O QUE DEVE NOS PREOCUPAR HOJE?
Metade da população brasileira não tem
coleta de esgoto
Fabio Leite
Índice coloca País na 11ª posição em ranking
latino-americano;
Instituto Trata Brasil mostra que 35 milhões não têm
água tratada
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ESGOTO A CÉU ABERTO na Rua da Mata Escura em Salvador (Bahia). Realidade comum em mais da metade do Brasil! |
Metade
da população brasileira ainda não tem esgoto coletado em suas casas e cerca de
35 milhões de pessoas nem sequer têm acesso à água tratada no País. É o que
revela levantamento feito pelo Instituto
Trata Brasil com base nos dados de 2014 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados
no mês passado pelo Ministério das Cidades.
O índice (49,8%) coloca o
Brasil em 11.º lugar no ranking latino-americano deste serviço, atrás de países
como Peru, Bolívia e Venezuela. Os dados dessas nações são compilados pela Comissão Econômica para a América Latina
(Cepal), que divulga o índice de 62,6% para o Brasil porque inclui fossas.
Os números mostram que a
coleta de esgoto melhorou só 3,6 pontos porcentuais nos últimos cinco anos e ainda está muito distante
da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Saneamento Básico, que é atingir
93% de coleta no País em 2033.
“Caso
se mantenha o ritmo atual, estimamos que
só teremos serviços de saneamento universalizados a partir de 2050. Os
patamares de atendimento do Brasil se mostram modestos mesmo na comparação com
seus pares latino-americanos”, afirma Gesner
Oliveira, ex-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São
Paulo (Sabesp) e autor do estudo.
Segundo
o levantamento, metade dos R$ 12,2
bilhões investidos em saneamento no País ficou concentrada nas cem maiores
cidades brasileiras. Mas, segundo o estudo, 64% das cidades analisadas investem menos de 30% do que arrecadam com a
tarifa de água e esgoto cobrada dos consumidores. [O
que é um absurdo!]
“O
avanço, além de lento, é desproporcional. Só
as 20 melhores no ranking do saneamento investem, por habitante, duas vezes e
meia a mais do que as 20 piores”, afirma o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.
Cidades
O
ranking nacional feito pelo Trata Brasil com as cem maiores cidades mostra que apenas dois municípios, Belo Horizonte (MG)
e Franca (SP), têm 100% de esgoto coletado. Piracicaba (SP), Contagem (MG)
e Curitiba (PR) têm mais de 99%. Já as
cidades de Ananindeua e Santarém, no Pará, são as duas piores do ranking, com
nenhum esgoto coletado.
“Estamos
separando o Brasil em “ilhas” de Estados e cidades que caminham para a universalização
da água e esgotos, enquanto que uma
grande parte do Brasil simplesmente não avança. Continuamos à mercê das doenças”, afirma Carlos.
Já
quando a análise é sobre o esgoto
tratado, o índice nacional cai para
40,8%, apesar da pequena melhora de 2,9 pontos porcentuais desde 2010. Apenas três cidades paulistas (Limeira, Piracicaba e São José do Rio
Preto) tratam 100% do esgoto
coletado. Por outro lado, cinco municípios, entre os quais Governador Valadares (MG), Porto Velho (RO) e São João de Meriti (RJ), não
tratam nada.
Os
dados mostram ainda que o índice nacional de perdas de água na distribuição, que mede o desperdício na rede pública,
foi de 36,7% em 2014, ano marcado por grave crise de estiagem no Sudeste e
Nordeste do Brasil. Os melhores índices foram registrados nas cidades paulistas de Limeira, Ribeirão
Preto e Santos, todos com menos de 19% de perdas. Na capital, foi de 34,2%.
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