IMORAL, ILEGAL, E DAÍ?
Dora Kramer
PT passou por cima da lei, desqualificou a ética e
ainda pergunta
onde foi que errou
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DORA KRAMER Jornalista especializada em política |
Os atuais inquilinos do
poder só demonstram preocupação com o País quando isso pode lhes render algum
benefício.
Do contrário, lixam-se:
a) Arrebentaram a economia
para ganhar eleições,
b) enterraram o exercício da
política em fosso profundo para conquistar aliados,
c) mentiram com inédita
jactância para tornar verossímeis toda sorte de manipulações,
d) passaram por cima da lei,
e) aniquilaram a ética como
valor essencial de sociedades civilizadas
e
ainda se perguntam como, quando e por que a receita desandou.
As
respostas não dependem de caras pesquisas. Estão à disposição por iniciativa
dos fatos. Quando? No momento em que o
Brasil cansou de ilusões e parou de se comportar como um dócil refém da miragem
que o PT escolheu como modo de governar.
A
lei do menor esforço. A adoção de soluções
fáceis (e erradas) para problemas complexos. Neste aspecto, João Santana deu boa contribuição com
sua estratégia eleitoral de arrasa-quarteirão. Reelegeu Dilma Rousseff, mas ao
mesmo tempo deu ao País a oportunidade de enxergar a realidade em seus traços
mais perversos.
Como?
Pelo exame de um passivo de ações deletérias que demonstraram ao longo dos
últimos 13 anos qual era a intenção do
PT: criar um mercado cativo de eleitores:
1. ENTRE OS POBRES, resolvendo questões da miséria extrema,
mas, ao mesmo tempo, cultivando a manutenção da pobreza e, sobretudo, da
ignorância.
2. ENTRE OS RICOS, franqueando
os cofres mediante - como se vê agora - retribuição de favores ao partido e
seus dirigentes.
Por
que, senão o País inteiro certamente a grande maioria, resolveu dizer chega?
Aqui a resposta é mais sucinta, resumida no axioma de Abraham Lincoln: não se pode
enganar a todos o tempo todo. Há outro, entre vários, também de autoria do
16.º presidente americano: “Se quiser
pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.
Se
estendido o conceito do individual para o coletivo, aí teremos a explicação que
o PT tanto busca para a perda de sua boa reputação com a opinião pública.
Revelou a natureza de seu caráter - ou a falta do quesito - quando recebeu
delegação do povo para exercer o poder.
Do ponto de vista objetivo,
capturou o Estado. Em todos os sentidos. Administrativo, político e, segundo o Supremo
Tribunal Federal e os investigadores da Operação Lava Jato, criminal. No campo subjetivo, sequestrou cabeças e
corações suscetíveis ao manuseio de anseios e emoções.
A
festa, no entanto, nesses moldes acabou. O
mito Lula da Silva não resiste ao efeito detergente da transparência. Derrete
sob a luz do sol. Aliás, não resiste à própria falta de sofisticação no
raciocínio produtor de metáforas, ao se comparar a uma criatura peçonhenta
quando a intenção era fazer referência a um animal de poderosa capacidade de
recuperação, mas digno de admiração. As cobras
jararacas não se incluem na espécie. São, por outra, objeto de repulsa.
Por 13 anos, o PT tocou seu
baile no pressuposto de que tudo poderia. Inclusive o ilegal, o imoral, o
antiético, dizendo ao País “e daí?”, pois tinham dado aos pobres a chance de comprar
geladeira, fogão, passagens de avião, ter acesso a vagas de universidade,
empregos com carteiras assinadas.
Pois
agora que:
* os empregos minguaram,
* a inflação comeu o poder de
compra,
* a estagnação da economia
subtraiu-lhes os empregos,
* o crédito anteriormente
contratado os afundou em dívidas,
* os parceiros empresários
estão na cadeia e
* a Lava Jato assentou que a
lei é igual para todos.
Cabe
recordar o poema de Carlos Drummond de
Andrade: “E agora, José?”.
“A festa acabou, a luz
apagou, o povo sumiu.” E agora, Luiz, você marcha, Luiz, para onde?
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política –
Quarta-feira, 9 de março de 2016 – Pág. A6 – Internet: clique aqui.
PT pressiona Lula a aceitar
ministério e
obter foro privilegiado
Vera Rosa e Adriano Ceolin
Isto que é golpe! Golpe na Justiça!
Golpe para escapar à Justiça!
Quem deve, teme!
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EX-PRESIDENTE LULA "E agora, José? A festa acabou!" |
O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo pressionado a assumir um ministério no governo Dilma
Rousseff. Mas, até agora, ele resiste. Com o avanço da Lava Jato, aliados de Lula dizem que ele precisa de
foro privilegiado porque, segundo eles, do jeito que a operação caminha, o
petista pode ter a prisão decretada. O assunto foi tratado nesta
terça-feira, 8 de março, à noite em reunião de Lula, Dilma e ministros, no
Palácio da Alvorada.
Se Lula ocupar um
ministério, eventual pedido de prisão precisa ser autorizado pelo Supremo
Tribunal Federal e o ex-presidente não ficará nas mãos do juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na
1.ª instância. Para petistas, é claro o objetivo da operação de atingir Lula e
o PT, além de jogar combustível no impeachment
de Dilma.
“Aumentou
no PT a pressão para que Lula assuma um ministério, para tentar também esboçar
uma reação do governo às arbitrariedades que estão ocorrendo”, afirmou um amigo
do ex-presidente. Lula não quer aceitar
nenhum cargo no governo sob o argumento de que isso passaria a impressão de
confissão de culpa. Em agosto do ano passado, o PT já o havia sondado para
ocupar um ministério.
Diagnóstico
Apesar
da pressão, Lula tem feito um diagnóstico positivo sobre a ação da Lava Jato
que o levou a prestar depoimento de forma coercitiva na sexta-feira. “A partir de agora, se me prenderem, eu
viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro
presidente de novo”, disse Lula a mais de um interlocutor. O petista chegou
ontem à tarde a Brasília onde se reuniu com Dilma pela segunda vez em quatro
dias.
Colaboraram Carla Araújo, Erich Decat,
Gustavo Aguiar e Isadora Peron.
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