Papa Francisco pede maior engajamento dos leigos na vida pública
Sergio Mora
Convite do Papa Francisco na conclusão da plenária da
Pontifícia Comissão para a América Latina
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CARDEAL MARC OUELLET Presidente da Pontifícia Comissão da América Latina (CAL) dirige a palavra a Papa Francisco |
O
Papa Francisco convidou os leigos da América Latina para participarem mais na
vida pública dos seus países. O pronunciamento ocorreu durante a plenária da Pontifícia Comissão da América Latina (CAL)
reunida, ao concluir no dia 4 de março, no Vaticano, a sua assembleia plenária
de quatro dias.
O
cardeal Marc Ouellet, presidente da CAL, dirigindo-se ao Santo Padre “que veio
da América Latina” e a “quem servimos de todo o coração”, lhe agradeceu a
audiência concedida, e destacou que durante
a Plenária abordaram-se as situações que Francisco “foi destacando nas suas
viagens apostólicas nos países latino-americanos” como
* a pobreza e exclusão,
* desigualdades sociais,
* tráfico de droga,
* corrupção e
* violências.
E
isso requer a intervenção de “novas gerações de leigos católicos, partícipes na
dialética democrática, coerentes com a sua fé” que sejam capazes de “abrir caminhos ao Evangelho para ir
criando condições de maior dignidade, justiça, fraternidade e paz para todos”.
O
Santo Padre em suas palavras destacou a importância e a atualidade do tema da
Plenária: “O indispensável compromisso
dos leigos na vida pública dos países latino-americanos”, e destacou a
necessidade urgente de uma reflexão que não fique em um texto, mas que conduza
à ação.
Especificamente,
falou da necessidade de que os pastores
sejam guias do seu povo vivendo com eles, estando no meio do seu povo,
“atrás dele” para ajudar e orientar os retardatários e “diante dele” para
guiá-lo.
Mas
ao mesmo tempo destacou dois grandes
vícios da relação entre os leigos e a hierarquia:
a) o clericalismo talvez o
mais difundido e pernicioso, pois reduz o leigo a uma espécie de colaborador do
sacerdote ou a um ator passivo, cuja ação se limita a seguir as diretrizes dos
clérigos; e
b) o pelagianismo.
Neste
sentido, afirmou o Papa categoricamente que “entramos na Igreja como leigos, não como sacerdotes”, recordando
várias vezes durante o seu discurso a importância que tem, por isso, a noção de “povo de Deus”.
Convidou
assim todos os participantes – que incluíam três leigos que participaram como
convidados na Assembleia – a trabalhar intensamente para incentivar a partir da Igreja, a real inserção dos leigos na vida
pública dos países da América Latina e a uma verdadeira “conversão
pastoral” que favoreça essa missão.
A
plenária iniciou o seu trabalho na terça-feira com uma missa na Basílica de São
Pedro, junto ao túmulo do Apóstolo Pedro. Entre as apresentações esteve a do
dr. Guzmán Carriquiry: sobre como explicar
“a notável ausência no âmbito político, comunicativo e universitário de vozes e
iniciativas de líderes católicos”.
O cardeal Robles Ortega, arcebispo de
Guadalajara, deu uma palestra sobre “Critérios e modalidades para a formação de
uma nova geração de leigos católicos como construtores da sociedade”.
O
arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo
Scherer, falou de “Escuta, apoio, companheirismo e orientação dos pastores
aos leigos comprometidos na vida pública: como fazer isso?”.
Por
sua parte, o cardeal Oscar Rodríguez
Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, abordou o tema “Rumo a um projeto
histórico para a América Latina: contribuições fundamentais dos católicos para
um ‘programa’ de transformação social e construção da nação na América Latina”.
O cardeal Ouellet, ao concluir o evento, apresentou, além do mais, um projeto
de recomendações pastorais.
O
cardeal canadense destacou também durante o congresso que dentre os objetivos
insere-se a colaboração entre a Comissão Pontifícia e o CELAM, que tem já como
horizonte próximo a Celebração
continental do Jubileu da Misericórdia, que será realizada em Bogotá do 27
ao 30 de agosto deste ano.
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