo original em italiano foi
publicado nessa terça-feira – é enviado às conferências episcopais, aos Sínodos
das Igrejas Católicas Orientais sui iuris,
à União dos Superiores Religiosos e aos dicastérios da Cúria Romana.
Tais órgãos eclesiais, que nos próximos dias receberão o
documento traduzido para as suas respectivas línguas de uso mais comum, poderão
escolher as modalidades adequadas para assegurar a recepção e o aprofundamento
da Relatio Synodi, envolvendo os
diferentes componentes das Igrejas particulares e instituições acadêmicas,
organizações, agregações laicais e outras instâncias eclesiais, a fim de promover uma ampla consulta sobre a
família, segundo a orientação e o espírito do processo sinodal.
Os resultados dessa consulta deverão ser enviadas à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos até
o dia 15 de abril de 2015, de modo a
poderem ser estudados e valorizados na preparação do Instrumentum laboris, que
deverá ser publicado antes da metade de 2015.
As conferências episcopais e as diversas instâncias
eclesiais são convidadas a acompanhar o caminho sinodal com momentos oportunos
de oração e de celebração pela família e pela preparação da próxima assembleia.
Isso deverá ocorrer particularmente por ocasião da próxima
festa litúrgica da Sagrada Família, no dia 28 de dezembro. Além disso,
convida-se ao uso frequente da oração do
Santo Padre para o Sínodo sobre a Família (o texto, em português, pode ser
encontrado aqui).
Já os Lineamenta para o Sínodo de 2015
podem ser encontrados, em italiano, aqui.
Traduzido por Moisés Sbardelotto.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 –
Internet: clique aqui.
O Vaticano envia aos católicos 46 perguntas para o
Sínodo 2015
Jacopo
Scaramuzzi
La Stampa - Vatican Insider
09-12-2014
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Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Família (Vaticano, outubro de 2014) |
O Vaticano publicou hoje 46 perguntas que a Secretaria Geral
do Sínodo dos Bispos enviará a todas as conferências episcopais para realizar
uma “ampla consulta” entre os católicos de todo o mundo em vista do sínodo
ordinário que se desenvolverá em 2015, o segundo, após aquele extraordinário de
outubro passado, dedicado, por vontade do Papa Francisco, ao tema da família.
As perguntas, junto ao relatório final da sessão
extraordinária (relatio synodi), são
as diretrizes, ou seja, o documento preparatório da sessão do próximo ano. O objetivo das novas perguntas (o
comunicado do organismo vaticano conduzido pelo cardeal Lorenzo Baldisseri
evita utilizar o termo “questionário” que foi utilizado em novembro de 2013,
para as perguntas enviadas em vista do próximo sínodo), é facilitar “a recepção” da relatio
synodi e “o aprofundamento dos temas nele tratados”, não excluídos
aqueles – os divorciados redesposados e a homossexualidade – que não obtiveram
os dois terços no sínodo de outubro passado. As perguntas “pretendem facilitar
o devido realismo na reflexão de cada episcopado – lê-se no documento publicado
hoje em italiano que será enviado nos próximos dias nas várias línguas às
conferências episcopais – evitando que suas respostas possam ser fornecidas
segundo esquemas e perspectivas próprias de uma pastoral meramente aplicativa
da doutrina, que não respeitaria as conclusões da Assembleia sinodal
extraordinária, e afastaria sua reflexão do caminho agora traçado”.
O documento, que cita amplamente a constituição do Concílio
Vaticano II Gaudium et Spes e a
exortação apostólica do Papa Francisco Evangelii
Gaudium, parte de uma “pergunta
prévia”:
“A descrição da
realidade da família presente na relatio
synodi corresponde a quanto se releva na Igreja e na sociedade de hoje? Que
aspectos ausentes se podem integrar?”. As questões, segundo quanto exposto
pela relatio synodi, começam pelo “contexto e os
desafios das famílias”, para depois passar ao “Evangelho da família” (“Quais
são as iniciativas para fazer compreender o valor do matrimônio indissolúvel e
fecundo como caminho de plena realização pessoal?” é a pergunta número 17),
secção que conclui sublinhando que “após haver considerado dos matrimônios
exitosos e das famílias sólidas, e ter apreciado o testemunho generoso daqueles
que permaneceram fiéis ao vínculo, embora tendo sido abandonados pelo cônjuge,
os pastores reunidos no Sínodo se questionaram – de modo aberto e corajoso, mas
não sem preocupação e cautela – que
olhar deve dirigir a Igreja aos católicos que estão unidos somente com o
vínculo civil, àqueles que ainda convivem e àqueles que após um matrimônio
válido se divorciaram e redesposaram civilmente” (“Como ajudar a entender que ninguém é excluído da misericórdia de Deus e
como exprimir esta verdade na ação pastoral da Igreja com as famílias, em
particular aquelas feridas e frágeis?, a pergunta 20).
O documento passa depois, em resenha, na terceira e última
parte, as “perspectivas
pastorais”, sublinhando que “é importante deixar-se guiar pela
virada pastoral que o Sínodo Extraordinário começou a delinear, radicando-se no
Vaticano II e no magistério do Papa Francisco. Compete às Conferências
Episcopais continuar a aprofundá-la, envolvendo, na maneira mais oportuna,
todos os componentes eclesiais, caracterizando-a no seu específico contexto. É necessário fazer de tudo para que não se
recomece do zero, mas se assuma o caminho já feito pelo Sínodo Extraordinário
como ponto de partida”.
Entre as várias perguntas, também aquelas relativas ao
parágrafo 52 (debate sobre a comunhão aos divorciados redesposados) e 55
(homossexualidade) que, junto ao n. 53 (comunhão espiritual), não obtiveram o quórum
de dois terços em outubro:
- “A pastoral sacramental referente aos divorciados redesposados necessita de um ulterior aprofundamento, avaliando também a práxis ortodoxa e tendo presente “a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes” (n.52). Quais as perspectivas nas quais mover-se?
- Quais os passos possíveis?
- Que sugestões para obviar a formas de impedimento não devidas ou não necessárias?”, é a pergunta 38.
- “De que modo a comunidade cristã dirige sua atenção pastoral às famílias que têm no seu interior pessoas com tendência homossexual? Evitando toda injusta discriminação, de que modo incumbir-se das pessoas em tais situações à luz do Evangelho? Como propor-lhes as exigências da vontade de Deus sobre sua situação?” é a pergunta n. 40.
- Entre os outros quesitos, também aqueles relativos ao tema da vida, estando incluída a interrupção da gravidez “Como a Igreja combate a chaga do aborto promovendo uma eficaz cultura da vida?”, pergunta 44) e a contracepção (pergunta 41 sobre a Humanae Vitae e o diálogo com a ciência).
Traduzido por Benno Dischinger.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 –
Internet: clique aqui.
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