Novo ministro da Justiça já demonstra para que veio!
Delegados se dizem ameaçados pelo
ministro da Justiça
Agência Estado
Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da
República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, critica declarações e afirma que
não houve vazamentos das investigações, mas divulgação dentro da legalidade
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EUGÊNIO ARAGÃO Novo ministro da Justiça, no passado, pertenceu ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) Para saber mais sobre esta organização, clique aqui |
A Associação Nacional de Delegados de Polícia
Federal (ADPF) informou ontem que a
categoria se sente ameaçada por declarações do novo ministro da Justiça,
Eugênio Aragão, que revelariam uma intenção de "enfraquecer" a
Operação Lava Jato.
Em
entrevista coletiva na última quinta-feira, Aragão disse que apuraria
"vazamentos seletivos" das investigações. "Não vamos admitir de
jeito nenhum falta de profissionalismo. Investigações devem ser feitas com
maior respeito à presunção de inocência", declarou.
Neste
sábado, à Folha de S. Paulo, o
ministro avisou que, quando for
detectado vazamento em uma investigação, a equipe responsável será trocada.
Além disso, afirmou que delações
premiadas da Lava Jato têm sido obtidas por meio de "extorsão".
Segundo ele, as declarações não têm sido dadas voluntariamente, mas porque os
colaboradores estão presos.
Para
a vice-presidente da ADPF, Tânia Prado,
as falas são motivo de preocupação.
"Não está correto. Não vamos aceitar
interferências nas investigações, nem no funcionamento da Polícia Federal. O
ministro é chefe administrativo da Polícia Federal, mas não pode desrespeitar o
que está previsto em lei (a autonomia investigativa)", disse. A PF é
subordinada ao Ministério da Justiça, mas, segundo a legislação brasileira, tem
autonomia para operar.
Já
a Federação Nacional dos Policiais
Federais (Fenapef) afirmou, em nota, que as declarações do ministro são
"compreensíveis". O presidente da entidade, Luís Boudens, disse esperar "que o foco de Aragão seja o de
equilibrar os ânimos internos".
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TÂNIA FERNANDA PRADO Vice-presidente da Associação Nacional de Delegados de Polícia Federal (ADPF) |
O
presidente da Associação Nacional dos
Procuradores da República (ANPR), José
Robalinho Cavalcanti, também criticou o ministro e disse ser "incabível" falar em extorsão. Segundo ele, mais de 90% dos colaboradores estavam
soltos, enquanto os que estavam presos preventivamente "contrataram as
defesas mais competentes do Brasil".
"As
delações mais importantes foram feitas perante o Supremo, mas, mesmo em
primeira instância, tiveram total rigor técnico. Nenhuma foi revertida nem teve
apontada qualquer irregularidade. Foi
uma declaração meramente política, com todo o respeito que temos ao ministro",
disse. "Ele está politizando uma
discussão técnica, que não procede em relação à Lava Jato."
Cavalcanti também defendeu
que não houve vazamentos das investigações, mas divulgação dentro da legalidade. "Quando o sigilo é
liberado pelo juiz competente, trata-se de um processo público. Essa confusão tem sido feita inclusive pela
presidente da República", criticou.
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