Brasileiro consome 5,2 litros de agrotóxico por ano
Vladimir
Platonow
O Brasil é campeão
mundial no uso de agrotóxicos, cabendo a cada brasileiro o consumo médio de 5,2
litros de veneno agrícola por ano.
O dado foi divulgado hoje (03/12/2014) por ambientalistas,
quando é celebrado o Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos. A data
lembra a tragédia ocorrida há 30 anos, na cidade de Bhopal, na Índia, quando
uma fábrica da Union Carbide, atual Dow
Chemical, explodiu, liberando toneladas de veneno no ar, matando nas
primeiras horas 2 mil pessoas e outras milhares nos dias seguintes.
A data foi lembrada em diversas cidades brasileiras. No Rio
de Janeiro foi organizado um protesto, na Cinelândia, em frente à Câmara de
Vereadores. O integrante da coordenação nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida Alan Tygel criticou o modelo agrícola
brasileiro, dirigido à exportação e altamente dependente de agrotóxicos.
“Nós, aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como
os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por causa do modelo
adotado pelo país, do agronegócio. O
Brasil se coloca no cenário mundial como exportador de matérias primas básicas,
sem nenhum valor agregado, como é o caso da soja, do milho e da cana. São
produtos que ocupam a maior parte da área agricultável brasileira, à medida que
a superfície para alimentos básicos vem diminuindo”, destacou o ativista.
Segundo ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com
consumo per capita de 5,2 litros por habitante ao ano. “Mas isso não é dividido
de forma igual. Se pegarmos municípios de Mato Grosso, por exemplo, como Lucas
do Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante”, alertou
Tygel. Os ambientalistas querem o fim da
pulverização aérea - medida já praticamente banida em toda a Europa -, o fim da
comercialização de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da
isenção fiscal para os agrotóxicos.
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Alan Tygel - membro da coordenação nacional da "Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida" |
“Uma das nossas bandeiras é o fim da pulverização aérea,
pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta e grande parte cai no solo,
na água e nas comunidades que moram no entorno. Temos populações indígenas
pulverizadas por agrotóxicos que desenvolveram uma série de doenças, desde
coceiras e tonteiras até câncer e depressão, levando ao suicídio e à
má-formação fetal”, enfatizou Tygel.
Além disso, ele ressaltou que o meio ambiente sofre forte impacto, com extinção em massa de diversas
espécies de insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das
plantas e na produção de mel. Também as águas são contaminadas com
moléculas absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de
doenças que, muitas vezes, são passadas das mães para os filhos. Mais
informações sobre o assunto podem ser obtidas na página www.contraosagrotoxicos.org.
Fonte: Agência Brasil
– 03/12/2014 – 20h18 – Internet: clique aqui.
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