AÍ TEM ! ! !
Ministro da Justiça pede demissão, é nomeado para a
Advocacia Geral da União, Polícia Federal vê saída devido “pressões políticas”
Vera Rosa, Andreza
Matais e Beatriz Bulla
O PT vinha criticando a falta de controle
de Cardozo sobre a
Polícia Federal e o ministro se queixava da pressão do
partido.
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JOSÉ EDUARDO CARDOZO Ex-Ministro da Justiça não aguentou a pressão do PT e de Lula! |
A presidente Dilma Rousseff
aceitou ontem o pedido de demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava no comando da
pasta desde o primeiro mandato da petista. Ele será substituído pelo
ex-procurador-geral da Justiça da Bahia, Wellington
César Lima e Silva, oriundo do Ministério Público estadual baiano e ligado
ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.
A
troca ocorre no momento em que a Operação
Lava Jato avança sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e após a
prisão do marqueteiro de campanhas petistas João Santana. O PT vinha criticando
a falta de controle de Cardozo sobre a Polícia Federal e o ministro se queixava
da pressão do partido.
Cardozo, contudo, aceitou o
apelo de Dilma para permanecer no governo como ministro-chefe da Advocacia-Geral
da União
(AGU), em substituição a Luís Inácio Adams. Com o novo posto, ele continua
responsável pela interlocução entre Executivo e Judiciário. A substituição
gerou reações divergentes nos órgãos responsáveis pela condução da Lava Jato e
de outras operações em curso.
Tanto
que o Palácio do Planalto fez um apelo
para que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, permanecesse no
cargo mesmo após a troca na Justiça. A função é subordinada ao ministério,
mas o governo avaliou que, neste momento, a saída de Daiello poderia provocar
especulações de que há uma tentativa de ingerência nas operações em andamento.
O pedido para que ele ficasse no cargo não partiu de Cardozo, mas do Planalto,
e foi aceito. Daiello avaliou que não é
ocasião apropriada para deixar o cargo.
Embora
a PF seja independente, o novo ministro
pode interferir de forma pontual:
* com impedimento de
divulgação de operações,
* determinação de abertura de
inquérito a pedido de parlamentares da base governista,
* reduzir o orçamento do
órgão e
* apoiar projetos de lei
restringindo os trabalhos de investigação.
A
relação da PF com o novo ministro deve mudar, uma vez que Cardozo e Daiello
estabeleceram relação de confiança e troca de informações. Com origem do
Ministério Público, órgão que tradicionalmente tem divergências com a Polícia
Federal sobre investigações, César chega
ao posto com a desconfiança dos delegados. Ministério Público e PF dividem
a condução de operações como Lava Jato, Zelotes e Acrônimo.
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WELLINGTON CÉSAR LIMA E FILHO O novo Ministro da Justiça é apadrinhado pelo ex-governador da Bahia, Jaques Wagner |
Preocupação
Em nota, antes até da confirmação da saída de
Cardozo, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal disse que a
entidade recebeu com “extrema preocupação a notícia”, em “razões de pressões
políticas para que controle os trabalhos” da corporação.
Após
a confirmação de sua saída, Cardozo teve reunião com o procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, com quem tinha relação próxima enquanto esteve no
comando do ministério.
Na Procuradoria-Geral da
República, o nome foi bem recebido pela cúpula do órgão. “Ele é técnico. Não
acredito que um membro do MP tenha sido nomeado para embarreirar a Lava Jato”,
afirmou um interlocutor de confiança de Janot.
Padrinho político do novo
ministro, Jaques Wagner foi identificado por investigadores da Operação Lava
Jato em trocas de mensagens com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, condenado
pela Justiça Federal. Procuradores não acreditam, no entanto, em interferência nas
investigações.
Para
um dos integrantes do Grupo de Trabalho que investiga a participação de
políticos no esquema de corrupção na Petrobrás, a indicação de César foi
“surpreendentemente boa”. Procuradores
temiam a indicação do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) ao cargo, sob
risco de “enterrar” o trabalho técnico.
César é visto na
Procuradoria-Geral da República como um nome “sério”, “ponderado” e “juridicamente
preparado”, com formação sólida em direito penal. A origem na área criminal
é bem recebida entre os procuradores da República ligados às investigações.
“Nós, do Ministério Público, temos total
confiança e orgulho em ver um colega chamado para exercer uma função dessas.
Temos confiança de que ele vai cumprir a função com competência”, disse o
presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho
Cavalcanti.
Fonte: O Estado de S. Paulo –
Política –
Terça-feira, 1 de março de 2016 – Pág. A4 – Internet: clique aqui.
“Você não vê que Lula pode ser preso?”,
indagou deputado
Vera Rosa
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JAQUES WAGNER - Chefe da Casa Civil da Presidência da República e WELLINGTON CÉSAR LIMA E FILHO - novo Ministro da Justiça |
Foram pelo menos três os
pedidos de demissão apresentados pelo ministro José Eduardo Cardozo à
presidente Dilma Rousseff, desde o ano passado. Dilma sempre o segurou,
mas em 22 de fevereiro – dia em que o juiz Sérgio Moro decretou a prisão do
marqueteiro João Santana – percebeu que a pressão do PT ficara insustentável.
Na
tarde daquele dia, Cardozo recebeu no
Ministério da Justiça, por uma hora e meia, dez deputados do PT que, em tom
duro, cobraram dele providências sobre a ofensiva da Operação Lava Jato contra
o ex-presidente Lula e pediram abertura de inquérito para apurar denúncias
envolvendo o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Você não vê que o Lula pode
ser preso?”,
perguntou um dos deputados ao ministro do PT. “É um abuso atrás do outro da Polícia Federal e você não faz nada.” Eram
por volta de 17 horas quando os petistas saíram do gabinete. Abatido, Cardozo
desabafou com um amigo: “Eu não entendo o
que eles querem que eu faça”.
No
dia seguinte, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, desembarcou em São Paulo
para conversar com Lula, a pedido de Dilma. O ex-presidente desfiou um rosário de queixas contra Cardozo. No
ano passado, Lula chegou a convidar o vice Michel Temer (PMDB) para assumir a
Justiça.
Wagner sugeriu a Lula o nome
de Wellington César Lima e Silva, que foi procurador-geral de Justiça da Bahia.
Dilma conheceu Lima e Silva ainda na semana passada, com aval de Cardozo.
Apesar
disso, ela ainda não tinha batido o martelo sobre a indicação. Pretendia
convencer Cardozo a ficar mais um pouco, mas petistas trataram de vazar a notícia sobre a saída para criar um fato
consumado. Dilma ficou irritada. Cardozo pediu demissão, mas não queria ser
transferido para a Advocacia-Geral da União. Pretendia voltar para São Paulo. A
presidente, porém, fez um apelo. “Eu
preciso de você aqui”, disse ela.
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