"A Igreja não precisa de dinheiro sujo", diz Papa
Jéssica Marçal
Falando de misericórdia e correção, Papa frisou que
Deus
corrige com amor, não quer sacrifícios;
a Igreja não precisa de dinheiro sujo, disse como
exemplo
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PAPA FRANCISCO chegando à Praça São Pedro, no Vaticano para a Audiência Geral Quarta-feira, 2 de março de 2016 |
O
Papa Francisco dedicou a catequese desta
quarta-feira, 2 de março, ao tema
“misericórdia e correção”. Ele falou de Deus como o pai que ama e,
justamente por isso, corrige seus filhos quando necessário.
Mas
o caminho da misericórdia divina é
aquele da correção afetuosa, que deixa a porta aberta à esperança.
Francisco explicou que Deus não quer sacrifícios rituais, mas sim indica o CAMINHO DA JUSTIÇA; como diz o
profeta Isaías, a Deus não agrada o sangue de touros e cordeiros, sobretudo se
a oferta é feita com as mãos sujas com o sangue dos irmãos.
Nesse
ponto, o Papa fez uma crítica a algumas
pessoas que fazem doações à Igreja, mas com “dinheiro sujo”. “Penso em alguns benfeitores da Igreja, com
boas ofertas, mas esta oferta é fruto de tanta gente explorada, maltratada,
escravizada com o trabalho mal pago. Eu
digo a estas pessoas: levem de volta este cheque, queime-o. O povo de Deus,
isso é, a Igreja, não precisa de
dinheiro sujo, mas de corações abertos à misericórdia de Deus”.
O
Pai afetuoso que não renega seus filhos
A
reflexão da catequese veio da leitura do
livro do profeta Isaías, em que Deus, como pai afetuoso e atento, dirige-se
a Israel acusando-o de infidelidade e corrupção para levá-lo de volta ao
caminho da justiça.
“Deus, mediante o profeta, fala ao povo com a
amargura de um pai desiludido: fez os filhos crescerem e agora eles se
rebelaram contra Ele”. Mas mesmo ferido, Deus deixa o amor falar e apela à consciência de seus filhos para que
se regenerem, explicou o Papa. Essa é a missão educativa dos pais, fazer os
filhos crescerem na liberdade, responsáveis, capazes de fazer obras boas para
si e para os outros. Mas por causa do
pecado, a liberdade se torna pretensão de autonomia e orgulho, ressaltou
Francisco, e por isso Deus apela à
consciência de seu povo.
“Deus
nunca nos renega, nós somos o seu povo. O mais maldoso dos homens, a mais
maldosa das mulheres, o mais maldoso dos povos são seus filhos. E esse é Deus:
nunca nos renega! Diz sempre: ‘filho, vem’. E esse é o amor do nosso Pai; essa
misericórdia de Deus. Ter um pai assim nos dá esperança, confiança”.
O Papa enfatizou que onde se rejeita Deus não
há vida possível, mas mesmo esse momento doloroso acontece em vista da
salvação: a provação é dada para que o povo experimente a amargura de quem
abandona Deus. “O sofrimento,
consequência inevitável de uma decisão autodestrutiva, deve fazer o pecador
refletir para abri-lo à conversão e ao perdão (…) Este é o caminho da misericórdia divina”.
Clique sobre a imagem abaixo e assista à Catequese
de Papa Francisco nesta quarta-feira com tradução em
português:
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